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domingo, 21 de março de 2021

Prof. Molion: a expressão “desenvolvimento sustentável” é redundância ignara

Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion
Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Prof. Molion: “CO₂ controlador do clima global é hipótese absurda”



Alerta Científico e Ambiental – O Sr. tem sido um crítico ferrenho do alarmismo que envolve as questões referentes ao clima global, desde a década de 1980.

Esta é uma área em que, a despeito da pletora de evidências científicas em contrário, prevalece a visão catastrofista de que as emissões de carbono de origem humana estariam ameaçando causar um aquecimento descontrolado da atmosfera.

Pode-se fazer um paralelo com as discussões sobre a Amazônia, quase invariavelmente orientadas por premissas alarmistas?

Prof. Luiz Carlos Molion – A afirmação é que as queimadas na Amazônia contribuem para o aumento da concentração de CO₂ na atmosfera e para aquecimento global decorrente ou para as “mudanças climáticas”, expressão utilizada atualmente uma vez que os dados de satélite mostram que não houve aquecimento nos últimos 20 anos.

Os prognósticos alarmistas pretensamente resultantes do desmatamento sofrem do mesmo mal: resultados de MCG. (N.R.: = Modelos Climáticos Globais, projeções montadas em laboratório)

Na realidade, o clima da Terra varia por causas naturais e passa por períodos de aquecimento e de resfriamento.


Feira sobre a Tamisa congelada, fevereiro 1814.jpg
Feira sobre a Tamisa congelada, fevereiro 1814.
Por exemplo, as temperaturas já estiveram cerca de 4°C mais altas que às atuais há sete-oito mil anos de acordo com o artigo de Shaun Marcott e colegas em 2013, período conhecido como Ótimo do Holoceno, o interglacial que estamos vivendo.

O período Quente Medieval (900-1250 d.C.) foi seguido de um período frio, conhecido por Pequena Idade do Gelo (PIG) que durou até início do século XX, possivelmente, até 1915.

Entre 1916 e 1945, houve um aquecimento, bem documentado, em que as concentração e emissão de carbono pelas atividades humanas e pelo desmatamento eram muito pequenas.

Portanto, torna-se difícil atribuir esse aquecimento à concentração de carbono na atmosfera.

Paradoxalmente, entre 1946 e 1975, quando as emissões de carbono antrópicas aumentaram significativamente devido ao grande desenvolvimento industrial pós-guerra, o clima se resfriou.

O aquecimento desde 1976, e que possivelmente tenha terminado há 15-20 anos atrás, está sendo atribuído às emissões de carbono pelas atividades humanas, incluído aí o desmatamento de florestas nativas.

Porém, há grande probabilidade desse aquecimento recente ter tido causas naturais, como os 5% de redução da cobertura de nuvens global observada por satélites e a alta frequência de eventos El Niño que, reconhecidamente, aquecem o clima.

Em síntese, não há evidências científicas de que haja uma relação entre a concentração de carbono na atmosfera e a temperatura de superfície do Planeta.

Em adição, fica muito claro que o clima do planeta é extremamente complexo, depende de fatores internos e externos, e que o CO₂ não controla o clima global.

A participação do CO₂ no aquecimento global ocorrido entre 1976-2005 foi ínfima.

Portanto, reduzir emissões de carbono, como quer o Acordo Climático de Paris 2015, é inútil no que se refere ao impacto no clima global.

Alerta Científico e Ambiental – Essa percepção sobre uma visão catastrofista parece se estender até mesmo ao meio científico. Por que isto ocorre neste meio, que deveria primar pela objetividade?

Prof. Luiz Carlos Molion – Infelizmente, há colegas de profissão, reconhecidamente muito bem treinados nessa área do conhecimento, que conhecem as limitações dos argumentos em que se baseia a hipótese do aquecimento global antropogênico, tem ciência da complexidade do clima terrestre, estão convictos que o CO₂ não controla o clima global, mas que preferem ficar do lado da corrente predominante atual, a chamada mainstream, que não é científica e sim político-econômica, ditada por quem controla as fontes de recursos.

É claro que a maioria deles se beneficia por meio de aprovação de projetos de pesquisas, publicações de seus artigos em revistas de destaque, recebimento de premiações, destaque social entre as classes política e/ou administrativa, e outras benesses.

