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domingo, 31 de janeiro de 2010

Prof. Molion (5) desfaz falsas acusações contra a pecuária


Catolicismo — Essa questão do metano está sendo muito falada. A pressão ambientalista aponta a pecuária e o desmatamento como os principais vilões no Brasil. Ambientalistas holandeses chegam a apresentar o desenho de um boi poluindo mais que quatro veículos...


Prof. Luiz Carlos Molion , Palestra na 61ª Reunião Anual da SBPC. Foto Antonio Cruz-ABr



Prof. Molion — O metano é resultante da fermentação anaeróbia da matéria orgânica (vegetal e animal). Arrozais, animais ruminantes e cupins são produtores de metano. Também o são as áreas com vegetação alagadas periodicamente (como os milhares de hectares das várzeas amazônicas).

Entretanto, apesar de as áreas cultivadas com arroz terem aumentado e os ruminantes estarem crescendo à taxa de 17 milhões de animais por ano (o Brasil já passou de 200 milhões de cabeças), a concentração de metano se estabilizou, segundo as medições da rede da NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, irmã da NASA, USA), e tem mostrado taxas anuais negativas (ou seja, decréscimo de concentração).


Ninguém sabe o porquê disso, nem mesmo o maior especialista em metano, Aslam Khalil, da Universidade Estadual de Portland (EUA).  

Os nossos rizicultores e pecuaristas podem, portanto, respirar aliviados, pois não têm culpa alguma.

Em minha opinião, o metano chegou à concentração de saturação nas condições de temperatura e pressão atmosférica atuais. O metano adicional (já que as fontes continuam aumentando) que vem sendo lançado na atmosfera está sendo absorvido, muito provavelmente pelos oceanos.

Mais uma evidência de que as atividades humanas não alteram nem a concentração atmosférica dos chamados gases de efeito estufa nem o clima (ou temperatura) do planeta. Ao contrário, sua concentração é dependente da temperatura. Como o planeta vem esfriando, e haverá um resfriamento global nos próximos 20 anos, as concentrações desses gases vão diminuir.

Começou com o metano e chegará a vez do CO2. Mas isso é negado na palhaçada em Copenhague, por ocasião da reunião da COP 15.


Catolicismo — O Sr. gostaria de fazer algumas considerações finais?

Prof. Molion — O homem não tem condições de mudar o clima global, mas grande capacidade de modificar/destruir seu ambiente local. A Terra se compõe de 71% de oceanos e 29% de continentes. A metade desses 29% é constituída de gelo (geleiras) e areia (desertos), enquanto 7 a 8% do restante encontram-se cobertos com florestas nativas e plantadas.

O homem manipula, então, cerca de 7% da superfície global, não podendo portanto destruir o mundo.

Os oceanos, juntamente com a atividade solar, são os principais controladores do clima global.

Mas existem outros controladores externos, como aerossóis vulcânicos, e possivelmente raios cósmicos galácticos, que podem interferir na cobertura de nuvens.

Em resumo, o clima da Terra não é resultante apenas do efeito estufa ou do CO2 e sua concentração. Ele é produto de tudo aquilo que ocorre no universo e interage com o nosso planeta.

Como foi dito, a conservação ambiental independe de mudanças climáticas e é necessária para a sobrevivência da humanidade.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Prof. Molion (4): o CO2 é o gás da vida


Catolicismo — A elevada concentração na atmosfera de CO2 e outros gases que supostamente causam o efeito estufa não interferem na saúde humana?

Prof. Molion — O principal gás de efeito estufa, se é que esse efeito existe, é o vapor d’água (água na forma de gás). Em alguns lugares e ocasiões sua concentração chega a ser 100 vezes superior à do CO2.

Este, por sua vez, é um gás natural, é o gás da vida. Na hipótese, altamente improvável, de eliminarmos o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra.

