Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de dezembro de 2025

COP30 tentou mobilizar luta de classes planetária, mas não teve repercussão

China presenteia o Brasil com a escultura de bronze Espírito Guardião Dragão-Onça na COP3, hecha por escultota chinesa Huang Jian
China presenteou o Brasil a escultura  Espírito Guardião Dragão-Onça
feita para a COP30 pela escultora chinesa Huang Jian
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A herança revolucionária da ECO-92 ainda latejava contra os restos da ordem mundial (evento qualificado por seu secretário-geral, Maurice Strong, de “mãe de todas as conferências): “O mundo não será o mesmo a partir de agora [1992]” .

O ataque contra o Brasil ficou focado na agricultura, apresentada como culpada do “novo crime” de desmatamento; e contra a pecuária, indiciada por aquecer o clima com o maior rebanho bovino comercial do mundo.

Os consumidores de carne no País também foram culpados por puxar o seu consumo, que deveria ser diminuído cada vez mais .

Não faltaram ataques à mineração e à exploração de hidrocarbonetos na Amazônia.

Encenação reveladora foi a “Barqueata da Cúpula dos Povos”, em que barcas alugadas para agitadores e “povos originários” exibiram faixas e cartazes invectivando o agronegócio, ecoando a surrada luta de classes contra os proprietários:

“O agro não enche o prato”;

“O agro passa, a destruição fica”;

“Mineração: o povo decide”;

“A destruição da Amazônia é uma ferida aberta no planeta”.

A bandeira feminista: “sem mulher não tem clima”.

E o eco da grande reivindicação dos pontífices Francisco e Leão XIV: “Por justiça social e ambiental”.

Não faltou a propaganda do financiador: “Com Lula o Brasil lidera o combate à crise climática”; “Obrigado Lula”.

Tudo isso entre abundantes bandeiras do PT, do MST e dos “povos originários”, que deveriam reassumir a direção do Brasil porque ‘só eles sabem lidar com o clima e a natureza’.

Barcas semi-vazias foram ornadas com bandeiras dos palestinos e de Cuba...

Propaganda comuno-indigenista


Abertura da Cúpula dos Povos na COP 30, na Universidade Federal do Pará (UFPA). Foto Tânia Rêgo-Agência Brasil
Abertura da Cúpula dos Povos na COP 30, Universidade Federal do Pará (UFPA). 
Foto Tânia Rêgo-Agência Brasil
O objetivo comuno-indigenista foi mascarado com um linguajar definido pela “Folha” como “burocratês climático” ou “linguagem vaga, inflada, pobre, confusa e imprecisa”, que evocava a “novilíngua” de George Orwell.

Esse estranho idioma “verde” forçou-a a “publicar um glossário para guiar o leitor na selva de siglas estranhas e termos vagos”.

O escritor anarquista inglês, coitado, propusera “cultivar uma higiene mental e... uma linguagem clara”, mas isso não compareceu no caos da COP30 .

Danças e distribuição gratuita de álcool e comida visaram atrair público e promover a confraternização dos militantes.

Muito ao gosto ecologista, o pavilhão de Singapura distribuía cerveja feita com água de esgoto tratada, enquanto outros ofereciam “karaokês”, que cantavam de modo pouco compreensível contra o aquecimento global, além de canções de Michael Jackson, úteis para “curar nosso planeta” etc.

O café não ficou por conta do pavilhão do Brasil, mas da Alemanha .

Entre as múltiplas encenações, foi particularmente achincalhante a passeata de artistas disfarçados de animais, vários dos quais inexistentes na Amazônia, como urso branco, girafa e dromedários.

Foram arrebanhados pelo “índio Curupira”, mascote da COP30, com quem o presidente Lula quis ser fotografado.

Para maior escárnio, os atores contratados fizeram greve porque não receberam o pagamento combinado.

O auge da vergonha se deu durante um incêndio atribuído à gambiarra na fiação elétrica, feita oficialmente de material incombustível.

O fogo se espalhou pelas tendas e forçou o adiamento da reunião final.

“Igreja Ecológica” da Laudato Si


Ministra Marina Silva durante seu discurso no Vaticano  (@Vatican Media).
Nos ambientes católico-comunistas, a encíclica Laudato Si ficou ratificada como documento constitucional da “Igreja Ecológica”; ou, como observou “Infovaticana”, como catecismo oficial da nova religião ecológica, onde a redução do CO₂ é um objetivo supremo.

Ali está toda a terminologia: “conversão ecológica”, “justiça climática”, “cuidado da Casa Comum”.

Mas o essencial da fé católica — Cristo, a redenção, a vida eterna não se sabe onde ficou.

Em reunião plenária em Fátima, os bispos europeus pediram à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que agisse com decisão na COP30, mas ela se entretinha com exemplares da fauna e da flora local, segurando um papagaio, observando quelônios e afagando um quati.

No discurso verde, os bispos lembraram que a Igreja não existe para gerir orçamentos climáticos, mas para evangelizar.

Documento análogo foi elaborado pelo episcopado latino-americano, mas nesse o Evangelho não teve permissão para entrar .


Engajamento inconsequente de Leão XIV


Marina Silva: radicalismo não adiantou
Marina Silva: radicalismo não adiantou
Num fim de semana anterior ao início da COP30, o Papa Leão XIV fez uma assembleia extraordinária de três dias com 3.000 militantes dos movimentos sociais, alguns bispos e cardeais em Castel Gandolfo, para incitá-los ao ativismo segundo a Laudato Si.

A figura de proa foi a ministra Marina Silva, que na presença do Pontífice fez ardida exortação à ação, enquanto o ex-governador esquerdista da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, exortava os presentes a processar o governo Trump, como ele o fizera nos seus tempos de governador.

No meeting, o Pontífice abençoou um bloco de gelo da Groenlândia, alimentando os exageros “verdes” sobre o derretimento das geleiras planetárias.

Durante o transcurso da COP30, Leão XIV exigiu “ações concretas” contra a mudança climática; e em videomensagem dirigida a responsáveis religiosos, à margem daquela conferência, deblaterou contra a falta de “vontade política de alguns líderes.

Não se soube que suas palavras tivessem tido qualquer efeito entre cientistas ou governos sensatos.

Também glorificou o Acordo de Paris (COP21), que segundo ele “impulsionou um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta”; um discurso em colisão aberta contra o governo dos EUA e outros países descontentes com as fraudes contidas naquele acordo.

