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domingo, 13 de março de 2016

Como a revolução comuno-ambientalista
está destruindo o Brasil e até os próprios índios

Agitações e pressões em Brasília. A população honesta e trabalhadora foi um das primeiras vítimas.
Agitações e pressões em Brasília.
A população honesta e trabalhadora foi um das primeiras vítimas.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



continuação do post anterior: Quando um cacique fala toda a verdade, brilha a falácia da “revolução ambientalista”



Catolicismo —  Como vem sendo a atuação do Conselho Indígena de Roraima (CIR) lá na Raposa/Serra do Sol?

Silvestre — O CIR sempre atuou, mas para desmoronar. Os cabeças da entidade estão todos empregados na Secretaria do Índio, do INCRA, com bons salários, eles sempre viveram assim, sempre viveram por trás da população indígena que está lá sofrendo.

Catolicismo — Essa Secretaria do Índio é do Governo do Estado ou do Governo Federal?

Silvestre —  É do Governo do Estado, embora não seja da competência dele. O estado vem se obrigando a fazer coisas que seriam da competência do Governo Federal. A Secretaria do Índio ajuda um aqui, outro ali, porque não dá pra ajudar todo mundo.

No caso da energia elétrica, numa recente entrevista eu até citei o senador Romero Jucá.

Ele vai à televisão e fala assim: “A luz para todos em Roraima está consumada, a luz para todos atingiu todo mundo em Roraima”. Apesar de dizer “energia para todos”, a 100 km daqui, no Boqueirão, onde eu morei, eles negociaram para a luz passar dentro de Guri e descer 15 km com a rede, pois hoje estão lá 19 pais de família sem energia.

A luz foi colocada só no centro da comunidade e o resto ficou sem nada. Eles estão falando que vão colocar.

Catolicismo — E na Raposa/Serra do Sol, não tem energia?

Silvestre — Alguns têm, porque o governo deu um motor de luz pra eles lá. Ou aqueles que têm uma condiçãozinha para comprar um motorzinho. Mas os outros estão lá sem energia! É brincadeira...



Fazenda de produção de arroz demolida após expulsão dos fazendeiros de Raposa Serra do Sol.
Fazenda de produção de arroz demolida
após expulsão dos fazendeiros de Raposa Serra do Sol.
Catolicismo — Para a Raposa/Serra do Sol não vai energia?

Silvestre — Para lá não vai.E temos lá uma grande cachoeira possibilitando a construção de uma hidrelétrica para abastecer Roraima e outros estados, até outros países, mas a luz aqui vem da Venezuela.

Pode parecer que eu estou mentindo, mas vá lá para ver... Se fizerem a hidrelétrica ali, vai ser a vida para as comunidades indígenas, vai gerar dinheiro, vai gerar luz, vai gerar tudo de bom para aquelas comunidades.

Eu me lembro de um ex-governador que já se foi. Ele dizia: “O desenvolvimento do Estado e do País chama-se estrada e energia”.

As terras eram plantadas com arroz, do Genor Faccio, do Paulo César Quartiero, daqueles arrozeiros todos que foram retirados de lá.

Num dia desses o Dr. Juiz Hélder Girão Barreto me perguntou: “Silvestre, me diga uma coisa, como é que está a Raposa/Serra do Sol?”.

Eu respondi: “Está abandonado, doutor.”

Aí ele disse: “A gente sabia. Eu estou fora disso agora.”

Ele disse desse jeito pra mim! Mas na época ele foi a favor da demarcação... Hoje o índio deveria estar plantando, colhendo, ganhando dinheiro e abastecendo o Estado.

Catolicismo — Parece que o Estado perdeu 4% do PIB com a saída dos arrozeiros de lá. É isso mesmo?

Silvestre — Só o Paulo César tinha 5.000 funcionários trabalhando na empresa de arroz dele. Ele foi retirado, e então essas 5.000 pessoas estão aí hoje quase todas desempregadas, porque o desemprego é grande aqui. O índio continua abandonado mesmo!

Catolicismo — Qual é a sua formação escolar?

Índio Silvestre Leocádio da Silva falando
Índio Silvestre Leocádio da Silva falando
Silvestre — Eu só tenho o ensino fundamental. Vou relatar o que aconteceu recentemente comigo e com a minha família. Os garimpeiros sobem para a mina Santa Rosa — como hoje está tudo difícil, então muita gente está aí desempregada e vai atrás de dinheiro seja onde for —, os garimpeiros estão sempre entrando no Santa Rosa para tirar ouro e diamante.