O homem e os outros animais alimentam-se das plantas. Eles não produzem os alimentos que consomem. São as plantas que o fazem, por meio da fotossíntese, absorvendo CO2 e produzindo amidos, açúcares e fibras. Outros gases, como metano e óxidos de nitrogênio, estão presentes em concentrações muito baixas, que não causam problemas.


Fala-se muito que o aumento da temperatura global provocaria ipso facto uma proliferação do número de doenças que dependem de mosquitos como vetores (febre amarela, malária, dengue, por exemplo). Convém lembrar que a malária matou milhares de pessoas na Sibéria nos anos 1920, um período muito frio, e que já foi encontrado Aedes aegypti vivendo a –15°C (abaixo de zero).

Esses mosquitos continuam matando seres humanos e já sobreviveram a climas mais quentes e mais frios. Portanto, o problema seria mais de saneamento básico do que de clima. Entretanto, todo esforço que se fizer para diminuir a poluição do ar, águas e solos será muito benéfico para a humanidade.

A propósito, as concentrações de metano se estabilizaram nos últimos 20 anos, embora continuem a se expandir as atividades agropecuárias, como orizicultura e pecuária ruminante.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Prof. Molion (3): a falcatrua dos CFCs e da camada de ozônio pode ser precedente do “aquecimento global”

Catolicismo — O Sr. crê na idéia de que a aplicação do Protocolo de Kyoto produz efeitos no clima da Terra?

Prof. Molion — Sob o ponto de vista de efeito estufa e de aquecimento global, o Protocolo de Kyoto é inútil, assim como o serão quaisquer tentativas de reduzir as concentrações de carbono na atmosfera para “combater o efeito estufa”. Nele é proposta uma redução de 5,2% das emissões, comparadas aos níveis dos anos 1990. Estamos falando de cerca de 0,3 bilhões de toneladas de carbono por ano (GtC/a).

Para se ter uma idéia, estima-se que os fluxos naturais entre os oceanos, solos e vegetação somem cerca de 200 GtC/a. O grau de imprecisão admitido nessas estimativas, perfeitamente aceitável, é de 20%. Isso representa um total de 40 GtC/a para cima ou para baixo (80 GtC/a), 13 vezes mais do que o homem coloca na atmosfera e 270 vezes a redução proposta por Kyoto.



Catolicismo — Atualmente não se fala mais da camada de ozônio. O que ocorreu?


Prof. Molion — Com a minha idade e conhecimento dessa área, já vi ocorrer num passado próximo algo muito semelhante, utilizando exatamente a mesma “receita”: a eliminação dos compostos de clorofluorcarbono-CFCs (Protocolo de Montreal), sob a alegação de destruírem a camada de ozônio.

Em minha opinião, foi uma grande farsa, um grande golpe econômico para que as indústrias detentoras de patentes dos substitutos –– que têm suas matrizes no G7, e lá pagam impostos sobre seus lucros – explorassem os países em desenvolvimento, particularmente os tropicais (Brasil, Índia...) que precisam de refrigeração a baixo custo.

Sabe-se que a concentração de ozônio depende da atividade solar, mais especificamente da produção de radiação ultravioleta (UV). Ou seja, o ozônio não filtra a UV, e sim a UV é consumida, retirada do fluxo solar para a formação do ozônio.

O sol tem um ciclo de 90 anos. Esteve num mínimo desse ciclo nas primeiras duas décadas do século XX e apresentou um máximo em 1957/58, Ano Geofísico Internacional, quando a rede de medição das concentrações de ozônio se expandiu e os dados de ozônio passaram a ser amplamente coletados e disseminados.

A partir dos anos 1960 a atividade solar (UV) começou a diminuir, e a camada de ozônio teve suas concentrações reduzidas paulatinamente. O sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos, e estará com atividade baixa nos próximos 22 anos, até por volta de 2035. Nesse período a camada de ozônio atingirá seus valores mínimos desde que começou a ser monitorada. Mas, como os CFCs já foram praticamente eliminados, e a exploração econômica já foi resolvida, não se fala mais sobre o assunto.