Na Audiência Geral de 17 de novembro, pediu uma conversão à “ecologia integral”, sempre segundo a Laudato Si, e se engajou em afastar o fantasma do ser humano “devastador” da Criação .

Na videomensagem às Igrejas do Sul Global — denominação desconhecida, mais consonante com a “novilíngua” da luta de classe planetária do Sul contra o Norte — comprometeu o Vaticano com a coalizão socialista-ambientalista.

Junto foi apresentado um documento de cardeais da América Latina, África e Ásia pela “casa comum”, também de fraco efeito, pois ninguém via direito como a Igreja pode se engajar em estruturas internacionais, profundamente marcadas por agendas ideológicas contrárias à antropologia cristã, e para o qual não tem missão recebida de Cristo.

Os malabarismos verbais e exageros sobre inundações, secas e ondas de calor culpabilizaram os “ricos”, adotando o discurso climático da ONU — escreveu “Infovaticana” .

Final tenso e inconclusivo


Rostos alongados e tensos na sessão final da COP30.
Rostos alongados e tensos na sessão final da COP30.
O vazio texto final da COP30 foi um fiasco que não satisfez ninguém. O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, pediu desculpas.

A conclusão não mencionou o plano de Lula para os combustíveis fósseis, não deixou um plano específico contra o desmatamento, não fez referências específicas à Amazônia (este deveria ser objetivo de fazer a reunião em Belém), limitando-se a avanços simbólicos sobre afrodescendentes, territórios indígenas e questões de gênero na imaginária “crise climática”.

A sessão final foi marcada por tensões e brigas, além de reclamações contra o presidente Corrêa do Lago, acusado de ignorar pedidos e agir de modo pouco transparente.

A Rússia e a Índia, porém, defenderam a presidência brasileira, responsabilizando outros países pelo desconjuntamento geral da reunião.

Lula não assistiu, como correspondia ao País hospedeiro, e viajou para a África do Sul, onde elogiou as qualidades culturais de Belém, enquanto o chanceler alemão Merz visou consertar o mal-estar causado .


Presente chinês de aspecto demoníaco


China presenteou o Brasil com uma escultura com imponderáveis satánicos
China presenteou o Brasil com escultura deimponderáveis satânicos
Como “cereja no bolo do caos”, o governo comunista chinês ofereceu oficialmente ao brasileiro uma escultura demoníaca denominada Espírito Guardião Dragão Onça, como símbolo do que Pequim aguardava da COP30.

A peça forma um ente híbrido de homem, dragão e onça com chifres, dentes pontiagudos e expressão satânica, abraçando o globo terrestre no qual está inscrito “COP30”.

Segundo a artista Huang Jian, a obra ficará como um guardião das florestas tropicais, mas suscitou repulsa pela sua horrorosa expressão alusiva a Satanás.

De fato, encarna o espírito que se pretendeu inocular na fracassada assembleia mundial de Belém, e com o qual Pequim quer abocanhar o mundo .

Balanço final: fracassou mais uma investida comuno-indigenista disfarçada de ambientalismo, que de início ameaçava avançar sobre a soberania intocável brasileira e dos países sul-americanos na Amazônia.

Mas desconfia-se que os artífices da tentativa contra a soberania e a propriedade privada prossigam, com pretextos diversos, sua ofensiva contra os valores básicos da civilização cristã ainda vigentes.



domingo, 14 de dezembro de 2025

COP30: fracasso de ofensiva comuno-ambientalista

Luiz Inácio Lula da Silva com o Curupira, mascote da COP30. Belém (PA) Foto Ricardo Stuckert - PR
Luiz Inácio Lula da Silva com o Curupira, mascote da COP30. Belém (PA) 
Foto Ricardo Stuckert - PR
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A COP30, trigésima Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática, terminou pifiamente.

Em Belém do Pará deveriam comparecer governantes e burocratas de mais de 160 países signatários da ECO-92, lobbies e ONGs, ativistas vermelhos disfarçados de salvadores do planeta, povos originários (autênticos ou falsos) todos empenhados em arrancar capitais dos governos e bancos internacionais a fim de dominar as mudanças climáticas e evitar um “apocalipse ambiental”. .

No entanto, essa cantilena soa cada vez mais como um blefe ancorado na “Teologia da libertação da Terra”.

COP30 abandonada


A ausência de chefes de Estado proeminentes levou muitos outros a concluir que a COP30 ficaria num bate-papo improdutivo. .

Foi decisiva nesse sentido a aversão do povo norte-americano e do seu governo aos blefes ambientalistas (nas COPs anteriores, financiaram projetos “verdes” utópicos), e sua ausência na Amazônia ensejou muitos países a se ausentar ou enviar delegações de nível inferior.

Só a Noruega destinava para a “proteção” da Amazônia o triplo do que o governo brasileiro destina à área ambiental. .

Desde 2015 o Brasil destinou pouco mais de R$ 520 milhões do Orçamento federal, enquanto a Noruega forneceu R$ 1,75 bilhão para o Fundo Amazônia (87,5% do total) nos últimos dez anos. .

No preparo da COP30, a única empresa nacional que contribuiu foi a Petrobras, com 0,4% do total.

Segundo Adriana Ramos, secretária-executiva do Instituto Socioambiental, os recursos internacionais financiam burocracias estaduais de meio ambiente e ONGs. .

Houve suspeita de que essas doações visariam estabelecer uma ingerência sobre a Amazônia .

Fracasso previsível


Infocatólica, a Igreja se preparou para a COP30 no mundo da Lua
Infocatólica; a Igreja se preparou para a COP30 no mundo da Lua
O cenário prévio à COP30 era o oposto do prometido no Acordo de Paris (COP 21). .

O fim das volumosas contribuições dos EUA teve um efeito cascata, e muitos projetos-fantasia foram apagados ou não saíram do papel no mundo inteiro .

Multiplicaram-se as informações sobre o ‘fracasso ambientalista’: projetos de hidrogênio verde adiados ou cancelados; mercado de crédito de carbono em crise; montadoras voltando aos carros a gasolina; usinas de combustível sustentável de aviação não saem do papel; governos derrubados por insatisfação com os projetos ambientalistas; falências das “energias alternativas”; e o presidente americano Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, qualificando de “estúpidos” os burocratas que esmagam os povos com impostos ambientalistas. 134 dos 198 países envolvidos não disseram se estavam cumprindo as metas nacionais “para salvar o planeta”.

