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domingo, 23 de junho de 2019

Dalai Lama na ECO-92: um 'papa' do deus imanente da anti-ordem 'verde'?

Em torno do Dalai Lama dizia-se que ele era o Papa 'da outra metade do mundo'. A bem dizer da metade inferior, ou abismos infernais. Assim representou melhor o deus da nova religião comum da Terra.
Em torno do Dalai Lama dizia-se que ele era o Papa 'da outra metade do mundo'.
A bem dizer da metade inferior, ou abismos infernais.
Assim representou melhor o deus da nova religião comum da Terra.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: ECO-92: o materialismo panteísta para o mundo ecológico




Mas ainda haveria de chegar uma espécie de pontífice supremo dessa confusão. Deu-se com a chegada do Dalai Lama, às 6.h45.

O Dalai Lama, foi hóspede do Cardeal-arcebispo de Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales.

Por sua parte, Dom Eugênio tinha celebrado uma “High Ecological Mass”, na plataforma do Cristo Redentor, pelo sucesso da Rio-92, na presença do governador e do prefeito da cidade.

Na ocasião, o arcebispo relembrou que “Deus confiou este mundo ao homem não para explorá-lo” crítica velada à agropecuária explorada também na encíclica ‘Laudato si’ do Papa Francisco (“High Ecological Mass at the Christ statue”, Jornal do Brasil, english edition, 1/6/92).

A chegada do Dalai Lama teve conotações de entronização de uma espécie de pontífice da grande força cultuada por tais religiões: a Mãe Terra, ou Gaia, ou Pachamama.

A Enciclopédia Espasa-Calpe, vol XXIX, no verbete lamaísmo, define essa prática como uma

“forma muito corrompida do budismo indiano (...) e grande número de práticas e superstições essencialmente mágicas, que conservaram sempre uma influência predominante. (…) Segundo Goden: “é quiçá a religião mais supersticiosa e sacerdotal do mundo” (in Studies in the religion of the east, Londres, 1913).”

Naturalmente, lhe cabia presidir aquele caldo de cultura.

O líder do lamaísmo tibetano afirmou, numa crítica indireta aos chefes de governo, que “só a paz de espírito pode levar a um futuro luminoso e que, sem afeto, não há sobrevivência.” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).

O presidente dos EUA assina um painel simbólico.
O presidente dos EUA assina um painel simbólico.
No amanhecer os presentes veneraram o Sol, fonte da Vida e da energia.

O músico New Age Paul Winter entoou a canção “Wolves Eyes” (“Olhos de Lobos”) imitando o uivo dos lobos, e convidou os ali reunidos para uivar em comunhão, como esses animais no amanhecer.

Elevou-se então um clamor que ele acompanhou com a música “Coro Uivo-Alleluia” (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

Dom Helder Câmara recitou uma poesia em louvor da Terra, um xeque maometano leu trechos do Corão, e um índio americano tocou sua flauta em louvor da natureza, etc.

O Dalai Lama entrou em meio ao frenesi da assembleia, enquanto seguidores do Ananda Marga — religião de autorrealização e serviço à Humanidade, por meio da alimentação vegetariana, meditação transcendental e exercícios especiais — com túnica e turbantes cor de laranja, recitavam um mantra que significa “o amor existe”.

O chefe tibetano do tantra-yoga dançou o Hava Naguila, música judaica.

O Dalai Lama formulou uma oração sobre a oecumene alí reunida, em tibetano, pedindo, porém, que ficasse secreta. E recomendou a todos, incluso os ateus:

“É preciso compaixão e espiritualidade. E isso pode ser conquistado mesmo se não tivermos uma religião específica” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, id. ibid.).

No fim, todos os presentes, incluindo índios xavantes, com os braços em alto e balançando os corpos, se confundiram numa só massa ondulante.

Enquanto isso o grupo Homem de Bem, combinando ritmos brasileiros e mantras indianos, puxava a canção “Hare Krishna” (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

“De acordo com os organizadores, a Vigília das Religiões do Mundo — Um Novo Dia para a Terra, foi a maior confraternização ecumênica da história da Humanidade. (...)

A atriz Jane Fonda e Ted Turner, fundador da CNN, subscrevem mensagem ecológica. A Revolução Cultural engajou suas figuras mais ardidas contra o cristianismo.
A atriz Jane Fonda e Ted Turner, fundador da CNN, subscrevem mensagem ecológica.
A Revolução Cultural engajou suas figuras mais ardidas contra o cristianismo.
“Esse mutirão da fé, — informou O Estado de S.Paulo — dedicado a irradiar energias em favor do planeta, foi capaz de reunir desafetos por tradição e substituir o proselitismo pela fraternidade. (...)

“A parte as distinções entre os ritos e os idiomas, divulgava-se em cada canto a mesma mensagem [:] O homem deve procurar viver em harmonia com a natureza, de forma a encontrar a paz e a transcendência espiritual” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, id. ibid.).

Essas religiões quiseram mostrar que se intercomunicam e formam um bloco religioso inter-ecumênico do qual o Dalai-Lama, guia supremo do budismo tibetano, religião inficionada de ocultismo e satanolatría, foi o símbolo e o máximo representante.

Eis a religião ecológica se projetando para o futuro no caos e na ilogicidade.

Do lado de fora, membros da Assembleia de Deus, templo de Nova Vida, presbiterianos, batistas, metodistas e maranata, fizeram seu próprio festejo.

Não participaram do lado de dentro porque, segundo disseram: “essa vigília tem um cunho panteísta”.

A imprensa os ridicularizou embora apontassem a essência dessa pan-religião precursora de um movimento mundial e de um Sínodo que haveria de vir e cuja radicalidade nem podia se suspeitar (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).



Vídeo: Eco-92 anunciou o panteísmo de base do secessionismo pan-amazônico





domingo, 16 de junho de 2019

Potentados do mundo impulsionaram a utopia pan-amazônica na ECO-92

O senador Al Gore, líder da delegação oficial,
'por baixo' promovia a assembleia das ONGS mais radicais.
A seu lado John Kerry, futuro Secretário de Estado de Obama
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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continuação do post anterior: ECO-92 revelou o materialismo panteísta para o mundo ecológico



A heteróclita e caótica vigília ecumênica na noite de 5 para 6 de junho no aterro do Flamengo na ECO-92 soava para além de confusa e anti-religiosa para quem leva a religião a sério.