Em princípio, o sol só voltará a um máximo, semelhante ao dos anos 1960, por volta do ano 2050. Só aí, possivelmente, é que a camada de ozônio venha atingir os mesmos níveis dos anos 1950/60. O aquecimento global antropogênico segue a mesma “receita” que eliminou os CFCs. Esses gases estáveis, não tóxicos e não-corrosivos, tinham um terrível “defeito”: não pagavam mais direitos de propriedade (“royalties”).

Hoje se vê claramente quem foram os beneficiados por tal falcatrua. Os do aquecimento global antropogênico ainda não são óbvios, mas a História dirá!


Catolicismo — O que pode ser feito para o meio ambiente?

Prof. Molion — Usar os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL): atividades humanas que reduzam a poluição (note: poluição, e não CO2!) do ar, das águas e dos solos, reflorestamento de áreas degradadas. São medidas sempre muito bem-vindas, e devem ser apoiadas. É importante não confundir conservação ambiental com mudanças climáticas. Aqueça ou esfrie, temos de conservar o ambiente.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fraudes com dados climáticos russos alimentaram tese do “aquecimento global”

Relatórios da Rússia confirmam que os cientistas envolvidos no escândalo do Climagate estavam trabalhando com dados sabidamente distorcidos relativos ao clima russo, escreveu “The Telegraph” de Londres.


Tiksi, estação russa para o clima


O Instituto de Análises Economicas de Moscou (IEA)  publicou um relatório mostrando que o Hadley Center for Climate Change (HadCRUT) sedeado no quartel geral do British Meteorological Office de Exeter (Inglaterra) provavelmente adulterou os dados sobre o clima global com dados errôneos do clima russo.

Para o IEA os dados das estações russas não sustentam a teoria do aquecimento global antropogênico.

O Hadley Center teria usado dados de só 25% das estações metrológicas russas. Mais de 40% do território russo foi excluído do cálculo da temperatura global.

Para os analistas do IEA, os climatologistas britânicos se limitaram aos dados colhidos em estações nas grandes cidades que são influenciadas pelo aquecimento urbano, e não usaram os dados corretos gerados pelas estações remotas.


A escala do “aquecimento global” teria sido deformada para o exagero porque a Rússia representa o 12,5% da superfície da terra, incluindo grandes extensões das mais frias do planeta.

As cifras apresentadas na COP15 de Copenhague baseavam-se nesses cálculos distorcidos do HadCRUT.

Presidente Lula na COP-15, Copenhague. Foto Ricardo Stuckert - PR


Em poucas palavras, os critérios usados pelo IPCC para informar os governos do mundo, no seu todo constituem uma panela furada, segundo o IEA. Nesse caso, estaríamos diante de um sistema de deturpações em série diz Richard North, do The Bruges Goup.

Segundo Steve McIntyre de Climate Audit, o CRU – o Centro no foco do Climagate – jogou inescrupulosamente com os dados da Sibéria. Como prova ele aduz um email do diretor do CRU Prof. Phil Jones ‒ resignatário enquanto avançam as investigações ‒ a Michael Mann, da Penn State University que também está sendo investigado.

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Favorecer o senso de adaptação do homem: uma resposta às mudanças climáticas


O que está se abatendo sobre a Europa não é uma simples onda de frio, mas uma seqüência de correntes de ar polar, explicou Christophe Cassou, do Centro Europeu de Pesquisa e Formação Avançadas em Cálculo Científico (Cerfacs, sigla em francês). Além da Europa, os EUA e a Ásia estão sendo atingidas.

A abundância do noticiário e das imagens na grande e pequena mídia é largamente eloqüente.

Muitos aspectos são históricos a como neve em Sevilha (sul da Espanha) onde só os anciãos lembravam ter visto, ou os frios recordes de México e Cuba que influenciaram até a Colômbia.