Resultado: ninguém sabia, em Belém, qual era a temperatura global do planeta, número que devia nortear qualquer decisão, para bem ou para mal . .

Com dados de apenas 79 países, ficou impossível chegar a uma conclusão confiável. .

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pranteou que as metas climáticas pré-fixadas não seriam alcançadas . .

Bill Gates, arauto do catastrofismo climático, virou a casaca declarando que o clima “não levará ao fim da humanidade” e nem compareceu.

O presidente Lula falou na ONU em punir os países descumpridores — ou seja, dois terços do mundo. Mais quimérico, impossível.

Engajamento quase nulo


Passagem Fé em Deus obras inacabadas aguardando melhorias para COP30 em Belém
Na ONU, Lula anunciou que em Belém se faria “a COP da verdade”. E na reunião “Cúpula de Líderes”, prévia à COP30, pediu recursos de um trilhão e trezentos bilhões de dólares anuais para um Fundo de Bosques Tropicais para Sempre (TFFF), a ser gerido pelo Banco Mundial. .

Só seis países contribuíram, e com somas simbólicas! O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acenou com um “valor significativo”. .

Mas saiu apressadamente da COP30 com sua equipe, deblaterando contra o caos da organização . Depois fez uma retratação. A representação japonesa sumiu silenciosamente.

Nem mesmo um número decente de ilustres convidados se apresentou ao coquetel inaugural. .

E a COP de Belém terminou do mesmo jeito que começou: vergonhoso fracasso em prol de utópicas metas e de estímulo a velhas reivindicações comuno-progressistas .

Líderes ávidos de luxos


ONU alarmada pelo desinteresse dos países pela COP30, mas seus líderes corrriam atrás das benesses.
ONU alarmada pelo desinteresse dos países pela COP30, 
mas seus líderes corriam atrás das benesses.
Chefes de Estado e de governo, que dizem defender os pobres flagelados pelas “mudanças climáticas”, preferiram usufruir os restaurantes mais famosos e os hotéis de luxo, ponto de encontro de políticos, empresários e badalados líderes das esquerdas. .

Até o ditador da República do Congo, o militar Denis Sassou N’Guesso, foi tratado com tapete vermelho para entrar e sair do quarto, modificado para atender às suas exigências.

As delegações oficiais se encontravam nos restaurantes mais caros, como a ex-presidente Dilma Rousseff, beneficiada por sua proximidade com o ditador comunista Xi Jinping. .

No mesmo restaurante, na mesma hora, a ministra Marina Silva, com a equipe do ministério de Meio Ambiente, almoçava ao ar livre voltada para a Baía do Guajará. .

Figuras como o presidente francês Macron, o príncipe William, o secretário-geral da ONU e Marina Silva exibiam seu ecologismo recusando peixes de rio ou “maniçoba” (espécie de feijoada paraense), muito ligados com a região. .

Guterres ganhou uma costela de carne Brangus assada por 24 horas — blasfêmia ambientalista...

Chefes de Estado e de governo se fotografaram sobre fundos artificiais de floresta tropical, como arautos da natureza, sem sair da área urbana de Belém. .

Outros, como o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, foram gozar de uma travessia de lancha, tomar banho de rio na Ilha do Combu e degustar chocolates locais. .

Miinistra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, na COP30. Foto Bruno Peres-Agência Brasil
Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, se exibiu bastante na COP30. 
Foto Bruno Peres-Agência Brasil

A diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, presente para agir contra o “racismo ambiental”, deplorou o esquecimento generalizado dos direitos humanos que a COP30 deveria defender, e achou estar numa reunião da Faria Lima, porque os líderes só falavam de dinheiro e não das verdadeiras problemáticas ambientais .

Para a “Folha de S. Paulo” a “COP30 foi a festa das celebridades”, pela revoada de “famosos” do jet-set internacional exibindo-se como interessados em ecologia, acotovelando-se com o cacique Raoni, enquanto cantoras estrangeiras e brasileiras, ministras vestidas de índias ou de extravagâncias, faziam shows decepcionando inúmeros comentaristas.


continua no próximo post:



domingo, 26 de outubro de 2025

COP30 uma revolução dissimulada contra a humanidade civilizada?

COP30 Plenária ideranças indígenas, ONGs, autoridades do governo e parlamentares
COP30 Plenária lideranças indígenas, ONGs, autoridades do governo e parlamentares
exigem que o governo climático da Terra fique com os aborígenes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Conferência da ONU COP30, que inicia neste novembro em Belém, trará um veneno dissimulado por trás da sua caótica montagem: sob pretexto de fictícias mudanças climáticas reformas mundiais que, abalará a vida das nações.

Os países sul-americanos, grandes produtores de alimentos e commodities em geral, poderiam ter mutilada a exportação de seus produtos.

E, para maior confusão poderia ser ameaçada sua soberania sobre a floresta amazônica, para citar um caso pioneiro gritante.

A imensidade da transformação que se discutirá na COP30 põe em relevância pretextos para “salvar o planeta”. Mas essas fantasias desviam as atenções para uma imensa revolução político-religiosa que se tenta efetivar não sem imensas dificuldades.

A COP30 foi cogitada para acontecer na região amazônica indo contra toda sensatez organizativa.

Mas, poderia resultar até, e por estranho que pareça, numa Amazônia erigida em reserva-santuário ou templo panteísta.

A revolução em curso na Igreja Católica de uma nova religião com cultos empestados de superstições diabólicas indígenas, teria o estímulo das altas cúpulas eclesiásticas incluindo os estímulos do novo Papa Leao XIV que vem de receber o MST junto com os movimentos sociais de todo o planeta arregimentados pelo anterior Papa Francisco I.

Essa danosa manobra traz entre seus pressupostos a mutilação ou, em última análise, last but not least, a condenação do agronegócio.

Há tempos, as esquerdas insuflam a revolução iindigenistaa agora com preextos climáticos
Vejamos de início este ponto que nos atinge tão de perto, malgrado a desorganizacão da COP30. Cfr. "La Nación".

A América Latina produz alimentos suficientes para mais de 1,3 bilhão de pessoas, ou mais que o dobro de sua população. Isto significa aproximadamente 14% da produção agrícola e pecuária mundial.

É, portanto, um ator fundamental na segurança alimentar global. Mas para a filosofia profunda dos movimentos comuno-ambientalistas mais ativos esses são títulos de condenação.

