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domingo, 2 de setembro de 2018

Liturgia esotérica para cultuar
a divindade dos abismos da “Mãe Terra”

Bruxo prepara alucinogeno ayahuasca para ritual em Novo Segredo, Acre. Os 'brancos' deverão modelar o culto segundo misturas de crenças ecológicas esotéricas xamânicas indígenas para entrar em comunhão com a natureza.
Bruxo prepara alucinogeno ayahuasca para ritual em Novo Segredo, Acre.
Os 'brancos' deverão modelar o culto segundo misturas
de crenças ecológicas esotéricas xamânicas indígenas
para entrar em comunhão com a natureza.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Por trás da utopia pan-amazônica: luta de classes planetária, ruptura com a Igreja e ingentes danos aos índios



Em posts anteriores, reproduzimos análises e comentários da escritora Jeanne Smits sobre o Documento Preparatório do Sínodo previsto para 2019, nos quais ela o vê como fundador de uma igreja pan-amazônica modelo para a humanidade na crise atual (Documento Preparatório do Sínodo dos Bispos para a Assembleia Especial para a Pan-Amazônia [outubro de 2019]).

Na medula desse documento-chave Smits identifica a tentativa de “uma conversão pastoral e ecológica” visceralmente panteísta e comunista.

Um aspecto central dessa tentativa consiste em criar confusão entre a ordem natural e sobrenatural, citando abundantemente a encíclica Laudato si’, do Papa Francisco, e lhe atribuindo os mais espantosos erros:

“No mistério pascal de Cristo, a criação inteira se estende até um cumprimento final, quando ‘as criaturas deste mundo já não nos aparecem como uma realidade meramente natural, porque o Ressuscitado as envolve misteriosamente e guia para um destino de plenitude.

“As próprias flores do campo e as aves que Ele, admirado, contemplou com os seus olhos humanos agora estão cheias da sua presença luminosa’ (Laudato Si’, 100)” (nº 41, id. ibid).



A nova liturgia amazônica 'inculturada' adotará costumes tirados da bruxaria local
A nova liturgia amazônica 'inculturada' adotará costumes tirados da bruxaria local
Nessa visualização, o “mistério pascal de Cristo”, que é posto como o epicentro da Missa, estaria se realizando na evolução ecologista-panteísta do pan, ou totalidade da Criação.

Já o dissera há décadas D. Henrique Froehlich S.J., quando comemorou que “haviam cessado as comunhões, os trabalhos de doutrinação, as missas coletivas no meio das tribos.

“O trabalho religioso foi deixado de lado e os índios passaram a ser tratados cientificamente.

“ – Nós descobrimos [é um dos Padres da Missão quem fala] que os princípios religiosos dos próprios índios eram naturais e o que é natural é de Deus.

“Portanto, do modo deles, com suas ideias, suas cerimônias, eles amavam a Deus e assim não havia razão para nós mudarmos tudo em sua cabeça só para que eles passassem a amar a Deus pelo nosso modo” (“Deixar o índio com sua cultura, o novo método missionário, “O Globo”, 8.3.1973, apud Plinio Corrêa de Oliveira, Tribalismo... op. cit.)

A divindade está presente em cada célula do pan, impulsionando sua evolução rumo a um “destino de plenitude” mal explicado no Documento. Entrando em comunhão com esse impulso evolutivo no frenesi de “suas cerimônias” os índios amam a Deus convenientemente, segundo D. Henrique Froehlich.

“Na Eucaristia, a comunidade celebra um amor cósmico” (cf. Laudato Si’ 236)” cita o Documento Preparatório (nº 58, id. ibid).

Mas e se o cosmos – Gaia ou Pachamama – está num estado de missa permanente, para o que é que serve o Santo Sacrifício da Missa?

No máximo para nos conscientizarmos dessa evolução do pan e nos sintonizarmos com seus impulsos espontâneos.

Missa de fundação de São Paulo, Antônio da Silva Parreiras (1860-1937). Coleção Prefeitura Municipal
Missa de fundação de São Paulo, Antônio da Silva Parreiras (1860-1937).
Coleção Prefeitura Municipal
O Dr. Plinio, na profética obra citada, desmonta a charada:

“A Igreja ensina que o Sacrifício da Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário.

“E num dos valiosos documentos comuno-missionários citados, aponta que a liturgia se reduz ‘à ‘expressão’ de um ‘impulso religioso’.

“Neste sentido, ela ‘é boa para nós’ [N.R.: católicos racionais e civilizados]. Isto é, exprime nossos impulsos.

“Mas pode perfeitamente ser substituída entre os índios por outras cerimônias – prossegue o Dr. Plinio –, pois o ‘mesmo impulso religioso’ que exprimimos na Missa, eles o exprimem ‘dançando com um maracá, pintado de urucum’.