Ainda que intensos, prolongados e generalizados no Hemisfério Norte, do ponto de vista científico esses frios não trazem um desmentido ou, ainda menos como tentam alguns, uma confirmação do cada vez mais inacreditável “aquecimento global”.

O “aquecimento global” ‒ se existe ‒ não depende de algumas nevascas ou ondas de calor.

A temperatura global do planeta é uma resultante de inúmeros dados da superfície considerados numa perspectiva de tempo importante.

É cada vez mais evidente que a polêmica sobre o “aquecimento global” é de tipo político, ideológico e propagandístico.


No nível da propaganda, as ondas de frio inviabilizam boatos e exageros “aquecimentistas”.

Centenas de vôos diários suspensos em grandes aeroportos; trens impedidos de partir ou continuar viagem; corriqueiros acidentes de carros aos milhares pelo verglas; aulas, encontros, negócios e atividades normais adiadas em virtude do gelo. Este é o grande tema do dia para centenas de milhões de europeus e americanos.

Nesse ambiente, falar do “aquecimento global” é contraproducente.

Até a maioria dos leitores franceses deixou de acreditar nele, segundo enquete do diário parisiense “Le Figaro”.


Sob este prisma, as ondas de frio desceram como uma lápide mortuária sobre os despojos da reunião de Copenhague.

A alegria das crianças brincando na neve, como as da foto embaixo num parque central de Berlim, trazem uma nota positiva que estimula a desejar e trabalhar por um mundo melhor.

Elas revelam a enorme capacidade de adaptação do ser humano às adversidades.


Um simples trenózinho, uma suave declínio do gramado, frio e neve: e eis que as crianças são felizes.

E não só elas, mas também os pais que puxam os trenós uma e outra vez para o alto do declive do jardim para fazer a felicidade dos filhos.

Por vezes, descem eles também no trenózinho com as crianças ou rolam pela neve com elas!

Face às dificuldades climáticas a solução não passa por “pobres” apontando com o dedo aos “ricos”; lutas de classe planetárias, reivindicações multi-bilionárias; manipulações esdrúxulas de números e estatísticas para provar fenômenos inexistentes com o pretexto de “salvar o planeta”.

A solução passa por essa maravilhosa capacidade que Deus pôs nas almas. Por ela, nas condições naturais as mais diversas, de modo instintivo e aplicando sua inteligência o homem desenvolve culturas especiais e faz das adversidades uma fonte de satisfação.

Uma planificação planetária do clima como se o homem ou essa planificação tivessem o poder de um Deus?

Um órgão de comando planetário sobre o clima como uma super-URSS climática?

Isso nada consertará.

Mas, pelo contrário, acabará abafando qualidades admiráveis que germinam no mais fundo das psicologias dos povos desde a primeira infância.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Entrevista do Prof. Luiz Carlos Molion no Canal Livre, da Band

Canal Livre (Band), 11 de janeiro de 2010

Já tivemos oportunidade de reproduzir entrevistas do professor Luiz Carlos Baldicero Molion. Para nossos leitores ele dispensa apresentação. Formado em Física pela USP, com doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e pós-doutorado na Inglaterra é a mais autorizada voz brasileira em climatologia.

Ex-diretor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Prof. Molion leciona atualmente na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, onde também dirige o Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT).

Ele vem esclarecendo a opinião pública nacional sobre o que está em jogo na atual polêmica a propósito do “aquecimento global” e “mudança climática”.

Em mais uma entrevista ao Canal Livre da Band, o professor voltou a defender com clareza e segurança a verdade face aos mitos do alarmismo climático que reproduzimos em atenção ao interesse que suscitam sempre suas declarações numa página especial.


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domingo, 10 de janeiro de 2010

Prof. Molion (2): nos aquecimentos históricos anteriores o homem não pesou


Catolicismo — O que realmente vem acontecendo com a temperatura da Terra? Por exemplo, como o derretimento das calotas polares pode ser explicado?