Outros adotam a hipótese com medo de perderem os seus empregos, como já vimos acontecer em outros países, como EUA e Austrália, ou serem ridicularizados ou mesmo pressionados por uma fração da sociedade.

As previsões catastróficas feitas nos últimos 30-40 anos não se concretizaram, nenhuma delas.

Com relação à ciência do clima, infelizmente, temos que acumular séries longas de observações para entender a sua tendência, isso leva tempo e, muitas vezes, não temos a frequência de amostragem e cobertura espacial necessárias para conhecer a fenomenologia.

A tendência do clima atual aponta para um clima relativamente mais frio, semelhante ao período de 1946-1975, em que, em média, os invernos eram mais rigorosos e algumas semanas mais longos, particularmente no Hemisfério Norte, reduzindo a estação de cultivo e prejudicando a produção de grãos e todas atividades que dependem dessa produção, como a produção de proteína animal.

Com o passar do tempo é que será demonstrado que a visão catastrofista não tinha base científica. Vamos esperar que não demore muito para que isso aconteça.

Alerta Científico e Ambiental – A maioria das propostas para a Amazônia, principalmente, as oriundas do movimento ambientalista e dos interesses políticos e financeiros que o sustentam, propõe que toda a região seja virtualmente “congelada” em seu desenvolvimento socioeconômico, sendo vedadas praticamente quase todas as atividades econômicas tradicionais, como a implementação de infraestrutura moderna, mineração, exploração de madeiras, indústrias etc.

Em troca, fala-se muito da chamada bioeconomia, a industrialização dos recursos da vasta biodiversidade da região.

Como o Sr. vê esta questão?

Prof. Luiz Carlos Molion – Com o aumento da população global esperado para as próximas duas décadas, 9 bilhões de habitantes, e considerando os cerca de 25 milhões de habitantes já existentes na região, a Amazônia não poderá permanecer intocada, à margem desse desenvolvimento social e econômico por vir.

E todos concordam em que a dificuldade é se definir um conjunto de estratégias de desenvolvimento regional que seja distinto dos que têm sido utilizados até agora.

Não gosto da expressão “desenvolvimento sustentável”, acho pleonástica.

Todo desenvolvimento obrigatoriamente tem que ser sustentável, do contrário, é destruição e não desenvolvimento.

Utilizar a fantástica biodiversidade da região é uma das estratégias, que vai desde extração de substâncias químicas, farmacêuticas e cosméticas produzidas pelas plantas até a utilização de microrganismos, sobre os quais o conhecimento atual é praticamente zero.

É possível, sim, explorar as reservas minerais.

Países desenvolvidos, que dependem do carvão mineral como fonte de energia, como a Alemanha, exploram o carvão e, uma vez a mina esgotada, se faz a recuperação ambiental local.

Na Amazônia, esse tipo de operação pode ser mais complexa, mais cuidadosa, porém, é factível.

Florestas “geométricas” para a produção de madeira podem ser implantadas dentro da própria cobertura florestal, obviamente, alimentando-se as árvores plantadas com nutrientes/ insumos agrícolas.

Óleos vegetais de palmáceas nativas, como buriti, ou de dendê cultivado em área degradadas recuperadas, podem ser utilizados como combustíveis renováveis, uma vez que o motor diesel queima qualquer tipo de óleo vegetal sem necessidade de modificação.

Algumas rodovias, certamente, devem ser implantadas onde sejam necessárias e onde haja condições de terreno e ambientais propícias para tanto, procurando sempre, prioritariamente, conservar os solos.

É possível, por exemplo, se estabelecer a ligação entre municípios sem o uso de rodovias ou rios.

Atualmente, se dispõem de balões dirigíveis, como o “Airship LMH-1” (P-791), com capacidade de carga de 21 toneladas mais 19 passageiros e dois tripulantes, se deslocando a uma velocidade de 140 km/h, que pousa e decola em qualquer tipo de terreno.

Esses só alguns poucos exemplos.

Certamente, desenvolver a Amazônia é uma necessidade e esse, sem dúvida, é um grande desafio!

FIM


Um comentário:

  1. A Amazônia está fora de um mundo ignorante do valor desta FORÇA ENERGÉTICA.
    Adorei as considerações sobre o alerta científico e ambiental.
    Obrigada PROFESSOR .

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