Esses pretendem golpear o agronegócio transformando as decisões da COP30 em condenações aos grandes produtores de alimentos a quem os promotores mundiais do evento acusam de serem responsáveis pelo aquecimento global.

E, por absurdo que pareça, a Mãe Terra – Gaia ou Pachamama, segundo a ideologia ou a superstição – segundo eles não poderia mais suportar um gênero humano que se multiplicou como o Deus da Bíblia ordenou.

Nossa eficácia produtiva é questionada com o pretexto espúrio de exercer pesar imensamente nas emissões totais de GEE (Gases de Efeito Estufa),.

Apelam para o fato de aproximadamente 45% do total de emissões líquidas de GEE estar relacionadas à agricultura e às mudanças no uso da terra.

Esse fato para quem conhece a Terra é um triunfo da ocupação dela como Deus dispôs já no primeiro momento da Criação.

O gado virou pêssimo esquentador do planeta e o agronegócio deve ser extinto
O gado virou péssimo esquentador do planeta e o agronegócio deve ser extinto.
Impossível maior absurdo!
Então um dos maiores adversários dos fanáticos ambientalistas da COP30 são os produtores agropecuários.

E a atitude dos governos sensatos como a do atual governo americano em relação à ação climática é criminosa, que eles qualificam de inflexivelmente danosa.

A esse estapafúrdio acrescentam eles que os EUA não lhes fornecem as fabulosas somas de dinheiro que estes militantes de hotéis e restaurantes de luxo exigem para cumprir seus mirabolantes e nunca confirmados projetos ecológicos.

A COP30 se configura assim como um teatro aparentemente complexo, mas que no fundo é claro: a luta dos revoltados da ordem da criação contra os homens de bem.

Um exemplo caraterístico foi fornecido pelo site Brasil de Fato, nascido segundo ele próprio para dar voz aos “movimentos populares em 25 de janeiro de 2003, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre”.

Ele quer ser um site de batalha, ligado à luta planetária comuno-ambientalista contra a propriedade privada e o bem-estar alimentar da humanidade. https://www.brasildefato.com.br/quem-somos/

A respeito do COP30 foi bem claro: “o inimigo é o agronegócio” como escreveu nele o historiador Luiz Marques. 

Indígena não pode progredir e deve ficar nu no mato como numa gaiola para turista ver
Indígena não pode progredir e deve ficar nu no mato como numa gaiola para turista ver
Qual é o crime? De início esclarece que o acusado é o País todo como está organizado: “O Brasil, escreve, figura entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo e como a expansão de pasto e monoculturas empurra o país para o colapso climático”.

“Você está tirando a floresta que capta gases de efeito estufa e ainda colocando no lugar pasto […] que gera gases de efeito estufa”, acrescenta o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ao Manual de Sobrevivência, podcast do Brasil de Fato.

Marques explora os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo eles dados – e graças a Deus e à nossa sacrificada classe pecuarista – em 2024 havia por volta de 238,2 milhões de cabeças de gado.

“Tem mais boi do que gente no Brasil”, compara como se fosse uma blasfêmia.

“O Brasil tem condições de diminuir as emissões muito mais do que os outros países. O nosso inimigo é o agronegócio”, aponta o historiador, porta-voz desta imensa revolução.

Eis a nova fórmula da luta de classes, desta vez planetária e pintada de verde por fora.

COP-30 na-Amazonia não salvará o planeta mas tentará jogá-lo no comuno-indigenismo
COP-30: não salvará o planeta
mas tentará jogá-lo no comuno-indigenismo
O historiador pró-comunista e entusiasta da COP30 registra como outro mal o fato de o governo federal ter destinado R$ 516,2 bilhões ao Plano Safra 2025/2026.

Esse crédito historicamente está concentrado no agronegócio, e na filosofia anti-humana do ambientalismo radical é ruim porque alimenta a população brasileira e muitos milhões de seres humanos no exterior com alimentos em abundância.

Na filosofia ecologista o aumento da população é um mal e a Terra é incapaz de alimentar a população atual. Dessa maneira acabará como um planeta desértico por esgotamento.

Por isso, o crescimento demográfico segundo uma expressão cunhada nos arraiais ambientalistas é uma “bomba” de tempo que explodirá devastando o planeta.

Então, o número dos homens deve ser diminuído radicalmente.

“O boi e a vaca são ruminantes, eles arrotam metano”, aponta o historiador.

A Comissão Europeia e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) indicam que, em um período de 20 anos, o metano representa um potencial assustador de aquecimento até 87 vezes superior ao do diabolizado dióxido de carbono, ou CO2.

E esse seria outro malefício do bem caseiro metano, o gás que faz funcionar a cozinha de milhões de lares.

No esforço de satanizar a carne, o professor citado, parafraseando a seus colegas ideológicos, culpa os bois pelas queimadas também satanizadas na pessoa dos proprietários agrícolas.

“O agronegócio põe fogo: 99% dos incêndios no Brasil são culpa humana”, denuncia. Como o mal que se derivaria disso não pode ser demonstrado ele acusa as estatísticas oficiais de culposamente falseadas:

“O dióxido de carbono que sai dos incêndios não é contabilizado. A degradação [florestal] é extremamente importante e não entra [no inventário]”, declara.

Qual seria a solução segundo Marques e seus colegas ideológicos vermelhos?

Parada indigenista em função da COP30
Parada indigenista em função da COP30
Pois a velha bandeira de Lenine, Stalin, Fidel Castro, teologia da libertação, PT, e tudo quanto é bandeira vermelha comunista: a reforma agrária!

Porém acrescida das bastante esotéricas teorias da ecologia, incluída uma política drástica contra a natalidade, pior que a dos extermínios nazista e comunista.

Então uma reforma agrária que seja agroecológica, com multiplicação dos quilombolas e da agricultura familiar financiados por entidades como o Banco Mundial e ONGs de toda procedência.

E donde está esse modelo. No MST acolhido por Leão XIV!

Para o autor citado, “o Brasil tem o melhor modelo positivo de agricultura do mundo” nas experiências do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

COP30 assim manipulada será uma plataforma para a velha utopia vermelha comunista renovada e radicalizada pelo esoterismo verdes ecologistas.