Prof. Molion — Não se pode negar que a temperatura global aumentou nos últimos 100 anos, porém isso aconteceu por processos naturais, e não antrópicos (provocados pela ação do homem sobre a vegetação).

O gelo do Ártico já derreteu entre 1920–1945, quando o homem lançava menos de 10% do carbono que lança hoje na atmosfera. A cobertura de gelo em 2009 já foi maior que a de 2007, após esse inverno severo do hemisfério norte (América do Norte, Sibéria e China).

A permanência do gelo depende do transporte de calor feito pelas correntes marítimas – a corrente (quente) de Kuroshio, no Pacífico (Japão), e a corrente (quente) do Golfo do México, no Atlântico. Esta última, quando mais ativa como no período 1995-2007, transporta mais calor para o Ártico e derrete o gelo flutuante.

Ao derreter, o gelo não eleva o nível do mar, pois já desloca o volume que vai ocupar quando fundir. Esse transporte de calor é em parte controlado por um ciclo lunar de 18,66 anos, que esteve em seu máximo em 2005-2006. Estudos indicaram que o gelo continental em cima da Groenlândia permanece lá desde a última era glacial, há mais de 15 mil anos. O gelo da Antártica (Pólo Sul), por sua vez, continuou a crescer nos últimos 60-70 anos.


Catolicismo — Que outros estudos desqualificam o consenso dos cientistas vinculados à ONU? Que livros e autores o Sr. recomendaria?

Prof. Molion — Dois livros: The Chilling Stars, a New Theory of Climate Change, de Henrik Svensmark e Nigel Calder; e The Unstoppable Global Warming – Every 1.500 Years, de Fred Singer e Dennis Avery.

Outros artigos podem ser encontrados na lista de referências bibliográficas dos meus artigos publicados.

Fato digno de nota é que nos últimos dois mil anos reconhecidamente houve, no período medieval entre os anos 800-1200, um aquecimento global maior que o atual, o chamado “Ótimo Climático Medieval”.

Esse aquecimento permitiu que os nórdicos (vikings) colonizassem o norte do Canadá e o sul da Groenlândia (Terra Verde), hoje coberta de gelo. E as concentrações de CO2 eram inferiores a 280 ppmv (partículas por volume) na época, de acordo com as estimativas.

Catolicismo — Como o Sr. avalia a cobertura da imprensa brasileira e internacional em relação às alardeadas mudanças climáticas e outras questões ambientais com as quais a sociedade moderna se depara?

Prof. Molion — Infelizmente, a imprensa nacional e estrangeira dá ênfase exagerada ao aquecimento antropogênico do clima. Em particular a nossa mídia, televisionada e escrita, apenas repete o que vem de fora, sem fazer críticas. Talvez isso ocorra por falta de conhecimento e desinteresse dos jornalistas pelo tema, ou por interesses dos controladores desses veículos de comunicação.

A mídia vem anestesiando, impondo aos cidadãos comuns o que se convencionou chamar de “lavagem cerebral”, ficando a impressão de que o homem é responsável pela mudança do clima – o seu grande vilão. Como veículo de informação, a mídia deveria ser neutra, ouvir opiniões contrárias e tentar apenas relatar o conhecimento científico comprovado e suas limitações. Isso já aconteceu antes.

No início dos anos 1940, dizia-se que o mundo estava “fervendo e estava sufocante” com o aquecimento natural ocorrido entre 1925-1946.

No início dos anos 1970, ao contrário, dizia-se que estávamos à beira de uma nova era glacial, devido ao resfriamento global que ocorreu entre 1947-1976. Em adição, como argumento de que o clima está mudando, exploram os eventos meteorológicos catastróficos que ocorrem. Eventos severos sempre ocorreram no passado, muito antes de o CO2 chegar a essa concentração.