“É difícil ser mais ultrajante para com a Santa Missa. Ademais, se a ‘liturgia münkü’ equivale a esta, qual a razão religiosa de uma Missão católica?” (Plinio Corrêa de Oliveira, id. ibid.)
Nas experiência ecológico-tribais desaparecem todas as formas de cultura, ordem e dignidade. Reina o prosaísmo, a igualdade, a imoralidade e a superstição.
Nas experiência ecológico-tribais desaparecem todas as formas de cultura, ordem e dignidade.
Reina o prosaísmo, a igualdade, a imoralidade e a superstição.

Jeanne não enxerga tão longe, mas percebe que tudo encaminha nessa direção.

“Tudo isso serve de prelúdio à recomendação de mudanças – para não dizer revoluções – ao mesmo tempo políticas e religiosas:

“A ecologia integral nos convida a uma conversão integral. Isto exige [...] reconhecer os próprios erros, pecados, vícios [...] negligências’ e omissões com as quais ‘ofendemos a criação de Deus’ (...) (Laudato Si’ 218)”.

O Documento Preparatório não faz muita distinção entre o combate ao mundo da propriedade privada e a promoção de um conjunto litúrgico pagão.

A distinção entre ordem temporal e espiritual não existe na visualização panteísta dos teólogos indigenistas. Isso é a essência da “ecologia integral” alegada.

“Uma mudança profunda do coração – prossegue o Documento – que se expressa em mudanças de hábitos pessoais, é tão necessária quanto uma mudança estrutural que esteja embutida em hábitos sociais, em leis e em programas econômicos convencionados.

“Na hora de se promover essa transformação radical de que a Amazônia e o planeta necessitam, os processos de evangelização têm muito a contribuir, sobretudo pela profundidade com que o Espírito de Deus atinge a natureza e os corações das pessoas e dos povos” (nº s. 53 e 54, id. ibid).

A entrada da civilização foi inseparável da evangelização. Elevação da Cruz em Porto Seguro, Pedro José Pinto Peres (1841 -- 1923), Museu Nacional de Belas Artes, RJ
A entrada da civilização foi inseparável da evangelização.
Elevação da Cruz em Porto Seguro, Pedro Pinto Peres (1841-1923),
Museu Nacional de Belas Artes, RJ
Revolução socioeconômica planetária e adoção de um culto pagão “aborigem” constituem uma só coisa.

O realejo panteísta não se interrompe: é preciso superar o “individualismo” – aliás, inimigo do pan amalgamado –, parar de consumir para não destruir a natureza.

Segundo este sonho tóxico, obtendo a despersonalização e adotando o miserabilismo, o homem poderia afundar numa “mística da interligação e interdependência de tudo que foi criado” (nº 74, id. ibid).

Algo muito na linha das crenças budistas, que levam o monge a parar de viver, conscientizando-se de que não é senão parte de um fluxo impessoal.

Nas longas tiradas citadas, a estudiosa volta a encontrar uma confusão proposital entre o Criador e o criado, entre a dimensão “mística” atribuída à mera matéria e a perspectiva holística da Nova Era professada por sociedades secretas, diz Jeanne.

Na confusão entre mística e matéria, missa e evolução cósmica deve-se também perguntar que sentido tem o celibato sacerdotal.

Os incensados “pajé, curandeiro, mestre, wayanga ou xamã” não têm necessidade disso.

Podem ate praticar todas as perversões condenadas pelo 6º Mandamento.

Padres casados (no caso impropriamente rotulados de viri probati) ou mesmo sacerdotisas, desde que participem dessa mística, não tem qualquer problema!

Se a Missa ou cerimônia que a substitua visa nos colocar em comunicação com o todo, do que adiantaria receber em estado de graça a Eucaristia – o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo – sob as espécies de pão e de vinho, produtos, aliás, estranhos à biodiversidade amazônica?

Religiosa sendo preparada para iniciação em rito indígena
Religiosa sendo preparada para iniciação em rito indígena:
inversão de valores e finalidades da missão. E inversão do deus!
De Jesus Cristo ao príncipe das trevas! Foto: Prof.s J.B.Botelho; V.A.C.M. Weigel

Em vez de culto católico: ritual da Tucandeira!
Mas próprio da religiosidade da igreja pan-amazônica seria a distribuição de algum produto alucinógeno como a ayahuasca ou “cipó dos espíritos”, “usado para adivinhação, mistificação e enfeitiçamento“, segundo os padres jesuítas Pablo Maroni em 1737 e Franz Xaver Veigl em 1768. Cfr. Wikipedia, verbete Ayahuasca.

Essa Comunhão nascida da cultura indígena nos tiraria a consciência, ajudaria a apagar em nós a noção da própria individualidade e nos jogaria nos alucinantes devaneios comunitários do pan, da Pachamama ou de qualquer superstição indígena local!

E nos afastaria, pelo menos durante o "sonho" místico, do capitalismo, da propriedade privada, do consumismo e outros "males" execrados pela nova religiosidade.

Seria a fina ponta da missa – ou anti-missa cósmico-ecologica – cuja liturgia seria a convergência das teologias europeias com alguns costumes indígenas supersticiosos e degradados.



Continua no próximo post: Convite a uma revolução de fundo comunista e de espírito supersticioso abismal


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