E com a decisiva promoção eclesial, batizada de sinodal, da teologia da libertação da Terra também ela envolta numa miserável tanga indigenista.



domingo, 24 de agosto de 2025

ONG religiosa articula pressão sobre a COP30

REPAM Lança Cartilha 'ABC das COPS'
REPAM Lança Cartilha 'ABC das COPS'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) lançou cartilha para os povos indígenas se engajarem na COP30.

Nela, a pretexto de obstar as mudanças climáticas, visa modelar o futuro do planeta segundo a utopia comuno tribalista.

A REPAM trabalha incansavelmente para articular esses indígenas, ONGs e ativistas das esquerdas na Amazônia, para levar os debates climáticos na COP30 a um objetivo extremista.

A organização integra a Cúpula dos Povos, que prepara uma ordem que arrancará a Amazonia do Brasil e estabelecerá uma nova religião com “missa” panteísta.


domingo, 15 de dezembro de 2024

Ruínas da coroa portuguesa e gravuras rupestres milenares afloraram na seca da Amazônia

Artefatos de guerra do antigo forte português de São Francisco
Artefatos de guerra do antigo forte português de São Francisco
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A histórica seca de 2024 na Amazônia trouxe à tona aspectos históricos brasileiros abafados pela grande mídia. Cabe destacar a labor ignorada de esforçados cientistas que agora viram confortada parte de seus trabalhos.

Com a diminuição do nível das águas, emergiram gravuras rupestres no sítio Caretas confirmando que a Amazônia albergou outrora civilizações que moravam em grandes aldeias em frente ao Encontro das Águas, como explicou o arqueólogo Filippo Stampanoni Bassi, segundo “Amazonia Real”.

É errôneo supor que os pobres e decadentes tribos indígenas que hoje apenas sobrevivem na extrema penúria sejam o modelo de organização social, política, econômica e cultural acorde com a floresta úmida amazônica.

Perto de Manaus foram encontradas grandes quantidades de fragmentos de cerâmica e gravuras rupestres, terras negras resultantes de um trabalho sistemático de adubação e agricultura inteligente.

Os petróglifos do afloramento rochoso em Lajes apresentam fortes semelhanças estilísticas com figuras em formato de cabeça que se encontram gravadas ao longo de numerosos pedrais ribeirinhos da Amazônia central.

Eles ocupam paredes extensas debaixo da água, o que torna complexos os estudos, mas ao mesmo tempo revelam uma mística até agora desconhecida.

Elas também desmentem os exageros ecologistas de uma Terra que aquece e seca. Pois ditos petróglifos não permitem negar que quando foram feitos há mais de mil anos, o nível dos rios atingia um nível mais baixo do que o atual.

Gravuras com o mesmo padrão do sítio Caretas, em Itacoatiara
Gravuras com o mesmo padrão do sítio Caretas, em Itacoatiara
“Ou eles foram feitos numa época de grande seca ou houve alguns episódios de seca no passado”, disse o arqueólogo Eduardo Goes Neves, patenteando que a pronunciada seca de 2024, atribuída ao CO2 de procedência humana, bem pode ter acontecido durante milênios em que não havia a atual atividade industrial.

“A gente achava que devia ter uma época que era mais seca na Amazônia. Marta Cavallini encontrou coisas parecidas no rio Urubu e conseguiu fazer umas datações e a idade era de pouco mais de mil anos ou dois”, conta. Novas procuras científicas estão em andamento.

No bairro Colônia Antônio Aleixo de Manaus, na área Onze de Maio, em 2012 foi identificada uma urna funerária resgatada pelo arqueólogo Carlos Augusto Silva e levada para o laboratório de arqueologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Uma das imagens mais impressionantes do pedral foi identificada em 2020. Trata-se do desenho de um rebojo (palavra local para “redemoinho”) de rio, desenhado em um fragmento cerâmico.

Por sua vez, a mesma seca severa revelou outro tesouro histórico na região: as ruínas do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga. Construído no século XVIII, foi uma peça-chave para garantir o domínio de Portugal, e, portanto, do futuro Brasil, numa região disputada pela Espanha, registrou “G1”. 

O forte que teve um papel estratégico desanimando expedições espanholas estava no fundo do rio, mas com o baixo nível atual das águas, as ruínas reapareceram.

O historiador Luiz Ataíde que dedicou 20 anos a estudar a região do Alto Solimões achou peças de louça e munições usadas pelos militares quando o forte ainda funcionava.

A conquista da área de fronteira entre o Brasil, Colômbia e o Peru foi marcada pelo Tratado de Madri, em 1750, que garantiu a soberania da região ao governo português; e o Tratado de Santo Idelfonso, em 1777, onde a coroa espanhola pede de volta à Portugal da área territorial onde hoje se encontra a região do Alto Solimões.

Ruínas do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga
Ruínas do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga
Os acordos diplomáticos não tinham efeito real se não havia uma efetiva ocupação do território. E o forte português cumpriu essa meritória tarefa.

Para honrar a coragem dos militares, o Exército Brasileiro construiu um memorial que reproduz parte da estrutura do forte. Esse inclui canhões e outras peças da época, e pode ser visitado no Museu do Comando de Fronteira Solimões, em Tabatinga.

A seca também permitiu recuperar dois canhões de bronze e uma bala de formato esférico, do forte que vigiava a atual tríplice fronteira com Santa Rosa, do Peru, e Letícia, da Colômbia.

A descoberta dos artefatos bélicos “foi por acaso, contou o cabo militar Alex Pontes, 29 anos. (...) Quando cheguei em uma ponta da praia, me deparei com o canhão”, contou.

Em novas buscas no terreno apareceu um segundo canhão parcialmente submerso e uma bala de canhão com formato esférico, também enterrada, noticiou “O Estado de S.Paulo”.

E põe-se a questão: o Forte São Francisco Xavier pode ter sido erigido embaixo da água ou foi inundado pelas águas do Solimões?

Da segunda hipótese, aliás que teria acontecido em 1932, se tira a conclusão de que historicamente existiram oscilações climáticas e geográficas pronunciadas, não havendo razão para o alarmismo ambientalista com as mudanças atuais.


domingo, 27 de outubro de 2024

Saara fertiliza o Atlântico e terras tropicais americanas

Ventos com elementos fertilizadores vindos do Saara
Ventos com elementos fertilizadores vindos do Saara
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A vida nos oceanos depende de uma fonte inesperada: a poeira do deserto do Saara que, carregada pelos ventos por longas distâncias, alimenta a vida marinha, escreveu “Veja”.