Mas, como comentou o Jornal do Brasil, lá era “tudo muito ecológico dentro do espírito de Rio-92” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).

Com efeito, essa visão místico caótica regada a cantoria, droga, dança e ecumenismo religioso estava muito de acordo com o que prega a Ecologia.

O ecologismo nega o papel da razão, embora se apresente sob uma aparência científico-racional para nós “viciados” no raciocínio.

Ele professa uma espécie de filosofia anti-filosófica que lhe serve de suporte. Encontra-se em diversas escolas, desde o estruturalismo de Lévi-Strauss até na assim chamada deep-ecology.

Fidel Castro sublinhou que a revolução ecológica vinha a completar as velhas metas do marxismo ortodoxo
Fidel Castro sublinhou que a revolução ecológica vinha a completar
as velhas metas do marxismo ortodoxo
Ela defende que existe um pensamento – uma mente, no fundo tida como divindade – subjacente na natureza que a razão não consegue pegar. Até atrapalha.

Essa mente divina difusa na terrenal matéria constitui a própria Vida da venerada Gaia, a Mãe Terra ou Pachamama.

Somente quem captar e fazer seu esse sentir místico qualquer que seja seu credo, perceberá essa energia ou impulso subjacente na matéria: a anti-ordem pan-psíquica de Gaia.

Aparece assim uma pan-religião universal. A ecologia converge com ela.

Emerge então uma ordem de coisas na qual a razão não tem mais valor, e o que vale é apenas a mística que se experimentou na Vigília.

O mago e escritor Paulo Coelho estava ali participando daquilo que ele chamou de Woodstock espiritual.

Enquanto recebia abraços energéticos dos seus seguidores, exclamou: “Dessa vez, os corações estão puros e sintonizados”.

Cantoras e atrizes brasileiras se espalharam pelas tendas Zen e bramânicas ou do Santo Daime, pois estavam abertas para qualquer um de qualquer religião.

As religiões se interligavam e atuavam como uma só e suprema religião, comum nas suas raízes a todos: a veneração da experiência das forças que agem ocultamente na natureza.

No Aterro do Flamengo, líderes espirituais, indígenas e carnavalescos rumo à fusão panteísta
No aterro do Flamengo, líderes espirituais, indígenas e carnavalescos rumo à fusão panteísta
Desde sua barraca, os espíritas seguidores de Alain Kardec, concentraram-se em “orações e irradiações”.

Essas deveriam servir para entrar em contato com os inumeráveis “espíritos desencarnados” que, segundo eles, “habitam diferentes planos nas imediações do planeta” e que estariam envolvidos nas mudanças ambientais.

Eles pregavam também a “cooperação com todas as religiões e o fim da discriminação racial e de credo” (“Espíritas fazem orações no Aterro”, O Estado de São Paulo, 6/6/92).

Os participantes tornavam realidade uma total interconfessionalidade. Eles davam a entender que para o mundo novo que se definia no Fórum Global, haveria uma religião nova, única, sem barreiras e sem fronteiras, com um modo novo de ser religioso.

“No meio da noite, nada mais natural do que o rabino Zhalman Shachter de uma sinagoga da Filadélfia, visitar na tenda 11 à mãe-de-santo [espécie de sacerdotisa] Estela, do candomblé, com quem conversou animadamente (...)

“E ninguém se surpreendeu quando os freis franciscanos Adelmo Francisco e Rodrigo Peret passaram na tenda dos budistas para assistir a uma sessão de meditação.

“« É linda essa pluralidade religiosa », admitiu Frei Adelmo, integrante do Centro de Defesa dos Direitos da Natureza de Ipatinga (MG).

Grupos aparentemente heterogêneos sintonizaram com o velho panteísmo como sob efeito de uma vareta mágica.
Grupos aparentemente heterogêneos sintonizaram com o velho panteísmo
como sob efeito de uma vareta mágica.
“« O mundo é livre. Se o Papa vem ao Brasil, por quê o Dalai Lama não pode vir também? », indagou Frei Rodrigo. (...)

“Até os judeus abriram espaços para fiéis de outras crenças quando formaram uma roda e ensaiaram passos de uma dança, ao som de salmos.” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).

Simultaneamente, no Riocentro, as delegações governamentais mal conseguiam chegar a um acordo em pontos básicos, como as Convenções sobre a Biodiversidade e do Clima.

Eles representavam o mundo velho organizado, racional, que os pan-ecumênicos do aterro do Flamengo diziam condenado a desaparecer.
Mas na anarquia mística da vigília, “o entendimento entre os povos que os organizadores tanto esperam das reuniões oficiais da Rio-92, acabou acontecendo na madrugada de ontem, no Parque do Flamengo, território das ONGs, responsáveis pelo Fórum Global. (...)

“Judeus e muçulmanos, católicos e protestantes, espíritas e messiânicos, Santo Daime e Hare Krishna superaram suas rivalidades” escreveu um grande cotidiano de Rio de Janeiro (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).


Continua no próximo post:


domingo, 9 de junho de 2019

ECO-92 revelou o materialismo panteísta da utopia ecológica

Num cenário caótico, os potentados do planeta deram o empurrão de partida rumo a um mundo anárquico e panteísta agora proposto pelo Sínodo Amazônico
Num cenário caótico, os potentados do planeta deram o empurrão de partida
rumo a um mundo anárquico e panteísta agora proposto pelo Sínodo Amazônico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Os velhos papéis por vezes armazenam segredos que folhados muito depois nos surpreendem. Tal vez isso inspirou ao famoso historiador francês G.Lenotre a escrever uma obra referencial sobre a Revolução Francesa: “Velhas casas, velhos papeis” (“Vieilles maisons, vieux papiers”, Tallandier, Paris, 2013).

Hoje temos a Internet e seus bancos de dados. E foi assim que para surpresa minha e, creio, para a do leitor, achei documentos surpreendentes para compreender o fundo do que se está falando do Sínodo Pan-Amazônico.

Esse Sínodo ostenta a intenção de gerar uma igreja nova adaptada à cultura ecológica, que na sua integridade seria praticada pelos “povos originários”, nativos ou indígenas das selvas amazônicas.

Notadamente, adotaria e consagraria o ideário religioso que eles praticariam de forma modelar para nós, homens desnaturados pela civilização e pela Igreja hierárquica bem ordenada segundo os ensinamentos de Jesus Cristo.

