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domingo, 9 de junho de 2019

ECO-92 revelou o materialismo panteísta da utopia ecológica

Num cenário caótico, os potentados do planeta deram o empurrão de partida rumo a um mundo anárquico e panteísta agora proposto pelo Sínodo Amazônico
Num cenário caótico, os potentados do planeta deram o empurrão de partida
rumo a um mundo anárquico e panteísta agora proposto pelo Sínodo Amazônico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Os velhos papéis por vezes armazenam segredos que folhados muito depois nos surpreendem. Tal vez isso inspirou ao famoso historiador francês G.Lenotre a escrever uma obra referencial sobre a Revolução Francesa: “Velhas casas, velhos papeis” (“Vieilles maisons, vieux papiers”, Tallandier, Paris, 2013).

Hoje temos a Internet e seus bancos de dados. E foi assim que para surpresa minha e, creio, para a do leitor, achei documentos surpreendentes para compreender o fundo do que se está falando do Sínodo Pan-Amazônico.

Esse Sínodo ostenta a intenção de gerar uma igreja nova adaptada à cultura ecológica, que na sua integridade seria praticada pelos “povos originários”, nativos ou indígenas das selvas amazônicas.

Notadamente, adotaria e consagraria o ideário religioso que eles praticariam de forma modelar para nós, homens desnaturados pela civilização e pela Igreja hierárquica bem ordenada segundo os ensinamentos de Jesus Cristo.

Olhando com atenção, nesse ideário dos “povos originários” só há um muito pobre amontoado de superstições que nem os coitados dos indígenas sabem explicar direito.

O “ensinamento ancestral” da religião ecológica com suas elucubrações complicadas é uma criação de ideólogos escolados em grandes universidades e seminários dos países colonizadores.

Como e onde apalpar esse ideário?

Pois, nada de melhor que ir ao próprio momento histórico em que ele foi revelado aos não-iniciados: na famosa ECO-92. Também chamada de Cúpula da Terra, foi realizada no Rio de Janeiro com a maior concentração de chefes de Estado e governo até então vista.

Até Fidel castro fez questão de comparecer na Eco-92e cantar a morte da era capitalista
Até Fidel castro fez questão de comparecer na Eco-92
e cantar a morte da era capitalista
Contou também com um exuberante comparecimento de ONGs radicais e chefes místico-religiosos.

Esse imenso conjunto hoje é tido como o momento fundacional da grande revolução verde a nível de governos, IPCC incluído, e fonte de inspiração e referência histórica para os utopistas do Sínodo Pan-amazonico.

E eis o que encontrei. Acrescido das minhas impressões pessoais na época, pois participei inscrito como cidadão observador das atividades, especialmente ao aterro do Flamengo, onde se reuniam essas ONGs que preparavam um futuro verde para o mundo.

Quer dizer, o nosso presente agora.

Nova religião ecolo-panteísta emerge em vigília ecumênica

Na noite de 4 para 5 de junho de 1992, patenteou-se ante mim um dos aspectos centrais do mundo novo largamente partilhado pelos participantes da vertente radical das ONGs ativas na Cúpula da Terra.

Com efeito, naquela noite ocorreu uma vigília ecumênica no aterro do Flamengo sob o lema “Um novo dia para a Terra - Vigília Inter-fés e Celebração”.

Nela predominou a liderança das novas religiões integradas na natureza sem teologia e sem hierarquia.

I. é., de religiões que não deduzem, por via racional, um corpo de doutrina sistematizado, a partir de uma Revelação. Portanto, não aplicam o esforço da razão para formular seu pensamento religioso.

Antes bem se assemelham a meros rituais fetichistas, com confusas intuições de fundo religioso por trás.

Para este misticismo sem base racional, a religião consistiria no sentir humano, alimentado pelas percepções acontecidas durante rituais que fazem emergir forças escuras que habitariam as profundezas da terra.

Excetuada a presença do arcebispo emérito de Olinda e Recife Dom Helder Câmara e do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, Dom Luciano Mendes de Almeida, não houve representação oficial de figuras significativas das Igrejas históricas.