Cientistas descobriram que quanto mais essa poeira viaja, mais ela libera ferro, um nutriente essencial que impulsiona o crescimento de organismos microscópicos no oceano, como o fitoplâncton.

O ferro é indispensável para a sobrevivência de diversos organismos, e é fundamental para a respiração e a fotossíntese. No oceano ele é escasso, o que limita o crescimento de organismos essenciais, como o fitoplâncton.

A maior parte do ferro que chega ao oceano vem de rios, geleiras e, eis a surpresa para os homens modernos, especialmente do vento que carrega poeira de lugares como o Saara.

Nem todo o ferro contido nessa poeira está imediatamente disponível para os organismos marinhos.

Mas estudo liderado por cientistas dos EUA mostrou que à medida que a poeira viaja pela atmosfera, processos químicos tornam o ferro mais “biorreativo”, ou seja, mais facilmente assimilável pelos seres vivos.

As amostras foram extraídas em diferentes distâncias do corredor de poeira que vai do Saara até o Atlântico, abrangendo locais que variam de 200 km da costa da África até a costa leste dos EUA.

Em outro post reproduzimos a importância da poeira do deserto como fertilizante para a Amazônia: Amazônia: estonteante dependência do Saara.

Cientistas acompanham no dia a dia os efeitos dos ventos do Saara
Cientistas acompanham no dia a dia os efeitos dos ventos do Saara
Neste estudo, usando amostras de sedimentos do fundo do Atlântico, acumuladas em milhares de anos, os pesquisadores mediram o quanto do ferro das amostras era “biorreativo”.

Quanto mais longe da fonte de poeira, maior a quantidade de ferro que se torna disponível para a vida. Os processos atmosféricos transformam o ferro em formas mais solúveis e, portanto, mais úteis para os organismos.

Assim, o ferro que chega, por exemplo, à Bacia Amazônica ou às águas das Bahamas, tem uma alta chance de ser absorvido antes de se depositar no fundo do oceano.

A pesquisa publicada na Frontiers in Marine Science, sugere que a poeira do Saara desempenha um papel crítico na fertilização dos oceanos e dos ecossistemas terrestres.

“O ferro transportado parece estimular processos biológicos, assim como a fertilização artificial pode impactar a vida nos oceanos e continentes”, explicou o professor Timothy Lyons, da Universidade da Califórnia, coautor do estudo.

Isso significa que as tempestades de poeira no Saara têm um impacto significativo na saúde do nosso planeta.

NASA vem estudando o efeito fertilizante dos ventos do Saara sobre Atlántico e Amazônia
NASA vem estudando o efeito fertilizante dos ventos do Saara
no Atlântico e na Amazônia
À medida que essas tempestades aumentam o papel do ferro de um modo vital para pode se prever como os ecossistemas marinhos responderão às mudanças futuras.

A pesquisa revela que o nosso planeta é interligado patenteando como a poeira que atravessa oceanos e continentes desde o distante deserto do Saara sustenta a vida em locais distantes.

Essa transferência de nutrientes destaca a importância de fenômenos naturais em escalas globais, e como eles influenciam diretamente o meio ambiente e, por fim, o clima da Terra, de modo mais relevante que seu aspecto de fenômeno meteorológico.

A poeira do deserto é um elo essencial que mantém o equilíbrio da vida no planeta.

domingo, 20 de outubro de 2024

Amazônia: estonteante dependência do Saara

Poeira fertilizante do Saara todo ano passa por cima do Atlântico e sustenta a vida na Amazônia e no Caribe
Poeira fertilizante do Saara todo ano passa por cima do Atlântico e sustenta a vida na Amazônia e no Caribe
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Amazônia é a maior floresta tropical úmida da Terra. E o Saara é o maior e mais quente deserto do mundo.

Na aparência, nada de mais diverso e sem relação um com outro. Uma imensa selva verde úmida no coração da América do Sul, e um infindável areal, composto de poeira e pedra, onde sopram ventos ardentes no norte da África.

Porém, se, por ventura, os dois estivessem vitalmente unidos? Se o mais pleno de vida dependesse do mais morto para sobreviver, quem ou o quê poderia ter criado essa inter-relação?

Por certo, uma interdependência tão profunda foge à imaginação do homem e a qualquer instrumentalização ou fabrico também humano.

Também fugiria às regras da teoria da evolução de Darwin, segundo o qual tudo o que há procede de uma realidade pré-existente, e essa de outra, por uma série intérmina e jamais demonstrada de mutações atribuíveis ao azar e à necessidade.

Há, porém, um fenômeno que envolve ventos e minérios sem vida e que sustenta a vida vegetal e animal na maior floresta tropical úmida do planeta.

Amazônia: estonteante dependência do Saara criada por Deus
Amazônia: estonteante dependência do Saara criada por Deus
Chegando no III milênio a ciência com seus mais avançados instrumentos pode documentar e mensurar esse fenômeno colossal.

Dito fenômeno une essas duas imensas realidades geográficas tão dissemelhantes passando por cima de um oceano.

Pela primeira vez um satélite da NASA mensurou em três dimensões a quantidade de poeira do Saara trazida pelos ventos por cima do Atlântico.

E calculou não só a poeira, mas também o fósforo que vem no meio dela: 22.000 toneladas de fertilizante puro, do qual a selva da Amazônia depende para existir.

A equipe comparou o conteúdo de fósforo da poeira do Saara na depressão de Bodélé com dados das estações científicas de Barbados, no Caribe, e de Miami, nos EUA.

Os resultados do estudo foram publicados na Geophysical Research Letters, revista da American Geophysical Union, segundo divulgou a NASA (vídeo embaixo).

O líder do trabalho foi Hongbin Yu, cientista da atmosfera da Universidade de Maryland que trabalha no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland. Yu e sua equipe fizeram os cálculos com base em dados coletados pelo satélite Calipso, da NASA, entre 2007 e 2013.

Yu e sua equipe estudaram a poeira que provém especialmente da Depressão de Bodélé, no Chade. Trata-se de um antigo lago seco cujas rocas compostas por micro-organismos mortos estão carregadas de fósforo.

Esse é um nutriente essencial para o crescimento das plantas e a vegetação depende dele para florescer.