Olhando com atenção, nesse ideário dos “povos originários” só há um muito pobre amontoado de superstições que nem os coitados dos indígenas sabem explicar direito.

O “ensinamento ancestral” da religião ecológica com suas elucubrações complicadas é uma criação de ideólogos escolados em grandes universidades e seminários dos países colonizadores.

Como e onde apalpar esse ideário?

Pois, nada de melhor que ir ao próprio momento histórico em que ele foi revelado aos não-iniciados: na famosa ECO-92. Também chamada de Cúpula da Terra, foi realizada no Rio de Janeiro com a maior concentração de chefes de Estado e governo até então vista.

Até Fidel castro fez questão de comparecer na Eco-92e cantar a morte da era capitalista
Até Fidel castro fez questão de comparecer na Eco-92
e cantar a morte da era capitalista
Contou também com um exuberante comparecimento de ONGs radicais e chefes místico-religiosos.

Esse imenso conjunto hoje é tido como o momento fundacional da grande revolução verde a nível de governos, IPCC incluído, e fonte de inspiração e referência histórica para os utopistas do Sínodo Pan-amazonico.

E eis o que encontrei. Acrescido das minhas impressões pessoais na época, pois participei inscrito como cidadão observador das atividades, especialmente ao aterro do Flamengo, onde se reuniam essas ONGs que preparavam um futuro verde para o mundo.

Quer dizer, o nosso presente agora.

Nova religião ecolo-panteísta emerge em vigília ecumênica

Na noite de 4 para 5 de junho de 1992, patenteou-se ante mim um dos aspectos centrais do mundo novo largamente partilhado pelos participantes da vertente radical das ONGs ativas na Cúpula da Terra.

Com efeito, naquela noite ocorreu uma vigília ecumênica no aterro do Flamengo sob o lema “Um novo dia para a Terra - Vigília Inter-fés e Celebração”.

Nela predominou a liderança das novas religiões integradas na natureza sem teologia e sem hierarquia.

I. é., de religiões que não deduzem, por via racional, um corpo de doutrina sistematizado, a partir de uma Revelação. Portanto, não aplicam o esforço da razão para formular seu pensamento religioso.

Antes bem se assemelham a meros rituais fetichistas, com confusas intuições de fundo religioso por trás.

Para este misticismo sem base racional, a religião consistiria no sentir humano, alimentado pelas percepções acontecidas durante rituais que fazem emergir forças escuras que habitariam as profundezas da terra.

Excetuada a presença do arcebispo emérito de Olinda e Recife Dom Helder Câmara e do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, Dom Luciano Mendes de Almeida, não houve representação oficial de figuras significativas das Igrejas históricas.

A vigília ecumênica da ECO-92 comemorou a nascente pan-religião ecológica e a morte das religiões organizadas
A vigília ecumênica da ECO-92 comemorou a nascente pan-religião ecológica
e a morte das religiões organizadas
A participação dominante foi de seguidores de aquilo que se insinuou como a religião nova, ecumênica, ritualista, toda feita de eflúvios, de passes energéticos, de “carismas”, que deveria animar à nova ordenação ecológica, leia-se caos, do Planeta.

Representantes de cada uma das religiões engajadas, subiram no palco do grande anfiteatro aberto do Aterro do Flamengo, “para atrair a presença do divino ao local” (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

Com esse intuito promoveram “fazer orações, ler textos sagrados ou simplesmente cantar” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, Jornal do Brasil, 6/6/92).

As intervenções individuais foram precedidas pela execução do dirjiridoo (Jornal do Brasil, id. ibid.), instrumento dos aborígenes australianos, símbolo do sentimento religioso básico, primordial, inteiramente natural, despojado de qualquer roupagem institucional.

A participação a título pessoal de religiosos católicos — já então engajados numa pastoral ecológica e muito ligados à Teologia da Libertação — esteve cheia de consequências, pois, como observou o cotidiano O Estado de São Paulo:

“A influência verde sugere profundas modificações doutrinárias na Igreja Católica.

“Inspirados nos ensinamentos do Gênesis, os líderes católicos disseminaram por séculos uma crença antropocêntrica em que o homem figura como dono e senhor da natureza.

A nova tendência tem como norte a comunhão com a natureza” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, O Estado de São Paulo, 6/6/92).

Só faltou ao jornal paulista anunciar o Sínodo Pan-amazônico que então nem se imaginava.

“Por volta das 2h, os grupos foram para suas tendas e iniciaram suas celebrações”.

As tendas foram distribuídas entre as várias dúzias de religiões presentes. Nelas, cada uma praticava seus rituais, meditações, danças, magias ou passes energéticos.

“Na tenda dos católicos houve missa celebrada por dom Luciano, orações da Renovação Carismática pelo fim da poluição atmosférica e invocações a São Francisco de Assis, o protetor dos animais. (...)

“Os judeus dançaram e cantaram segundo suas tradições, sob o comando do jovem rabino Nilton Bonder.

“Uma das tendas mais animadas era dos Hare Krishnas.” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, Jornal do Brasil, 6/6/92).

Desde 1992 reuniões anuais congregam governos, potentados, 'místicos' e ONGs para apressar o plano 'verde' da ECO-92
Desde 1992 reuniões anuais congregam governos, potentados,
'místicos' e ONGs para apressar o plano 'verde' da ECO-92
Numa superlotada tenda, os adeptos do Santo Daime, religião que baseia seu culto naturalista na ingestão coletiva de um alucinógeno — ayahuasca — preparado com vegetais da Amazônia.

Sob o efeito da droga, os adeptos dançaram maquinalmente ao som de hinos que combinavam palavras evangélicas e melodias populares do Nordeste do Brasil.

Verificaram-se baixas entre eles por excesso de entorpecente, o qual era servido com fartura (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid.).

O Daime — informou O Estado de São Paulo — seduz os ecologistas pela doutrina naturalista, pela liturgia simples expressa nos símbolos da mata.

“« O Daime é só natureza, um culto que ensina a harmonia e faz mais feliz quem o pratica », dizia a fotógrafa Gilda Vianna” (“Dalai Lama dança Hava Naguila em encontro”, id. ibid.).

Bruxas e bruxos do candomblé — culto afro-brasileiro condenado tradicionalmente pela Igreja Católica, por causa dos seus lados satanolâtricos — bailavam na sua tenda “em tributo à natureza, representada pelos orixás [espíritos de características demoníacas]”.