A vigília ecumênica da ECO-92 comemorou a nascente pan-religião ecológica e a morte das religiões organizadas
A vigília ecumênica da ECO-92 comemorou a nascente pan-religião ecológica
e a morte das religiões organizadas
A participação dominante foi de seguidores de aquilo que se insinuou como a religião nova, ecumênica, ritualista, toda feita de eflúvios, de passes energéticos, de “carismas”, que deveria animar à nova ordenação ecológica, leia-se caos, do Planeta.

Representantes de cada uma das religiões engajadas, subiram no palco do grande anfiteatro aberto do Aterro do Flamengo, “para atrair a presença do divino ao local” (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

Com esse intuito promoveram “fazer orações, ler textos sagrados ou simplesmente cantar” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, Jornal do Brasil, 6/6/92).

As intervenções individuais foram precedidas pela execução do dirjiridoo (Jornal do Brasil, id. ibid.), instrumento dos aborígenes australianos, símbolo do sentimento religioso básico, primordial, inteiramente natural, despojado de qualquer roupagem institucional.

A participação a título pessoal de religiosos católicos — já então engajados numa pastoral ecológica e muito ligados à Teologia da Libertação — esteve cheia de consequências, pois, como observou o cotidiano O Estado de São Paulo:

“A influência verde sugere profundas modificações doutrinárias na Igreja Católica.

“Inspirados nos ensinamentos do Gênesis, os líderes católicos disseminaram por séculos uma crença antropocêntrica em que o homem figura como dono e senhor da natureza.

A nova tendência tem como norte a comunhão com a natureza” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, O Estado de São Paulo, 6/6/92).

Só faltou ao jornal paulista anunciar o Sínodo Pan-amazônico que então nem se imaginava.

“Por volta das 2h, os grupos foram para suas tendas e iniciaram suas celebrações”.

As tendas foram distribuídas entre as várias dúzias de religiões presentes. Nelas, cada uma praticava seus rituais, meditações, danças, magias ou passes energéticos.

“Na tenda dos católicos houve missa celebrada por dom Luciano, orações da Renovação Carismática pelo fim da poluição atmosférica e invocações a São Francisco de Assis, o protetor dos animais. (...)

“Os judeus dançaram e cantaram segundo suas tradições, sob o comando do jovem rabino Nilton Bonder.

“Uma das tendas mais animadas era dos Hare Krishnas.” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, Jornal do Brasil, 6/6/92).

Desde 1992 reuniões anuais congregam governos, potentados, 'místicos' e ONGs para apressar o plano 'verde' da ECO-92
Desde 1992 reuniões anuais congregam governos, potentados,
'místicos' e ONGs para apressar o plano 'verde' da ECO-92
Numa superlotada tenda, os adeptos do Santo Daime, religião que baseia seu culto naturalista na ingestão coletiva de um alucinógeno — ayahuasca — preparado com vegetais da Amazônia.

Sob o efeito da droga, os adeptos dançaram maquinalmente ao som de hinos que combinavam palavras evangélicas e melodias populares do Nordeste do Brasil.

Verificaram-se baixas entre eles por excesso de entorpecente, o qual era servido com fartura (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).

O Daime — informou O Estado de São Paulo — seduz os ecologistas pela doutrina naturalista, pela liturgia simples expressa nos símbolos da mata.

“« O Daime é só natureza, um culto que ensina a harmonia e faz mais feliz quem o pratica », dizia a fotógrafa Gilda Vianna” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, id. ibid.).

Bruxas e bruxos do candomblé — culto afro-brasileiro condenado tradicionalmente pela Igreja Católica, por causa dos seus lados satanolâtricos — bailavam na sua tenda “em tributo à natureza, representada pelos orixás [espíritos de características demoníacas]”.

“« Alimentamo-nos da natureza e se a compreendemos torna-se possível fazer o mundo mais limpo », afirmava o babalorixá [feiticeiro] Joaquim Mota” (id. ibid.).

“Na tenda do candomblê, babalorixás e ialorixás confraternizavam e cantaram em louvor de Xangô, o orixá das forças da natureza” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid).

Sacerdotes católicos se misturaram com eles, pese à posição oficial da Igreja Católica (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

A droga corria como um dom “místico”, a alucinação coletiva ecológica e pan-eclesial começava. É esse o ecumenismo em sua plenitude?

Porém, era só preparação. O mais secreto estava para vir. Vermos isso num próximo post.


Continua no próximo post:


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