O estudo analisou especialmente a depressão de Bodélé de onde sai boa parte do fósforo fertilizador.
O estudo analisou especialmente a depressão de Bodélé de onde sai boa parte do fósforo fertilizador.
Os nutrientes são escassos no solo amazônico e alguns deles, como o fósforo, são lavados pelas chuvas. Sem os fosfatos (sais do fósforo), a floresta da Amazônia estaria condenada à morte.

Porém, segundo Yu, o fósforo que chega do Saara, estimado em 22.000 toneladas por ano, equivale aproximadamente à mesma quantidade levada pelas chuvas e pelas enchentes.

Esse fósforo é apenas 0,08% das 27,7 milhões de toneladas de poeira do Saara depositadas anualmente na Amazônia.

No total, os ventos do deserto africano levantam cada ano 182 milhões de toneladas de poeira. O volume encheria o volume de carga de 689.290 caminhões. O pó viaja 2.800 quilômetros sobre o Atlântico até cair na superfície arrastado pela chuva.

Perde-se uma parte pelo caminho. Chegando à costa do Brasil, ficam ainda no ar 132 milhões de toneladas. Por fim, 27,7 milhões de toneladas – capazes de encher 104.908 caminhões – caem sobre a superfície da bacia Amazônica. Outros 43 milhões de toneladas seguem para o Caribe.

É o maior transporte de poeira do planeta. Há importantes variações segundo os anos, dependendo dos ventos e de outros fatores.

Desta maneira o deserto morto sustenta a vida na exuberante floresta amazônica tropical e úmida. Sem o Saara a mata da Amazônia não existiria.

Vídeo: Amazônia: estonteante dependência do Saara criada por Deus



Quem teria imaginado algo tão extraordinário funcionando há milênios de anos como uma engrenagem supremamente sábia?

Fenômenos como o identificado pela NASA postulam a existência de um Deus que criou o mundo com infinita sabedoria e o governa com insondável poder. Mosaico siciliano do século XII
Fenômenos como o identificado pela NASA postulam a existência de um Deus
que criou o mundo com infinita sabedoria e o governa com insondável poder.
Mosaico siciliano do século XII
Há certos fenômenos naturais que nos obrigam a reconhecer um Criador de uma sabedoria e de um poder infinitos.

Isso apesar de uma intensa propaganda que chega ao absurdo de dizer que o ecossistema do planeta depende decisivamente de nós.

Sem o homem saber, desde que o Saara e a Amazônia existem o pó fertilizante do deserto africano chega na dose certa, mas colossal, todo ano, por cima do Atlântico.

Quem tem a sabedoria para imaginar esse processo sustentador de uma floresta como a amazônica da qual depende a Terra toda, a outros títulos?

Quem tem o poder para criar e depois garantir esses processos em sua regularidade constante há milênios?

Sem dúvida a ciência presta um inestimável tributo com uma descoberta como esta que postula a existência de um Deus criador e sustentador do céu e da terra.

domingo, 3 de março de 2024

Cidades de 2.500 anos descobertas na Amazônia

Cidades identificadas pelo LiDAR na Amazônia equatoriana
Cidades identificadas pelo LiDAR na Amazônia equatoriana
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A descoberta de um enorme e milenar complexo citadino na Amazônia muda o que sabemos sobre a história dos povos que vivem na região.

Com efeito, uma expedição de arqueólogos do prestigioso Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França encontrou um conjunto de cidades perdidas há 2.500 anos na floresta amazônica do Equador, escreveu “La Nación”.

Esses locais que abrigavam milhares de pessoas faziam parte de uma densa rede de assentamentos e rotas de comunicação, aninhados nas montanhas arborizadas da Cordilheira dos Andes.

Stéphen Rostain, o arqueólogo que liderou a investigação, começou a escavar no Vale Upano há quase 30 anos. Sua equipe se concentrou nos grandes assentamentos de Sangay e Kilamope.

Ali encontraram montículos organizados em torno de praças centrais, cerâmicas decoradas com tinta e linhas incisas e grandes potes contendo restos da cerveja de milho ou chicha.

Datações de radiocarbono mostraram que os locais de Upano foram ocupados por volta de 500 AC. até entre 300 e 600 DC.

Stéphen Rostain o arqueólogo que liderou a investigação
Stéphen Rostain o arqueólogo que liderou a investigação
“Eu sabia que tínhamos muitas estruturas. Mas não tínhamos uma visão completa da região”, disse Rostain à revista Science.

A equipe identificou cinco assentamentos grandes e dez menores em 300 quilômetros quadrados no Vale Upano, cada um densamente povoado com estruturas residenciais e cerimoniais.

As casas e praças estavam ligadas por uma incrível rede de estradas e canais. A área fica à sombra de um vulcão que criou solos ricos, mas também pode ter levado à destruição da sociedade.

As cidades estão intercaladas com campos agrícolas retangulares e rodeadas por terraços nas encostas. Neles os habitantes desenvolveram plantações que incluíam milho, mandioca e batata doce, encontradas em escavações anteriores.

Estradas largas e retas ligavam as cidades entre si, e as ruas passavam entre as casas e os bairros dentro de cada povoado. “Estamos falando de planejamento urbano”, disse Fernando Mejía, arqueólogo da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

“Embora seja difícil estimar a população, o local abrigava pelo menos 10 mil habitantes e talvez até 15 mil ou 30 mil no seu auge”, disse o arqueólogo Antoine Dorison, coautor do estudo do mesmo instituto francês.

Esses números são comparáveis à população estimada de Londres na era romana, que era a cidade mais populosa da Grã-Bretanha dessa época, e era coetânea das cidades amazônicas agora achadas.

“Isso mostra uma ocupação muito densa e uma sociedade extremamente complicada”, disse Michael Heckenberger, arqueólogo da Universidade da Flórida, que não esteve envolvido no estudo.

A rede urbana descoberta alinha-se estreitamente com outras em locais que foram encontrados nas florestas tropicais
A rede urbana descoberta alinha-se estreitamente com outras
em locais que foram encontrados nas florestas tropicais
José Iriarte, arqueólogo da Universidade de Exeter, disse que elas exigiram um elaborado sistema de trabalho organizado para construir as estradas e milhares de montículos de terra.

Iriarte, que não participou da pesquisa, comentou: “Os incas e os maias construíam com pedras, mas o povo da Amazônia geralmente não tinha pedras disponíveis, então usavam barro. Ainda assim é uma quantidade imensa de trabalho”.