“« Alimentamo-nos da natureza e se a compreendemos torna-se possível fazer o mundo mais limpo », afirmava o babalorixá [feiticeiro] Joaquim Mota” (id. ibid.).

“Na tenda do candomblê, babalorixás e ialorixás confraternizavam e cantaram em louvor de Xangô, o orixá das forças da natureza” (“Religiões celebram a paz e fraternidade”, id. ibid).

Sacerdotes católicos se misturaram com eles, pese à posição oficial da Igreja Católica (“Vigil brings diverse religious groups together in prayer”, IPC #96, 5/6/92).

A droga corria como um dom “místico”, a alucinação coletiva ecológica e pan-eclesial começava. É esse o ecumenismo em sua plenitude?

Porém, era só preparação. O mais secreto estava para vir. Vermos isso num próximo post.


Continua no próximo post:


domingo, 2 de junho de 2019

Da revolta contra a dor animal
à extinção do ser humano

O culto igualitário dos animais até peçonhentos prepara a extinção da humanidade
O culto igualitário dos animais até peçonhentos prepara a extinção da humanidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Continuação do post anterior: “Direitos dos animais”: paroxismo verde da “cultura da morte”



A sociologia marxista inoculou no cerne do espírito moderno a inconformidade, o horror e a revolta contra a dor. E em primeiro lugar, uma revolta contra a dor humana.

É claro que é bom diminuir a dor tanto quando possível por meio da medicina ou outro recurso cabível.

Num segundo grau, com o pretexto de combater a dor, apareceram materialistas que para evitar a dor postularam o pecado, até nas suas formas mais cruéis. Algo típico é a limitação da natalidade para evitar a dor.

Pelo pecado de Eva a mulher gera na dor. Deus disse “darás à luz teus filhos com dor”. Toda atenuação é boa obtida moralmente pela medicina, mas sempre fica um fundo de dor.

Os mesmos materialistas não ficam por ali. Dando mais um passo, eles avançam até o ponto de se revoltar contra a dor animal pelo que ela tem de parecido com a dor humana.

De exagero em exagero, eles acabam aplicando no animal o slogan da revolução anarquista de Maio de 1968: “é proibido proibir”.

Quer dizer deixar que o animal faça o que seus instintos comandam e que o homem não lhe ponha limite algum. Por que? Para que o bicho mesmo danoso não sofra dor nenhuma da parte do homem.

Então o homem, a quem se diz dar liberdade sem limites, fica proibido de proibir os animais mesmo os mais perigosos. O javali destrói as culturas, mata homens, etc.? Ninguém deve proibir, é sua natureza...

Na sede mundial da UNESCO foi feita a apresentação da Declaração Universal dos Direitos dos Animais em 15-10-1978
Na sede mundial da UNESCO foi feita a apresentação
da Declaração Universal dos Direitos dos Animais em 15-10-1978
Aparece assim a anarquia onde deveria haver a ordem, e de outro lado, a tirania onde deveria haver a liberdade.

Na utopia comunista não haverá governo de um homem sobre outro homem, de um pai sobre um filho, de um maestro sobre um aluno, de um patrão sobre o operário.

No cerne dessa liberdade desregrada aparece uma tirania filosófica e policial que impedirá o homem de usar o animal para matar sua própria fome.

De um inocente detido num cárcere se diz: “coitado, se pudesse tirar, é uma injustiça”, e está perfeito.

Mas é desequilibrado dizer: “pobre passarinho, preso nessa gaiola, eu me indigno, pobre passarinho teria direito à sua liberdade, se eu pudesse eu abriria essa gaiola...”.

O passarinho não percebe de modo algum a gaiola, e não é sensato falar dele como se fosse um homem inocente detido sem justa causa.

Não faz sentido ter a mesma compaixão pelo animal como se tem com o homem.

Alguém objetará: “mas dr. Plínio, o senhor há pouco o senhor elogiava os rapazes que dão comida aos passarinhos e se deliciava com os passarinhos comendo uma geleia!”

A resposta é: isto é muito diferente: eu posso fazer bem a um animal, posso lhe fazer cessar a dor, mas é apenas por essa espécie de bondade que significa manter as coisas criadas por Deus na ordem posta por Deus.

Não é que eu vá querer o passarinho como quereria uma criança. Evidente.



A Declaração Universal dos Direitos dos Animais apresentada na UNESCO prossegue:

Todo animal escolhido pelo homem para companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural.

Ativistas radicais verdes aplicam os postulados algo filosóficos da Declaração Universal dos Direitos dos Animais
Ativistas radicais verdes aplicam os postulados algo filosóficos
da Declaração Universal dos Direitos dos Animais
É um charabiá: o homem tem um cachorro e então é obrigado a dar condições para que o cachorro viva a duração natural de um cão.

E se o homem não tem o dinheiro para isso? Ele é obrigado a se privar para atender o cachorro? Se solta o cachorro, é crime.

Sabem qual é o resultado? Nenhum homem mais vai querer ter cachorro.

E quem perde com isso ainda são os cachorros. Porque uma coisa é querer ter um cachorro em casa, outra coisa é admitir uma espécie de filho com polícia ‘verde’ atrás.

Admite o cachorro e atrás dele entra a polícia ambientalista para ver se está tratando bem do cachorro. Para não ter polícia, não quero cachorro. A polícia que elimine seus cachorros.

Todo animal utilizado em trabalho tem direito a uma limitação razoável da duração de trabalho e de uma intensidade desse trabalho com alimentação reparadora e repouso...

Oito horas de serviço... Eu estou certo de que quando os senhores se levantaram hoje, não imaginavam ouvir um absurdo desses.

Com esses critérios, haverá uma regulamentação para canários, para animais de carga, para tudo. E o bicho passa a ser o pesadelo do homem.

Se param de experimentar remédios em animais, o que será do homem?
Se param de experimentar remédios em animais,
o que será do homem?
Isso dá no que eles querem: a proclamação da independência do bicho em relação ao homem. Revolução Francesa na ordem da vida. Está lógico, está claro.

A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade.

Há inúmeras doenças que se curam porque os laboratórios fizeram experiências prévias, prudenciais, em animais. O animal assim é utilizado para salvar a vida do homem.

