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domingo, 10 de janeiro de 2010

Prof. Molion (2): nos aquecimentos históricos anteriores o homem não pesou


Catolicismo — O que realmente vem acontecendo com a temperatura da Terra? Por exemplo, como o derretimento das calotas polares pode ser explicado?

Prof. Molion — Não se pode negar que a temperatura global aumentou nos últimos 100 anos, porém isso aconteceu por processos naturais, e não antrópicos (provocados pela ação do homem sobre a vegetação).

O gelo do Ártico já derreteu entre 1920–1945, quando o homem lançava menos de 10% do carbono que lança hoje na atmosfera. A cobertura de gelo em 2009 já foi maior que a de 2007, após esse inverno severo do hemisfério norte (América do Norte, Sibéria e China).

A permanência do gelo depende do transporte de calor feito pelas correntes marítimas – a corrente (quente) de Kuroshio, no Pacífico (Japão), e a corrente (quente) do Golfo do México, no Atlântico. Esta última, quando mais ativa como no período 1995-2007, transporta mais calor para o Ártico e derrete o gelo flutuante.

Ao derreter, o gelo não eleva o nível do mar, pois já desloca o volume que vai ocupar quando fundir. Esse transporte de calor é em parte controlado por um ciclo lunar de 18,66 anos, que esteve em seu máximo em 2005-2006. Estudos indicaram que o gelo continental em cima da Groenlândia permanece lá desde a última era glacial, há mais de 15 mil anos. O gelo da Antártica (Pólo Sul), por sua vez, continuou a crescer nos últimos 60-70 anos.


Catolicismo — Que outros estudos desqualificam o consenso dos cientistas vinculados à ONU? Que livros e autores o Sr. recomendaria?

Prof. Molion — Dois livros: The Chilling Stars, a New Theory of Climate Change, de Henrik Svensmark e Nigel Calder; e The Unstoppable Global Warming – Every 1.500 Years, de Fred Singer e Dennis Avery.

Outros artigos podem ser encontrados na lista de referências bibliográficas dos meus artigos publicados.

Fato digno de nota é que nos últimos dois mil anos reconhecidamente houve, no período medieval entre os anos 800-1200, um aquecimento global maior que o atual, o chamado “Ótimo Climático Medieval”.

Esse aquecimento permitiu que os nórdicos (vikings) colonizassem o norte do Canadá e o sul da Groenlândia (Terra Verde), hoje coberta de gelo. E as concentrações de CO2 eram inferiores a 280 ppmv (partículas por volume) na época, de acordo com as estimativas.

Catolicismo — Como o Sr. avalia a cobertura da imprensa brasileira e internacional em relação às alardeadas mudanças climáticas e outras questões ambientais com as quais a sociedade moderna se depara?

Prof. Molion — Infelizmente, a imprensa nacional e estrangeira dá ênfase exagerada ao aquecimento antropogênico do clima. Em particular a nossa mídia, televisionada e escrita, apenas repete o que vem de fora, sem fazer críticas. Talvez isso ocorra por falta de conhecimento e desinteresse dos jornalistas pelo tema, ou por interesses dos controladores desses veículos de comunicação.

A mídia vem anestesiando, impondo aos cidadãos comuns o que se convencionou chamar de “lavagem cerebral”, ficando a impressão de que o homem é responsável pela mudança do clima – o seu grande vilão. Como veículo de informação, a mídia deveria ser neutra, ouvir opiniões contrárias e tentar apenas relatar o conhecimento científico comprovado e suas limitações. Isso já aconteceu antes.

No início dos anos 1940, dizia-se que o mundo estava “fervendo e estava sufocante” com o aquecimento natural ocorrido entre 1925-1946.

No início dos anos 1970, ao contrário, dizia-se que estávamos à beira de uma nova era glacial, devido ao resfriamento global que ocorreu entre 1947-1976. Em adição, como argumento de que o clima está mudando, exploram os eventos meteorológicos catastróficos que ocorrem. Eventos severos sempre ocorreram no passado, muito antes de o CO2 chegar a essa concentração.

A maior seca no nordeste do Brasil ocorreu em 1877-1879, durante a qual, segundo Euclides da Cunha em Os Sertões, meio milhão de nordestinos morreram. As três maiores cheias em Manaus ocorreram em 1953, 1976 e 1922, quando o Pacífico estava frio. A cheia recorde de 2009 também ocorreu com o Pacífico frio e com a “temperatura média global” em declínio, constatação feita com dados de satélites nos últimos 10 anos.

O furacão mais mortífero nos Estados Unidos ocorreu em 1900 em Galveston, no Texas, ceifando a vida de mais de 10 mil pessoas. Nessa época, a densidade populacional era seis vezes menor que a de hoje. É preciso não confundir intensidade dos fenômenos meteorológicos com vulnerabilidade da sociedade, que aumenta com o crescimento populacional.

Ademais, a sociedade tende a se aglomerar em grandes cidades, tornando mais catastrófico atualmente um fenômeno com a mesma intensidade de outro que houve no passado. O homem não tem capacidade de mudar o clima global, mas sim de modificar seu entorno, seu próprio ambiente.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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Um comentário:

  1. Isso sim é prova do “Desaquecimento Global”: no México, país tropical, temperaturas de -11°C.

    *****************************
    Plínio Magno.

    México tem temperaturas mais baixas dos últimos 124 anos
    10 de janeiro de 2010 • 11h07 • atualizado às 11h17

    O México vem registrando as temperaturas mais baixas dos últimos 124 anos, de acordo com o Serviço Meteorológico Nacional (SMN). O inverno rigoroso no hemisfério norte provocou o fechamento dos três principais portos de exportação de petróleo - por lá passam 97% da produção mexicana.

    Os portos de Acyo Arcas, Tres Bocas e Coatzacoalcos, localizados no Golfo de México, devem permanecer fechados até que o clima fique mais ameno, de acordo com o Ministério das Comunicações do México.

    O SMN afirmou que uma frente fria já atinge 22 dos 32 Estados mexicanos. As zonas montanhosas de Coahuila, Durango e Chihuahua, no norte do país, registraram temperaturas de -11°C. As aulas foram suspensas nas escolas de oito Estados e, em quatro outros, os alunos das escolas primárias estão sendo instruídos a chegar mais tarde.

    O governo decretou estado de emergência em Zacatecas e Durango, e as autoridades sanitárias estão atentas para um possível aumento da incidência de gripe suína - doença que afetou duramente o país em 2008.

    De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento a onda de frio causou a morte de nove pessoas em várias partes do país.

    Vento

    A onda de frio no México tem conseqüências diferentes em cada região. No Estado de Oaxaca, no sudoeste do país, o Instituto Estatal de Proteção Civil disse que ventos de até 140 km/h provocaram o capotamento de quatro caminhões de carga.

    Em várias cidades no Estado de Coahuila, no norte do país, o abastecimento de água potável foi suspenso porque os canos congelaram. As autoridades pediram que as pessoas tomem providências para evitar que os canos de suas casas estourem.

    Partes elevadas da Cidade do México estão cobertas de neve. Centenas de pessoas buscaram essas áreas para recreação, mas a polícia está impedindo o acesso para prevenir acidentes.

    Segundo o repórter da BBC Mundo, Alberto Nájar, as imagens mais comuns na televisão mexicana no momento são de pessoas com casacos pesados para enfrentar o frio - mesmo os moradores de zonas de clima quente como Yucatán e Tabasco.

    Nesses Estados as autoridades distribuíram cobertores para os mais necessitados

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