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domingo, 23 de maio de 2021

Ilhas artificiais na Amazônia exigiram uma engenharia comparável às pirâmides do Egito

Urna funerária, cultura marajoara, ilha de Marajó, Amazônia
Urna funerária, cultura marajoara, ilha de Marajó, Amazônia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Chuvas intensas alagaram nestes dias (maio 2021) Manaus e mais algumas cidades nas ribeiras da rede fluvial amazônica.

A calamidade não é nova. Já aconteceu outros anos e até com maior intensidade em decorrência do extraordinário índice pluviométrico que caracteriza a região.

Nada de aquecimento global e outras teorias que aplicadas ao caso são bobagens risíveis.

Enquanto essa desgraça atingia a uma vasta população já acostumada ao fenômeno, o blog Mar sem fim publicava uma descoberta arqueológica que, como diz esse blog, revela o quanto a Amazônia ainda é desconhecida e pouco pesquisada.

O fato pode ser espantoso para quem não acompanha blogs como nosso, ou outros seriamente interessados nas riquezas da Amazônia, não só naturais mas históricas e culturais.

Mas acontece que pesquisadores estão desvendando na Amazônia obras de engenharia comparáveis às pirâmides do Egito.

Sim comparáveis pela sua dimensão e conhecimentos de engenharia!


Mais uma vez desmentem o mito dos índios amazônicos que em seu primitivismo seriam um produto natural da selva como uma flor de Loto que brota espontaneamente nas águas.

Pelo contrário, tudo leva a supor que são remotos descendentes de civilizações decaídas que existiram antes de espanhóis e portugueses chegarem.

Arqueólogo Márcio Amaral do Instituto Mamirauá
Arqueólogo Márcio Amaral do Instituto Mamirauá
São as ilhas artificiais da Amazônia: construções que exigiram saberes complexos em várias áreas do conhecimento.

Mais, foram erguidas nos períodos pré-colonial e colonial, no mínimo. Possivelmente, até muito antes disso, segundo acredita o arqueólogo Márcio Amaral, escreve Mar sem fim.

As ilhas artificiais quebram o mito de as populações indígenas serem extremamente limitadas em seus conhecimentos antes da chegada dos europeus.

“As evidências corroboram a teoria de que a Amazônia era densamente povoada. E formada por sociedades organizadas e muito complexas, antes da colonização”, diz Amaral.
Ele faz parte do grupo de arqueólogos do Instituto Mamirauá, que está à frente dos estudos.

Amazônia Pré-colonial - Boa Esperança 



Já foram descobertas 22 ilhas artificiais na região no Alto e Médio Solimões. Número que pode ser ainda muito maior, diante do tamanho da Amazônia, recolhe Mar sem fim de quem tiramos o essencial deste post.

Essas ilhas artificiais são apenas uma parte de um total de 250 sítios arqueológicos registrados em um quadrilátero de 180 mil quilômetros.

Desses, 65 mil quilômetros estão associados à distribuição das ilhas.

Elas são morros na realidade erigidos por civilizações multisseculares em várzeas para sobre eles construírem as aldeias abrigadas na época das cheias, aliás como a atual, acrescentamos nós.

Segundo a dinâmica de área, uma várzea costuma inundar ao menos seis meses do ano.

Cada uma tem entre seis e sete metros de altura acima do nível da várzea e a extensão varia de um a três hectares.

As ilhas artificiais são conhecidas pelos ribeirinhos como “aterrados”, que também as identificam como “construção de índio”.

Próximo a um aterrado sempre existe uma depressão, com dimensões em torno de 25 por 50 metros. São conhecidas pelos ribeirinhos como “cavados”.

Era desses locais que os saía a terra para a construção. “Ainda hoje tem muita gente que mora nos aterrados”, diz Amaral.

“Foi uma resposta complexa das antigas civilizações para sobreviver na época das cheias. E que não envolve apenas o método construtivo.”

Arqueólogos do Instituto Mamirauá identificaram 48 ilhas construídas por indígenas ao longo de 4 anos. 'Aterrado 21'. Imagem, Márcio Amaral
Arqueólogos do Instituto Mamirauá identificaram 48 ilhas
construídas por indígenas ao longo de 4 anos. 'Aterrado 21'. Imagem, Márcio Amaral
A construção, por si só, já indica a necessidade de cálculos avançados de engenharia, assegura.

“Uma das maiores ilhas artificiais tem largura de cerca de 220 metros na base e no topo mede 45 metros.”

Isso foi calculado para uma melhor distribuição do peso da terra, afirma Amaral, a fim de que as ilhas se sustentassem.

O próprio volume de terra movimentado já mostra a necessidade de muitas pessoas atuando com muita organização.

“Construir estruturas com essas dimensões, com milhares de toneladas de terra, e sem maquinário, é realmente surpreendente”, acrescenta.

As ilhas artificiais foram posicionadas em locais estratégicos, próximos a muitos recursos necessários à sobrevivência, como a oferta de proteína animal.

“Elas foram construídas ao lado de bocas de paranás e lagos. Locais com fauna rica e diversificada, com muitos peixes, quelônios e jacarés.”

O conhecimento dos ribeirinhos também indica, segundo Amaral, a existência de currais de quelônios (tartarugas e afins) nessas áreas.


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