Mas segundo a declaração apresentada na UNESCO, isso passa a ser proibido. Acaba-se com as cobaias, se acaba com qualquer experimentação animal. O homem que sofra como quiser, a cobaia tem o direito dela à vida.

Quando a coisa chega a esse ponto, qualquer resquício de bom senso deixa de existir.

Todo ato que implique morte desnecessária de um animal, constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Artigo 12. Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie.

Então, matar um grande número de animais selvagens ou matar um grande número de homens, é um crime do mesmo gênero.

13. O animal morto deve ser tratado com respeito.
Crema-se hoje o homem; e o animal tem que ser tratado com respeito.

As crianças abortadas são jogadas na lata de lixo e ninguém providencia nada; o animal precisa ser tratado com respeito.

Outdoor na via pública contra comer carne, Überherrn, Saarland, Alemanha. .Acima: 'Comer carne deteriora o clima'. Embaixo:'Homens, não comam carne!'
Outdoor na via pública contra comer carne, Überherrn, Saarland, Alemanha.
.Acima: 'Comer carne deteriora o clima'. Embaixo:'Homens, não comam carne!'
Quem jogar um gato no lixo vai para a cadeia; quem jogar o filho no lixo não tem nada.

Essa declaração bastante abstrata tem desenvolvimentos concretos promovidos pelas famosas ONGs – organizações não-governamentais.

Uma delas chegou a formular umas novas Tábuas da Lei com 10 mandamentos verdes:

É uma paródia blasfema apresentar 10 mandamentos como se fossem os 10 mandamentos da Lei de Deus.
1. Ama a Deus sobre todas as coisas e a natureza como a ti mesmo

2. Não defenderás a natureza em vão com palavras, mas por teus atos.

3. Guardarás as florestas virgens, pois tua vida depende delas.

Então, os desbravadores dos sertões, os bandeirantes, foram grandes celerados. Compreende-se perfeitamente a antipatia visceral do ambientalismo e comuno-tribalismo contra o agronegócio..
5. Não matarás.

O “não matarás” aqui é genérico. Não se refere especificamente aos homens. Não matarás nada do que é vivo, animais e plantas inclusive.

Então, nasce uma pergunta: um dia, do que viverá o homem?

6. Não pecarás contra a pureza do ar, deixando que a indústria suje o que a criança respira.
Cada vez que um homem expira emite CO2 para o ar. E, portanto, inclusive a respiração de uma criancinha, estraga o planeta.

7. Não furtarás da terra sua camada de húmus, raspando-a com o trator, condenando o solo à esterilidade.

8. Não levantarás falso testemunho dizendo que o lucro e o progresso justificam teus crimes.

9. Não desejarás para o teu proveito que as fontes e os rios se envenenem com o lixo industrial.

Quer dizer, o lucro e o progresso não justificam que o homem atue sobre a natureza.

10. Não cobiçarás objetos e adornos para cuja fabricação é preciso destruir a paisagem; a terra também pertence aos que ainda estão por nascer.

O que outrora teria parecido doidice hoje é exigido nas grandes capitais
O que outrora teria parecido doidice, hoje é exigido nas grandes capitais
Associação Paulista de Proteção à Natureza.

Há uma pergunta: micróbio é ou não é animal? E o antibiótico, como é?

E quando a gente para exterminar os germens da doença num ambiente manda jogar sprays que esterilizam o ambiente? Isso é ou não é crime?

Para concluir: se o homem não utiliza a planta e o animal, onde vai acabar?

Há duas saídas possíveis: primeiro o homem se alimentar de pastilhas minerais. Isso dá numa civilização monstruosa, em que o homem só come pela manhã uma pastilha e depois mais outra. Todas feitas exclusivamente de minerais.

A outra possibilidade está na linha do tribalismo: é o homem utilizar cada vez menos das coisas da natureza. E, levado por uma religião meio hipnotizante, chegar à extinção gradual do gênero humano.

O nascimento vai se tornando cada vez mais raro, as pessoas mais débeis, até que de decadência em decadência se chegue ao fim do gênero humano.

Assim se efetivaria o pior dos genocídios! Por que?

Para poupar os animais e as plantas, os homens se suicidaram.

Morreram do que? Do pecado de ateísmo, do pecado de igualitarismo.

A declaração publicada na UNESCO proclama uma religião nova que entra: a da extinção do homem.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos resumidos de palestra pronunciada em 8.11.78. Sem revisão do autor)


domingo, 26 de maio de 2019

“Ódio teológico” na apologia ambientalista dos “povos originários” de América

O presidente eco-comunista do México Andrés López Obrador quis ser investido em cerimônia de “povos mexicanos originários”.
O presidente eco-comunista do México Andrés López Obrador
quis ser investido em cerimônia de “povos mexicanos originários”.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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O novo presidente do México Andrés Manuel López Obrador, alinhado os regimes socialo-comunistas da família Castro, de Maduro e de Ortega exigiu que a Espanha pedisse perdão pela evangelização e civilização do seu país, alegando crimes contra os “povos mexicanos originários”.

O ponto de partida da exigência é um velho sofisma desenvolvido pela Teologia da Libertação e que mais recentemente foi remoçado pelo missionarismo comuno tribal e seu sócio o ambientalismo radical.

Em síntese, o sofisma diz que a Cruz de Cristo e a Civilização Cristã arrancaram os indígenas, ou “povos originários”, de sua mística integração na natureza e extirparam suas crenças – idolátricas, sanguinárias e até canibais – produzindo um desgarramento na Mãe Terra, também chamada Pachamama ou Gaia.

Mas López Obrador não imaginou a vergonha que iria passar e o desnudamento de seus erros nas respostas que recebeu da Espanha.

No quotidiano “ABC” de Madri, o premiado escritor Juan Manuel del Prada pôs em evidência que a atual propaganda de uma mitificada vida tribal integrada no meio ambiente resulta apenas de um “ódio teológico”, voltado contra o cristianismo e a civilização.

A expressão “ódio teológico” é o nome dado ao furor e à ira gerados por controvérsias envolvendo teologia. A expressão também descreve disputas não-teológicas de natureza rancorosa. Cfr. Wikipédia, “Odium theologicum”.