A maior seca no nordeste do Brasil ocorreu em 1877-1879, durante a qual, segundo Euclides da Cunha em Os Sertões, meio milhão de nordestinos morreram. As três maiores cheias em Manaus ocorreram em 1953, 1976 e 1922, quando o Pacífico estava frio. A cheia recorde de 2009 também ocorreu com o Pacífico frio e com a “temperatura média global” em declínio, constatação feita com dados de satélites nos últimos 10 anos.

O furacão mais mortífero nos Estados Unidos ocorreu em 1900 em Galveston, no Texas, ceifando a vida de mais de 10 mil pessoas. Nessa época, a densidade populacional era seis vezes menor que a de hoje. É preciso não confundir intensidade dos fenômenos meteorológicos com vulnerabilidade da sociedade, que aumenta com o crescimento populacional.

Ademais, a sociedade tende a se aglomerar em grandes cidades, tornando mais catastrófico atualmente um fenômeno com a mesma intensidade de outro que houve no passado. O homem não tem capacidade de mudar o clima global, mas sim de modificar seu entorno, seu próprio ambiente.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Geólogo da UnB desmitifica boatos “aquecimentistas”


O Dr. Gustavo M. Baptista, professor adjunto da UnB (Universidade de Brasília), geólogo, é autor do livro “Aquecimento Global: Ciência ou Religião?”.

Ele vem de escrever o artigo “O planeta está realmente esquentando?” para a “Folha de S.Paulo” contendo oportunos esclarecimentos

O Dr. Baptista observa que em Copenhague “ironicamente, foram necessários muitos agasalhos, pois o frio de um inverno rigoroso já se anunciava.”

O geólogo prova que a tese defendida pelo IPCC de que o aquecimento é provocado pelo homem, baseia-se em três grandes pilares. E demonstra os pontos falhos de cada um.

Falhas nos cálculos da temperatura global

1º) “As séries históricas dos desvios de temperatura global, nas quais se baseia o IPCC, mostram que, nos últimos cem anos, a temperatura média do planeta aumentou 0,6, mas, ao analisarmos os dados, notamos que esse crescimento não foi constante nem linear”.


“Além disso, e mais curioso ainda, não há relação de proporcionalidade com o aumento de CO2, ou seja, não é possível, com base nessas séries históricas, afirmar que a temperatura aumentou em decorrência do aumento das emissões de dióxido de carbono”.

“Outra observação inquietante mostra que, entre 1943 e 1966, período em que o processo de urbanização se consolidava no mundo, ocorreu redução de 0,18 na temperatura global.”

“A partir de 2005, os dados de temperatura média global baseada em dados de satélites divulgados pela Universidade do Alabama Huntsville (UAH) mostram uma tendência de resfriamento global. Contrariando as previsões dos ambientalistas, o planeta viveu entre 2007 e 2009, no Hemisfério Norte, invernos bastante rigorosos, com direito a uma nevasca histórica em Washington no último mês de dezembro e a inacreditáveis 34,6 negativos na Alemanha, onde, de acordo com o Serviço Alemão de Meteorologia, o inverno está sendo classificado entre os cinco ou dez mais frios dos últimos cem anos.

Números da concentração de CO2 foram manipulados

2º) “Os outros dois pilares do aquecimento antropogênico estão relacionados à concentração de CO2 na atmosfera. Segundo os que anunciam essa pseudocatástrofe, essa concentração nunca foi tão elevada quanto agora. Será?

Essa afirmação baseia-se inicialmente nos estudos de Guy S. Callendar, que, a partir de 1938, passou a pregar a influência humana no incremento da temperatura do planeta em decorrência da queima de combustíveis fósseis. Estudos posteriores dos cientistas Fonselius, Koroleff e Wärme lançaram dúvida sobre a tese de Callendar, mostrando que, na verdade, ele teria escolhido a dedo seus dados. A manipulação teve o objetivo de estabelecer uma suposta tendência de crescimento exponencial nos índices de concentração e de desprezar concentrações superiores ao patamar eleito por ele.”

