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domingo, 12 de agosto de 2018

Igreja ecológica amazônica dispensa a Redenção. Os únicos pecados são a catequização e a civilização

Pajé em transe místico (esquerda), jornalista recebe unção do pagé (direita).
Modelo da 'conversão ecológica' ensinada pela 'igreja panamazônica'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Igreja ecológica panamazônica enxota Jesus Cristo e endeusa o pajé


Como comentamos em anterior post, a jornalista holandesa Jeanne Smits, embora muito conhecedora dos mais obscuros meandros do progressismo e do ambientalismo radical, ficou pasma vendo as propostas avançadas no Documento Preparatório do Sínodo dos Bispos para a Assembleia Especial para a Pan-Amazônia [outubro de 2019].

Esse Sínodo visaria a “conversão pastoral e ecológica” para uma nova interpretação da religião católica que acaba dando no contrário do Antigo e do Novo Testamento.

Prosseguindo na análise das observações da jornalista, verificamos que Jeanne sublinha a total ausência da noção da Salvação, básica no cristianismo, até em suas versões mais deturpadas.

Não há pecado, exceto as desigualdades entre os homens, o capitalismo, a propriedade privada, o agronegócio, a alteridade dos seres, a família monogâmica, o sacerdócio hierárquico, a lei moral objetiva, etc., etc.

Na utopia da 'igreja pan-amazônica' esses ‘pecados’ seriam banidos.

O raciocínio é simplista: se na vida ecológca-tribal não há pecado, não há necessidade de Redenção nem de Salvação.

Se não precisa de Salvação, para que serve o Sacrifício do Calvário do Divino Redentor?



Exemplo de evangelização tradicional repudiada pelo projeto de Sínodo pan-amazônico: missionários capuchinhos na Amazônia, Roraima
Exemplo de evangelização tradicional repudiada
pelo projeto de Sínodo pan-amazônico:
missionários capuchinhos na Amazônia, Roraima
A verdadeira salvação – descobre a jornalista holandesa no Documento do Vaticano – consistiria na “conscientização da realidade segundo as percepções pagãs pré-cristãs, fortemente impregnadas de práticas espíritas e, portanto, diabólicas, típicas dos pajés, mestres, wayanga ou xamãs que pretendem comandar a natureza invocando forças sobrenaturais”.

Jeanne conta que seu pai ouviu de um missionário holandês em terras remotas o relato da incessante hostilização por parte de um bruxo local – equivalente ao “pajé, curandeiro, mestre, wayanga ou xamã” louvado pelo Documento Preparatório.

Aquele bruxo exibia poderes surpreendentes: trocava de local de maneira incompreensível; o missionário se afastava, navegando pelo rio, e o reencontrava no local de chegada.

E sempre o bruxo insultando-o copiosamente no dialeto da região de Brabante, Países Baixos, onde o sacerdote nasceu!

O religioso não tinha dúvida alguma: os poderes do bruxo estavam ligados ao demônio. O anjo das trevas percebia o que perderia caso os indígenas se convertessem.

Eis para onde parece rumar a 'nova evangelização' sonhada pela Igreja pan-amazônica!
Mas as preocupações dos articuladores do Sínodo de 2019 se voltam com obsessivo realejo contra a ordem civilizada, próspera e dinâmica. Esta é descrita de modo tendencioso, como se só possuísse defeitos, sem mencionar que os mesmos são corrigíveis:

“Na selva amazônica (...) desencadeou-se uma profunda crise, devido a uma prolongada intervenção humana na qual predomina a ‘cultura do descarte’ (Laudato Si’, 16) e a mentalidade extrativista.

Pajés e bruxos diversos são membros naturais da casta sacerdotal da 'igreja panamazônica'.
Pajés e bruxos diversos são membros naturais
da casta sacerdotal da 'igreja panamazônica'.
“A Amazônia, uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja.” (nº2, id. ibid)

Dessa diatribe Jeanne extrai a consequência lógica não só para a região, mas para o mundo inteiro:
Vai ser necessário mudar o mundo inteiro, e até a Igreja de Cristo; e em grande escala, porque o texto não esconde que a Amazônia é um modelo exemplar, e que aquilo que é bom para ela vai ser bom para o planeta”, escreve.

Em poucas palavras, todos nós deveremos ser empurrados para uma vida tribal ecologista-tribalista marcada pela infelicidade, a dor e a carência. E nossa vida civilizada deverá ser extinta.

A jornalista escolhe um exemplo do Documento Preparatório entre muitos outros, repetitivos por sinal:
“Como podemos colaborar na construção de um mundo capaz de romper com as estruturas que sacrificam a vida e com as mentalidades de colonização para construir redes de solidariedade e interculturalidade?” (nº 4, id. ibid).

Sim, trata-se de “romper com as estruturas” hodiernas, com nossa vida quotidiana, com nosso bem-estar, com nosso progresso, com nossa cultura, para afundar na utopia de uma selva virgem e benfeitora, na verdade inóspita e cheia de males latentes e reais.

Foto: freiras salesianas com crianças Bororo, Mato Grosso. Museu do Índio, Funai.
As missões tradicionais, além da catequizar, 
alfabetizavam crianças e adultos, os fixavam em suas terras
abandonando a degradante vagabundagem sem rumo.
Formavam também nos valores pátrios, ensinavam ofícios manuais,
a pecuária e a agricultura que ignoravam totalmente.
Introduziam cuidados corporais básicos, o uso de vestimentas dignificantes
e a higiene com melhora da saúde e nível de vida. Civilizavam...
Tudo isso agora é rejeitado com horror pela ‘igreja pan-amazônica’.
A mencionada “interculturalidade” só exclui uma cultura: a brasileira e cristã, e só admite – explica a autora – a “admiração sem limites da visão da natureza segundo os índios da Amazônia”.

O documento não fornece nenhuma explicação do que é que é essa “visão da natureza segundo os índios da Amazônia”, embora diz que são muitas etnias e 'culturas'.

A omissão e as alusões idílicas insinuadas da vida indígena -- em verdade de um sofrimento sem limites -- não provém dos índios, mas de utopistas radicais no estilo de Jean-Jacques Rousseau que conduzem o mundo a um desastre maior que o precipitado pelo utopista suíço.

Se essa meta for atingida, o Brasil e as nações limítrofes desaparecerão do concerto das nações civilizadas. E o que será então de cada um de nós, civilizados e cristãos?



Continua no próximo post: O materialismo da Igreja ecológica amazônica deixa Karl Marx atrás


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