Sacrifício incruento da Santa Missa: o culto verdadeiro a Deus na Igreja verdadeira colide com os ritos pagãos de inspiração demoníaca
Sacrifício incruento da Santa Missa:
o culto verdadeiro a Deus na Igreja verdadeira
colide com os ritos pagãos de inspiração demoníaca
típicos dos “povos originários”
Trata-se de um ódio religioso que apela à violência porque não só é verbal ou intelectual, mas em muitas ocasiões passa à agressão física, incluindo o extermínio e a perseguição judicial, com destaque para seu caráter rancoroso e a utilização de recursos de baixa política, segundo registra o verbete em espanhol da Wikipédia “Odium theologicum”.

O premiado escritor que citamos destaca que tirar os pobres indígenas da situação miserável de ignorância e crueldade na vida da selva constituiu “o maior avanço civilizador da história da Humanidade”.

O espírito evangelizador e civilizador se funda no fato que Deus fez que todos os homens fossem descendentes de um mesmo casal, fato que os irmana.

E, depois, ter enviado Seu Filho encarnado para se passear entre os homens cuja carne, sangue e alma partilhava enquanto descendente desse casal.

Por fim, o mesmo Jesus Cristo legou ao Papa seus direitos com a obrigação de levar seus ensinamentos a todos os povos, para que esses atingissem a plenitude de bem possível nesta Terra, e depois a bem-aventurança eterna.

Essa ideia de unidade de todos os homens é a pedra básica que fundamenta o Direito, o respeito dos todos os direitos dos homens e a Justiça bem entendida.

Mas essa ideia não existia nos endeusados “povos originários” da América.

O que vigorava neles era bem o contrário: hediondos crimes massivos e sacrifícios humanos.

Exemplo arquetípico foram os cometidos pelos astecas sobre dezenas de milhares de seres humanos com objetivos adivinhatórios, mágicos e de escravidão.

Estrutura de caveiras do Gran Tzompantli da antiga Tenochtitlán inclui de mulheres e crianças sacrificadas à Mãe Terra. Foto: National Geographic
Estrutura de caveiras do Gran Tzompantli da antiga Tenochtitlán
inclui de mulheres e crianças sacrificadas à Mãe Terra. Foto: National Geographic
Veja mais em Pirâmides macabras no México e o juízo bíblico dos deuses pagãos: “são demônios”

O escritor dá numerosos exemplos da preocupação dos reis espanhóis pelo bem dos indígenas e pela punição dos abusos cometidos cá e lá contra eles. Poderíamos falar ainda do bem feito pelos reis portugueses.

É inevitável então que López Obrador apele ao “ódio teológico”, por ira ou ódio resultantes de querelas teológicas, ou de disputas não-teológicas de natureza rancorosa, e de modo visceralmente anticientífico.

E, acrescenta Juan Manuel del Prada, o esquerdista presidente mexicano responsabiliza por igual à Igreja à Espanha repetindo os arcaicos estereótipos da Lenda Negra onde só se acha mais ódio teológico, hoje também ecológico contra a divina religião de Jesus Cristo.

Mais uma vez, o Portugal e nossos indígenas, especialmente os da Amazônia são encaixados nessa propaganda anticristã.

A religião do Evangelho transmitida por heroicos missionários e conquistadores “liberou” os “povos originários” de Montezuma e seus sacerdotes.

Quer dizer desses “bondosos selvagens” que arrancavam os corações ainda batendo e bebiam o sangue que faziam jorrar das carótidas de suas vítimas.

A também escritora Maria Luísa Cruz Picallo, em ‘Carta aberta a López Obrador’ no mesmo “ABC”, após enunciar os bens que o catolicismo dos Papas derramou com mãos largas sobre a Espanha, especialmente liberando-as do fanatismo maometano, acaba patenteando que os alegados quiméricos do presidente esquerdista só se entendem em função de um ódio ideológico preconcebido.

Presidente eco-comunista mexicano quis bastão de mando indigenista
Presidente eco-comunista mexicano quis bastão de mando indigenista
Lhe ensina – pois o presidente ecolo-esquerdista parece ignorá-lo de todo – que os muros dos templos astecas não estavam pintados de negro como parecia.

“Eram camadas e camadas de sangue coagulado tirado do coração arrancado das vítimas vivas nos sacrifícios humanos em abjetas cerimônias religiosas”, tal vez hoje não tão reprovadas pelo ecumenismo e pelo comunismo ecotribalista.

O Direito, as leis equânimes, o ensino, a alfabetização, as universidades, as escolas, as igrejas, os conventos, as fazendas, os ateliês, os engenhos, médicos, veterinários, mestres, entraram sob a luz abençoada da Cruz e do brasão dos civilizadores erradicando o primitivismo, a barbárie e a crueldade.

No fim, a douta escritora atirou-lhe em rosto: “O senhor não conhece e até despreza a história da Espanha, da Europa e até a de seu próprio país”.

No Brasil, análogas explosões desse “ódio teológico” parecem acontecer nas cabeças de eclesiásticos promotores do Sínodo da Amazônia.

López Obrador não teve o que responder e se encolheu no silêncio.

Porém, os propagandistas de um Sínodo Pan-amazônico ecologista e místico tribal não dão sinais de quererem aprender a lição.

Eles se voltam com admiração cega para um futuro ecológico-religioso quimérico que evoca as páginas mais degradantes da pré-história indígena.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

“Direitos dos animais”: paroxismo verde da “cultura da morte”

O punho fechado comunista e a pata de cachorro artificiosamente reunidos para uma revolução nunca antes sonhada
O punho fechado comunista e a pata de cachorro artificiosamente reunidos
para uma revolução nunca antes sonhada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Como os “direitos dos animais” foram atropelando os verdadeiros direitos do homem



Na sede da UNESCO, celebrando o trigésimo aniversário de fundação da ONU, foi apresentado em 15 de outubro de 1978 um manifesto pela igualdade entre os animais e os homens, a caminho de uma igualdade entre as plantas, os animais e os homens.

Ele é mais conhecido como “Declaração Universal dos Direitos Animais”, embora não tenha nível jurídico para se apresentar com essa pompa. Cfr. Wikipedia, verbete “Declaração Universal dos Direitos Animais”.

Matreiramente foi introduzida como “proposta para diploma legal internacional, levado por ativistas da causa pela defesa dos direitos animais”.

Mas para os efeitos da agitação ambientalista é apresentada como documento oficial. Assim a opinião pública é sistematicamente enganada e o malicioso texto projeta seus deletérios efeitos sem que as autoridades mundiais os nacionais denunciem.

A declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa ainda punha o homem no centro e começava dizendo “todos os homens nascem e permanecem livres e iguais”.

Na prática essa vem servido para acobertar os crimes de subversivos e delinquentes “mais livres” e “mais iguais” do que suas vítimas, homens honrados e agentes da ordem.

Mas a UNESCO acobertou um golpe inimaginável contra a ordem bem constituída: a mencionada declaração da igualdade do animal com o homem.

Naquela data, o ecologismo não ousava afirmar ante o público essa monstruosidade e, menos ainda, revelar todas as consequências que se prospectavam.

Por trás de uma fachada simpática de defesa dos animais de estimação se esconde uma revolução universal contra o homem e a civilização
Por trás de uma fachada simpática de defesa dos animais de estimação
se esconde uma revolução universal contra o homem e a civilização
Mas desde aquele momento a ecologia radical vem removendo os véus dissimuladores e vem promovendo iniciativas que se voltam contra a humanidade. O anti-humanismo verde foi assim se revelando.

Da declaração sai a consequência de que o homem se alimentar do animal é um assassinato. E que o homem não pode comer carne.

Então o homem só poderia comer ervas. Isso é pregado por adeptos do ecologismo radical, conhecidos como veganos.

É um costume de religiões degradantes como a hindu. Para ela os bois são sagrados e andam pelas ruas da Índia sem que ninguém possa tocá-los. Alegam até um ser humano estaria encarnado na vaca.

É uma expressão do panteísmo oriental segundo o qual tudo é deus.

E a UNESCO e a ONU, aliás grandes promotoras da “cultura da morte” se prestaram a acobertar semelhante aberração.

Assim agindo, propulsionam a ateização oficial do mundo.

No preâmbulo, a “Declaração Universal dos Direitos Animais” começa pomposa e enganadora dizendo:

Considerando que todo animal possui direitos...

Manifestação vegana Comer carne é matar! A filosofia incubada e mal contada é inimiga do homem
Manifestação vegana Comer carne é matar!
A filosofia incubada e mal contada é inimiga do homem
Como vimos no post anterior é da doutrina católica e do direito natural que o animal não tem direito. Apenas não se deve maltratá-lo sem razão, porque o homem não deve fazer atos que não razoáveis.

... considerando que o desconhecimento e desprezo dos direitos do animal levaram e continuam levando o homem a cometer crimes contra a natureza e contra os animais...

Introduz então, o duplo conceito de crime contra a natureza e crime contra o animal.

Alguém dirá: não é um crime contra a natureza alguém por exemplo destruir uma montanha muito bonita, o Fujiyama, do qual o senhor tanto gosta?

Aqui é preciso ir devagar: se eu fizer isso irrefletidamente, estupidamente, eu cometo um ato desarrazoado e é uma ofensa a Deus que criou aquele monte para que os homens pensem nEle.

Mas não é um direito do monte, é um direito de Deus. O monte não tem direito.

Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência de outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das espécies no mundo...

Quer dizer, nós somos uma espécie de animais, e outros são outra espécie de animais. Os senhores estão vendo o igualitarismo e o ateísmo desse pensamento.

Há animais que vivem de comer outros. De maneira que o sofisma é o mais falso possível porque não só é anticientífico, mas é contra a observação comum.

Vamos dizer, uma lagartixa vive de comer mosquitos. Onde está o direito do mosquito?

Considerando que genocídios são perpetrados pelo homem, ou ameaçam ser perpetrados...

Quer dizer, extinção de raças humanas. Então, o homem é declarado de vez como o grande assassino que ameaça extinguir espécies inteiras de animais.

É um manifesto que pretendem plasmar em muitas leis voltadas contra o homem. O homem é sentado nos bancos dos réus como o grande assassino que tem que ser reprimido.

O resultado é uma legislação eco-trabalhista para o bicho como existe para o operário. São as leis verdes cada vez mais ferozmente ditatoriais.

É uma Revolução tão radical que poucas décadas antes pareceria exagero sequer imaginar que pudesse chegar até lá.

Aquilo que é evidentemente um absurdo, passa a ser o bom senso para eles; e o bom senso de milênios de cultura e civilização passa a ser absurdo e criminoso para eles.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos resumidos de palestra pronunciada em 8.11.78. Sem revisão do autor)

Imagine o leitor quando “teólogos da libertação animal” ou da Terra são acolhidos para redigirem partes de uma encíclica como a “Laudato Si’”, o que ficará do homem, da civilização e da própria Igreja de Jesus Cristo?


continua no próximo post: Da revolta contra a dor animal à extinção do ser humano

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Como os “direitos dos animais” foram atropelando os verdadeiros direitos do homem

O Tribunal das Águas de Valência julga as disputas sobre irrigação. A alma espiritual e inteligente do homem fundamenta que ele julgue a natureza.
O Tribunal das Águas de Valência julga as disputas sobre irrigação.
A alma espiritual e inteligente do homem fundamenta que ele julgue a natureza.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A Igreja ensina que em cada ser vivo há um agente que põe em movimento esse ser.

No homem é a alma humana; nos animais é a alma animal e nos vegetais é a alma vegetal.

A Igreja entende por “alma” precisamente o principium vitae, o princípio misterioso do qual não se pode dizer outra coisa senão que confere a vida.

Então, há três graus de almas, como há três graus de seres:

A alma do homem que é uma alma intelectiva, que compreende as coisas e que se conhece a si mesma.

O homem conhece as coisas não como um boi conhece. Se o boi olhar para uma árvore e eu olhar também, vemos a mesma coisa.

E como o boi não usa óculos e eu uso, provavelmente o boi vê melhor a árvore do que eu.

Mas ele não entende a árvore. Ele não sabe qual é o fim, nem diferencia os objetos, ele apenas recebe nos olhos a imagem da árvore que entra como numa máquina fotográfica, não é idêntico, mas é parecido com da máquina fotográfica.

Sobretudo o boi não se conhece a si próprio. Nós adquirimos na primeiríssima infância, a noção de que somos um circuito fechado.

É a primeira ideia por onde nos vem a noção do “eu” é quando notamos que uma coisa nos agrada e eu toco, eu sinto, e ninguém sente a não ser eu. Se dói, eu gemo e ninguém geme a não ser eu.

Se eu sou um circuito fechado, e os outros são circuitos fechados, nasce aí uma ideia de que eu sou outro. E de que eu tenho direitos, interesses, bons e maus movimentos, inteiramente diferentes dos outros.