O máximo gás-estufa ‒ a água ‒ foi omitido pelo IPCC

3º) “Afirma-se que o grande vilão do aquecimento global é o homem, por sua parcela de contribuição para o efeito estufa. No entanto, 95% do efeito estufa é decorrente da concentração do vapor d'água.

“O CO2 corresponde somente a 3,6% do total.

“Mais grave ainda é que, desse percentual, o homem e suas máquinas respondem por apenas 0,1%.

“Por essa razão, o climatologista Marcel Leroux disse que "na atmosfera do IPCC não há água".


Entramos num período de resfriamento global

Conclui, o Prof. Baptista ‒ concordando com numerosos científicos de alto gabarito ‒ que “entramos recentemente numa nova fase fria do oceano Pacífico e enfrentamos um ciclo de manchas solares que tem apresentado uma atividade muito baixa. Isso deve nos levar, ao contrário do que anunciam os profetas do apocalipse climático, a um novo período de resfriamento global.

“O fato é que as temperaturas globais são reguladas por fenômenos naturais de âmbito sistêmico. A mudança do clima, para mais quente ou para mais frio, ocorrerá com ou sem o nosso consentimento. Quem viver verá!”

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Prof. Molion (1): absurdo atribuir ao homem o aquecimento climático

O professor Luiz Carlos Baldicero Molion dispensa apresentação. Formado em Física pela USP, com doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e pós-doutorado na Inglaterra é a mais autorizada voz brasileira em climatologia.

Ex-diretor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Prof. Molion leciona atualmente na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, onde também dirige o Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT), ele vem esclarecendo a opinião pública nacional sobre o que está em jogo na atual polêmica a propósito do “aquecimento global” e “mudança climática”.

Em recente entrevista a “Catolicismo” ele voltou a colocar ‘pingos nos is’ de modo sumamente oportuno para o Brasil.

Catolicismo — O Sr. concorda com as conclusões propagadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), de um aquecimento global causado pela ação humana?

Prof. Molion — O IPCC (órgão vinculado à ONU) não comprova que o aquecimento global seja produzido pelo homem. Nos estudos já realizados sobre a variabilidade do clima, o aquecimento global se encontra dentro dos limites da variabilidade natural. É impossível, com o conhecimento atual sobre o clima, identificar e comprovar o possível aquecimento antropogênico.

Na minha versão mais nova do aquecimento, analiso três argumentos básicos:

1) As séries de temperatura média global não são representativas. Nos últimos anos, o número de estações climatométricas viu-se drasticamente reduzido — por volta de 14 mil no final da década de 1960, para menos de 1.000 hoje — pelo Goddard Institute for Space Studies (Dr. James Hansen), NASA. A maior parte das estações desativadas se encontrava na zona rural. As localizadas nas cidades sofrem o efeito da urbanização, o chamado “efeito ilha de calor”, que produz certa tendência de aquecimento.

2) O aumento da concentração de CO2 não se correlaciona com aumento de temperatura. Após o término da II Guerra Mundial, o consumo de petróleo se acelerou, no entanto a temperatura média global diminuiu. Em eras passadas –– como os interglaciais, de 130 mil, 250 mil e 360 mil anos atrás –– as temperaturas estiveram mais elevadas que as atuais, embora com concentrações de CO2 inferiores.

Portanto, não é o CO2 que aumenta a temperatura do ar, e sim o contrário: o aumento da temperatura provoca aumento da concentração de CO2, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos.

3) Finalmente, os modelos de clima utilizados para as “projeções” da temperatura média global nos próximos 100 anos ainda são incipientes, não representam a complexidade e as interações dos processos físicos que determinam o clima. 

Os cenários utilizados pelo IPCC são hipotéticos, e muito provavelmente não virão a se concretizar, pois os oceanos, ao se resfriar, passarão a absorver mais CO2. Ou seja, as simulações com modelos de clima não passam de meros exercícios acadêmicos, não se prestando à formulação de políticas adequadas para o desenvolvimento da sociedade.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

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