Os cientistas também encontraram evidências de sociedades intrincadas na floresta tropical em outros locais da Amazônia, notadamente na Bolívia e no Brasil, que antecederam o contacto europeu.

“Sempre houve uma diversidade incrível de pessoas e assentamentos na Amazônia, não apenas na forma de vida”, disse Rostain.

Conheciam-se cidades em elevações dos Andes, como Machu Picchu no Peru, mas acreditava-se que na Amazônia as pessoas viviam apenas de forma nômade ou em pequenos assentamentos, observou “La Nación”. Essa crença se revelou falha.

“Isso muda a forma como vemos as culturas amazônicas. A maioria das pessoas imagina pequenos grupos, provavelmente nus, vivendo em cabanas e limpando terras. Isso mostra que os povos antigos viviam em sociedades urbanas complexas”, diz o coautor Antoine Dorison.

Arqueólogos Rostain e Dorison apresentaram em Paris suas descobertas de urbes na Amazônia
Arqueólogos Rostain e Dorison apresentaram em Paris
suas descobertas de urbes na Amazônia
A cidade construída há 2.500 anos teria sido ocupada até cerca de 1.000 anos atrás.

“É o local mais antigo que conhecemos na Amazônia”, explicou o professor Rostain. “Isso mostra que temos que mudar a nossa ideia do que são cultura e civilização” na região amazônica.

Os arqueólogos fizeram um levantamento de uma área de 300 quilômetros quadrados usando sensores a laser com tecnologia LiDAR.

Assim identificaram 6.000 plataformas retangulares de 20 m por 10 m e 2-3 m de altura, organizadas em grupos de três a seis unidades em torno de uma praça com plataforma central.

Eles acreditam que muitas eram casas, e outras tinham fins cerimoniais. O complexo de Kilamope incluía uma plataforma de 140m por 40m.

As construções foram feitas cortando colinas e criando uma plataforma de terra no topo. Uma rede de estradas e trilhas retas conectava muitas plataformas, incluindo uma que se estendia por 25 quilômetros.

O Dr. Dorison disse que esses caminhos foram a parte mais surpreendente da pesquisa. “A rede rodoviária é muito sofisticada. Estende-se por uma grande distância, tudo está conectado. E há ângulos retos, o que impressiona”, afirma.

Há milenios, civilizações domesticaram a selva amazônica
Há milenios, civilizações domesticaram a selva amazônica
Ele explica que é muito mais difícil construir uma estrada reta do que uma que se encaixe na paisagem. Ele acredita que algumas tinham um “significado muito poderoso”, talvez ligado a um cerimônial ou crença.

As maiores estradas tinham 10 metros de largura e se estendiam por 10 a 20 quilômetros.

Os cientistas também identificaram calçadas com valas em ambos os lados, que acreditam serem canais que ajudavam a gerir a água abundante da região.

Havia sinais de ameaças às cidades: algumas valas bloqueavam as entradas dos assentamentos e podem ser indícios de que houve temores dos povos vizinhos.

Os pesquisadores encontraram pela primeira vez evidências de uma cidade na década de 1970. Mas este é o primeiro estudo abrangente concluído após 25 anos de pesquisa.

O estudo revela uma sociedade grande e complexa que parece ser ainda maior do que as sociedades maias do México e da América Central.

“Imagine se descobrissem outra civilização como a maia, mas com arquitetura, uso do solo e cerâmica completamente diferentes”, indagou o professor José Iriarte.

Algumas descobertas são “únicas” na América do Sul, explicou, destacando as plataformas octogonais e retangulares dispostas juntas.

Nas plataformas foram encontradas covas e casas, além de potes, pedras para moer plantas e sementes queimadas. Mas, não se sabe muito sobre as pessoas que viviam lá e como eram as suas sociedades.

O professor Rostain diz que no início de sua carreira os cientistas acreditavam que nenhum grupo civilizado havia vivido na Amazônia e que talvez não valesse a pena fazer a pesquisa.

“Mas sou muito teimoso, e agora estou muito feliz por ter feito uma descoberta tão grande”, afirma.

Mudança radical no conceito das populações amazônicas não eram selvagens nus
Mudança radical no conceito das populações amazônicas
não eram selvagens nus, mas civilizados vivendo em urbes
O próximo passo dos pesquisadores é aprofundar o conhecimento do que há numa área contígua de 300 quilômetros quadrados que precisa ser estudada.

A ideia de que a Amazônia era pouco habitada antes da chegada dos europeus cai cada vez mais por terra comentou “Climatempo”

A série de estradas enterradas e montes trabalhados de terra no Equador notada pela primeira vez pelo arqueólogo Stéphen Rostain, “era um vale perdido de cidades”, afirmou ele. “É incrível”.

Os assentamentos no Vale do Upano, foram ocupados num período mais ou menos contemporâneo ao Império Romano na Europa.

As cidades eram intercaladas por campos agrícolas retangulares e cercadas por terraços nas encostas, onde os habitantes plantavam diferentes itens, como milho, mandioca e batata doce – encontrados em escavações anteriores na região.

A área fica à sombra de um vulcão que possibilitou solos ricos para agricultura – mas que também pode ter destruido a sociedade.

Os povos Kilamope e Upano provavelmente se concentravam na agricultura.

“Estamos falando de urbanismo”, afirma o coautor do estudo Fernando Mejía, arqueólogo da Pontifícia Universidade Católica do Equador.

Embora seja difícil estimar as populações, o local abrigava pelo menos 10 mil habitantes, possivelmente até 15 mil ou 30 mil em seu auge, segundo o arqueólogo Antoine Dorison, número comparável à população estimada de Londres na era romana.

Infraestrutura agrícola bem organizados aproveitados até hoje
Infraestrutura agrícola bem organizada aproveitada até hoje
José Iriarte, arqueólogo da Universidade de Exeter, no Reino Unido, disse que teria sido necessário um sistema elaborado de trabalho organizado para construir todas essas estradas e milhares de montes de terra.

A nova descoberta no Equador foi possível graças a uma tecnologia de mapeamento chamada LiDAR. Ela permite que os pesquisadores vejam através da cobertura florestal e reconstruam os antigos locais abaixo dela.

“[Lidar] está revolucionando nossa compreensão da Amazônia nos tempos pré-colombianos”, explicou Carla Jaimes Betancourt, arqueóloga da Universidade de Bonn, na Alemanha, que não participou do estudo.