Isto é característico de um ser intelectual, um ser cuja alma é espiritual. O próprio desta alma é que quando o homem morre ela se destaca do corpo e vai ver Deus face a face e ela é julgada e condenada.

Esse é a alma espiritual no homem.

A alma intelecttual do homem lhe confere poder
para decidir sobre os animais que têm um princípio vital material,
ou 'alma animal' que se extingue com a morte.
Agora, o animal não tem alma espiritual. O princípio de vida dele é co-idêntico à matéria. De maneira que ele tem conhecimento das coisas exteriores, mas não entende o que vê.

Tampouco tem conhecimento de si mesmo, não tem ideia de que é um circuito fechado.

Ele funciona como um homem que esteja dormindo tão profundamente que não tem consciência de si. Tem algumas reações físicas, se apertam ele vira de lado, essas coisas, mas ele não tem a menor noção de si mesmo.

E depois tem o vegetal que nem sequer tem conhecimento do mundo externo. Não conhece nada.

O princípio de vida do vegetal é tão mais baixo que ele apenas vive, mas não tem nem sequer movimento. Ele é um simples vegetal.

Depois tem naturalmente os minerais que não tem vida.

Pela ordem estabelecida por Deus, todos esses seres são bons e foram criados à imagem e semelhança dEle.

Uns são imagens de Deus; outros, tem a semelhança de Deus.

Qual a diferença entre imagem e semelhança?

É mais ou menos a seguinte: um filho pode ser semelhante ao pai. É a semelhança.

A imagem: alguém pode fazer uma obra de arte, por exemplo, cinzelar uma jarra em que se percebe a psicologia do artista. Apenas há um traço de analogia entre o artista e a jarra. É a imagem do artista na jarra.

Um outro princípio é que Deus estabeleceu que os animais e as plantas existam para o serviço do homem.

O homem não existe para o serviço do homem. Um homem não tem o direito de matar outro, não tem o direito de comer o outro, porque cada homem foi criado diretamente para Deus.

Mas o homem tem o direito de comer o animal porque este foi criado por Deus para o homem. E o vegetal foi criado por Deus para o homem e para o animal.

O boi come o vegetal não porque tenha direito, mas pela boa ordem da hierarquia dos
princípios vitais. A 'alma animal' material é superior à 'alma vegetal' material de nível inferior.
O boi não tem propriamente o direito de comer uma planta, porque ele não tem direito. Quem não tem alma espiritual não tem direito.

Mas está de acordo com a ordem da natureza que um boi coma uma planta. Mas é muito mais raro que um vegetal coma um animal. Há disso.

Há vegetais com uma propriedade por onde quando passa uma mosca perto, eles se fecham. E o animal ali preso naquela prisão verde acaba perecendo e a matéria de que ele se compõe é assimilado pela planta. Pode-se dizer, portanto, que a planta como que assimila o animal.

Mas isso é exceção na natureza. A ordem estabelecida por Deus é que o ser superior que é o animal se sirva do ser inferior que é a planta, e conforme for, coma a planta.

Por exemplo, tem todo o propósito ver numa paisagem, tranquila, etc., um boi à sombra de uma arvore. A arvore servindo de guarda-sol para o boi.

Não podemos imaginar um animal parado servindo de guarda-sol para uma planta. Qualquer um percebe que seria uma inversão da ordem natural das coisas.

Em consequência, afirmar que uma igualdade entre homens, animais e plantas, é negar a superioridade do homem, negar a alma espiritual humana que lhe dá direitos sobre os animais.

E então, é fazer uma profissão de fé de materialismo. Porque quem nega a alma humana nega a Deus. 

Então, é fazer uma afirmação de fé de ateísmo, ou de não fé, porque o ateísmo não é uma fé. É afirmar o ateísmo.

Mas há doutrinas religiosas que negam isso.

São as doutrinas chamadas da metempsicose, reencarnação, migração das almas de animal em animal, de um homem para outro, para vegetais, e até para o nada.

As religiões que pregam a reencarnação das almas em homens, animais, plantas
até a dissolução no magma do panteísmo são preferidas pelo igualitarismo verde radical.
E para isso tendem ONU, UNESCO, "direitos dos animais" e ... o Sínodo da Amazônia!.
A religião dos brâmanes por exemplo afirma que quando o homem anda bem, morre e se dissolve em Deus.

Mas Deus, para eles, é uma espécie de éter, vago, um fluído, dentro do qual o homem passa a se dilatar agradavelmente. Não é uma pessoa. E está acabado.

Imaginem um carvão que está queimando num turíbulo e faz fumaça. Essa fumaça, tende pela lei da expansão das gazes, a se misturar com a massa aérea e dentro de algum tempo não é senão um todo com a atmosfera.

Na ideia bramanista do fim último do homem Deus seria como esse ar, e o homem seria como a fumaça que se perde no meio desse ar sem sentir nada e sem conhecer nada.

Porque desgraça para eles é conhecer e sentir. O homem é infeliz porque conhece e sente; o verdadeiro é ele se evanescer, e escapar do tormento dessa individualização que o faz sofrer.

Quando o homem é mau, ele morre e vai ser animal; e quando ainda é pior, vai ser planta. Depois, se ele como planta der duro, passa a animal, depois a homem e passa a Deus de novo.

Essa doutrina comporta a ideia que há uma porção de almas que fica fazendo o ciclo perpetuo, que é muito difícil escapar para fundir-se na divindade afinal.

Mas essa doutrina é radicalmente contrária à doutrina católica, é condenada pela Igreja Católica.

A ONU deve ser vista como o laboratório da civilização do século XXI e tem um organismo especializado para elaborar as doutrinas dessa civilização, que se chama UNESCO.

Ora, com toda a normalidade, sem causar surpresa, a UNESCO acobertou o lançamento em 15 de Outubro de 1978 uma espécie manifesto de igualdade entre os animais e os homens, a caminho de uma igualdade entre as plantas, os animais e os homens. Cfr. Declaração Universal dos Direitos Animais. 

E o caminho de uma coisa sumamente misteriosa a respeito da civilização do século XXI que devemos analisar aqui.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos resumidos de palestra pronunciada em 8.11.78. Sem revisão do autor)


continua no próximo post: “Direitos dos animais”: paroxismo verde da “cultura da morte”