Então, minha filha que mora lá na comunidade do Boqueirão — os garimpeiros passam lá na ida e na volta — ela vende comida para eles. Ela vende comida lá e vive disso.

Depois a Polícia Federal foi lá prendê-la juntamente com o marido. Em seguida, veio aqui na minha casa me prender. Só não me prendeu porque eu não me encontrava no momento.

E sabe qual a razão? Alegava que eu estava apoiando os garimpeiros, estava comprando arma, estava dando todo o apoio aos garimpeiros.

E minha filha, os estava alimentando quando eles passavam pelo Boqueirão... E eu nem conheço esses tipos...

Minha filha tem um telefone rural. O delegado disse para mim que ela não pode ter telefone, porque ele é via satélite.

Eu disse para ele: “Sr. delegado, isso aqui é um telefone! Eu sou índio, será que não posso ter um telefone?” Ele respondeu: “Telefone que custa R$ 1.300,00, ela não pode ter..”. Mas o que é isso!?

PF numa primeira incursão na área da Raposa/Serra do Sol em 2008, Foto Roosewelt Pinheiro-ABr.
PF numa primeira incursão na área da Raposa/Serra do Sol
em 2008, Foto Roosewelt Pinheiro-ABr.
A Polícia Federal prendeu minha filha e foi preciso pagar um advogado para soltá-la. A PF foi bater na penitenciária, porque disse que ela e seu marido estavam traficando gasolina, traficando ouro.

É triste, hoje as comunidades não podem ter nada, eles querem os índios lá andando nus, pedindo as coisas. É complicado! Eu discordo disso aí, eu como indígena discordo.

Eu acho que nós indígenas temos que acompanhar o progresso do Brasil e de todo o mundo, temos que acompanhar o branco, o preto, temos que acompanhar a política brasileira, a política estrangeira, tudo nós temos que ter conhecimento. Se não, para onde nós vamos?

Eu trabalhei com os padres durante 20 anos. Por isso, eu aprendi muita coisa, estudei. Era para eu ter ido à Itália me formar; mas então eu não quis. É por isso que não sou formado.

Eu comprei muito gado pra Igreja Católica distribuir às comunidades indígenas no município de Alto Alegre. Depois eu saí fora, porque chegou um momento em que eu entendi que não era o que eu queria, era o que os padres queriam.

Depois fui para a SODIUR [Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima], tornei-me presidente dela e nos colocamos contra a demarcação da Raposa/Serra do Sol.

Catolicismo — A SODIUR ainda existe?

Silvestre — Existe. Hoje a FUNAI mudou um pouco. Numa época anterior a FUNAI não me considerava como índio porque eu estava na cidade.

Eu não tinha direito a fazer um registro indígena, minha mulher não tinha o direito de fazer o “salário maternidade”, minha família não tinha direito de tirar o registro indígena, porque já estávamos na cidade. A discriminação é grande!

A discriminação vem da política, vem da FUNAI, vem das ONGs, vem de todo mundo, é muito triste.

E quando falo dessa maneira, as pessoas falam assim: “Você fala demais”.

Expulsão dos moradores de Raposa/Serra do Sol
Expulsão dos moradores de Raposa/Serra do Sol
Eu falo a verdade, a dor quem sente sou eu, não posso ser discriminado. Se eu não aprender como o branco procede, ele vai passar por cima de mim, tenho de aprender, tenho de me defender.

Se tivéssemos uma FUNAI que nos desse condições para evoluir, hoje não estaríamos sendo tão discriminados. Contrariamente, a FUNAI existe para ganhar dinheiro em nome do índio, só isso.

A FUNAI me dizia: “Aqui na FUNAI não tem coisa para os índios aculturados, só tem para os ianomâmis, eles estão lá isolados.”

A FUNAI tinha que ir à Raposa/Serra do Sol e, juntamente com o Governo Estadual e o Federal, fazer escola, fazer posto médico, fazer hospital, fazer estrada, fazer uma agricultura com tecnologia. Penso que a FUNAI existe para isso.

Mas ela quer isolar o índio. Se não fosse o governo do estado de Roraima, os índios morreriam de indigência.

A FUNAI abandona o índio. Já ficou claro que a Raposa/Serra do Sol foi demarcada para acabar com os índios, pois os índios estão vindo pra cidade!

Toda a verdade sobre Roraima





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