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domingo, 20 de outubro de 2019

Da caverna de Marx à taba ecolo-missionária

Militantes da ONG Earth First! tentam atingir o ideal tribal-animal "integrado na natureza"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Karl Marx – como vimos no post anterior (Karl Marx: o profeta anticristão da vida tribal, e o Sínodo Pan-amazônico) – teceu uma fantasia a respeito dos homens vivendo como cavernícolas em tempos pré-históricos.

Esse deveria ter sido, segundo seu gosto, o ponto de partida idílico da atual fase da evolução humana rumo ao comunismo utópico.

A imagem coincide de cheio com o sonho que faz delirar o ambientalismo mais radical.

No fim das contas muitos ecologistas procedem do próprio ambiente comunista, reorganizados revolucionariamente sob a bandeira verde após a queda da URSS.

Marx adotou os devaneios de místicos ateus ou pagãos que encontraram guarida em documentos como a encíclica ‘Laudato si’ do Papa Francisco.

Ele foi também ecoado por teólogos ‘católicos’ evolucionistas como Teilhard de Chardin SJ. E, nem é preciso dize-lo, por teólogos da libertação das mais variadas tendências.

A fantasia de Marx nos faz ver o grau de primitivismo e degradação em que seus seguidores – vermelhos ou verdes – querem jogar a humanidade.

Marx acha que elogia a tribo pré-histórica descrevendo-a assim:

“Aqueles antigos organismos sociais eram (...) baseados, seja no desenvolvimento imaturo do homem individualmente que ainda não cortou o cordão umbilical que o liga a seus semelhantes em uma comunidade tribal primitiva, seja em relações de submissão”.

Santão indiano procura "místicamente" se confundir com a natureza, em Biogue, Allahabad.
A encíclica ecolo-libertária 'Laudato si' acenou exemplos 'místicos' do gênero.
Os homens então não passariam de primatas que não tendo se diferenciado do funcionamento de bando animal próprio das outras espécies, seguiam os impulsos primários coletivos.

Eram ao pé da letra animais, pois não tinham razão, ou não a usavam, e faziam o que as necessidades impulsivas lhes impunham.

Marx, porém, ficava atrás dos atuais teólogos da “libertação da Terra”.

O ex-frei Boff, por exemplo, execra a crença mítica do “indígena como selvagem genuinamente natural e por isso em perfeita sintonia com a natureza”. Cfr. Sínodo Pan-amazônico se baseia em mitos em que nem Boff acredita

A doutrina ecologista mais desenvolvida foi bem rotulada de “humanofóbica” pois teológica e filosoficamente odeia o homem, seja ele selvagem ou civilizado. Cr. A ‘humanofobia’ tem algo a ver com a ‘ecologia integral’ ou a ‘mística indígena’?

Por isso, entre muitos outros citados neste blog, Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, acusa o Homo Sapiens como grande culpado da extinção das espécies vegetais e animais e dos outros homens.

Para ele é falso achar que pode haver um “bom selvagem” ou a quimera comuno-progressista de índios que viveriam “em plena harmonia com a natureza”. Todos os homens são malignos, e aquele que raciocina é o pior deles. Cfr. Ideólogo ‘verde’ condena homem como 'assassino serial' da Criação (sic!)

Ideal de Marx e do comuno-tribalismo: adorar-se a si próprio pragmaticamente sem Deus ou deuses
Ideal de Marx e do comuno-tribalismo:
adorar-se a si próprio pragmaticamente sem Deus ou deuses
Na ideologia marxista, a vida tribal não resultava de vontade ou inteligência pessoal alguma. O grupo reage como o bando dos macacos ou a manada de bois que vai para aqui ou para lá sem saber por quê nem para onde.

Cada homem é massacrado por outros bandos, devorado pela doença, envenenado por animal peçonhento e ele agoniza sem entender e sem auxílio, no andar cego da evolução.

Mas o ódio de Marx contra as desigualdades atinge profundezas insondáveis. Ele descobre nesses bandos de sofridos primatas imaginários “relações de submissão”, como citado acima.

Trata-se de acabar até com essas “relações de submissão”: esse e o sentido da evolução comunista que ele prega. E explica:

“Elas só podem surgir e existir onde o desenvolvimento do poder produtivo do trabalho não tenha saído de um estágio baixo e quando as relações sociais entre os homens e entre o homem e a natureza sejam mesquinhas”.

As relações sociais entre aqueles macacoides entre si e com a natureza não são todo o igualitárias que ele aspira e por isso “seguem sendo mesquinhas”. Não importa quão torpes e degradadas sejam: Marx quer pior.

No que é que consiste essa mesquinhez?

Em adorar a Deus ou qualquer ser superior!

Marx vibra de ódio contra esse resquício de Deus ou dos deuses na mais primitiva caverna e na mais degradada tribo! Eis falando o profeta do comuno-tribalismo:

“Esta mesquinhez reflete-se na antiga adoração da Natureza e nos outros elementos das religiões populares”, aponta.

Hippismo anárquico em Woodstock: etapa rumo ao anarquismo tribal perfeitamente ateu
Hippismo anárquico em Woodstock:
etapa rumo ao anarquismo tribal perfeitamente ateu
Então, o ideal comuno-tribal de Marx tem um objetivo específico: eliminar o resquício de religião que ele fantasia existir na caverna pré-histórica.

Para o que? Para substituí-lo por um ateísmo sem mácula:

“O reflexo religioso do mundo real só pode desaparecer quando as relações práticas da vida cotidiana não oferecem senão relações perfeitamente inteligíveis”.

Para isso propõe o pragmatismo absoluto autogestionário que há também em teologias como da Libertação: “o processo vital não rompe seu véu místico até ser tratado por homens livremente associados e conscientemente regulado de acordo com um plano assentado” (“O Capital”, t.I, pág. 91-92, in pág. 25).

Marx e a caverna, a ecologia e a extinção do ser humano

Marx também vê no relacionamento na caverna um lado elogiável. E aí encontramos o ambientalista radical antes mesmo de Ernst Haeckel fundar a ecologia e da Teologia do Índio ter pulado no Sínodo Pan-amazônico:

“O selvagem em sua caverna (um elemento natural que lhe é livremente oferecido para uso e proteção) não se sente um estranho, pelo contrário, sente-se tão em casa quanto um peixe na água”, louva o pai do comunismo.

Mas nessa tribo ou caverna ainda habitava o mal. Quer dizer, havia um chefe, a desigualdade, a subordinação contra a qual Lúcifer se revoltou no Céu.

Acampamento Terra Livre contra barragem Belo Monte: passo 'profético' rumo ao Sínodo e à miséria tribal
Acampamento Terra Livre contra barragem Belo Monte:
passo 'profético' rumo ao Sínodo e à miséria tribal
A caverna, a maloca, é “a casa de um estranho que está a sua espera diariamente e o despeja se não pagar o aluguel”.

“Ele também percebe o contraste entre sua própria morada e uma residência humana, como as que existem naquele outro mundo, o paraíso dos ricos" (p. 135).

E pensando na casa dos ricos, sonha com o Céu dos bem-aventurados, com a Corte celestial de Deus e seus anjos.

Eis por que Marx quer descer mais. Não vê até onde. Mas os inefáveis verdes já o excogitaram: extinguir o ser humano que se obstina em ser desigual.

Ali onde Marx não enxerga o fundo do abismo, sim o faz o ex-frei Boff, que participou na redação da encíclica Laudato si’.

No Congresso Continental de Teologia, auspiciado pela UNISINOS, em São Leopoldo, em outubro de 2012 ele explicou que entramos de cheio numa nova luta de classes tocada pela “religião verde”.

Nela, “esse organismo que chamamos Terra e da qual fazemos parte” pode, a qualquer hora, “nos expulsar como se fôssemos células cancerígenas”. Seria o fim da humanidade.

Nessa perspectiva, a “Mãe Terra” estaria preparando um novo ser capaz de “receber o espírito”.

Lula gigante habitada pelo "espírito" substituiria a humanidade
que seria expelida da Terra: devaneios panteístas
da "ecoteologia", ou nova "religião verde"
Esse novo ser dotado de espírito poderia ser, por exemplo, uma lula gigante. Cfr.: Teólogos da Libertação desvendam segredos da nova “religião” verde

Poucos sofismas seriam mais apropriados para nos preparar para a visão face-a-face do rei dos abismos infernais?

Da vontade de segurar o riso. Porém, pode haver algo mal contado.

Aguardemos as sugestões, entrelinhas e notas ao pé de página da Exortação Sinodal Pan-amazônica.


(As citações de Marx foram tiradas de: Erich Fromm, “Conceito marxista do homem - Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 de Karl Marx”, Zahar Editores, Rio, 1975, 222 págs., 6ª ed.)


Um comentário:

  1. Hoje esperneia-se contra Deus -instalou-se uma variedade de pseudo religiões impressionante .
    Eu apenas pergunto :Porque a Igreja de Cristo ficou tanto tempo guardada a sete chaves ?
    Sou crente acérrima numa Igreja de Cristo que não veio ao mundo pq o Pai resolveu enviar o Filho amado para reacender o Espirito num mundo novo .
    Assim hoje ,nem DEUS nem o SEU DIVINO FILHO preenchem o vazio espiritual deste mundo
    As pessoas procuram a espiritualidade nas teorias mais variadas de tempos remotos :orientais.
    Ou fazem gala em se autoafirmar como ATEUS .
    Que Deus Pai nos olhe com infinita misericórdia e envie o Espirito para nos reabilitar em Jesus.

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