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domingo, 9 de dezembro de 2018

Prof. Molion: o aquecimento global
e as falcatruas em torno dele

Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion, a mais autorizada voz brasileira em climatologia
Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion, a mais autorizada voz brasileira em climatologia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Prof. Molion: absurdo atribuir ao homem o aquecimento climático



Catolicismo — O Sr. crê na ideia de que a aplicação do Protocolo de Kyoto produz efeitos no clima da Terra?

Prof. Molion — Sob o ponto de vista de efeito estufa e de aquecimento global, o Protocolo de Kyoto é inútil, assim como o serão quaisquer tentativas de reduzir as concentrações de carbono na atmosfera para “combater o efeito estufa”. 

Nele é proposta uma redução de 5,2% das emissões, comparadas aos níveis dos anos 1990. Estamos falando de cerca de 0,3 bilhões de toneladas de carbono por ano (GtC/a).

Para se ter uma ideia, estima-se que os fluxos naturais entre os oceanos, solos e vegetação somem cerca de 200 GtC/a. O grau de imprecisão admitido nessas estimativas, perfeitamente aceitável, é de 20%.

Isso representa um total de 40 GtC/a para cima ou para baixo (80 GtC/a), 13 vezes mais do que o homem coloca na atmosfera e 270 vezes a redução proposta por Kyoto.

Catolicismo — Atualmente não se fala mais da camada de ozônio. O que ocorreu?

Prof. Molion — Com a minha idade e conhecimento dessa área, já vi ocorrer num passado próximo algo muito semelhante, utilizando exatamente a mesma “receita”: a eliminação dos compostos de clorofluorcarbono-CFCs (Protocolo de Montreal), sob a alegação de destruírem a camada de ozônio.



Estado do buraco de ozônio em 3.12.2018. Fonte: NASA
Estado do buraco de ozônio em 3.12.2018. Fonte: NASA
Em minha opinião, foi uma grande farsa, um grande golpe econômico para que as indústrias detentoras de patentes dos substitutos –– que têm suas matrizes no G7, e lá pagam impostos sobre seus lucros – explorassem os países em desenvolvimento, particularmente os tropicais (Brasil, Índia...) que precisam de refrigeração a baixo custo.

Sabe-se que a concentração de ozônio depende da atividade solar, mais especificamente da produção de radiação ultravioleta (UV). Ou seja, o ozônio não filtra a UV, e sim a UV é consumida, retirada do fluxo solar para a formação do ozônio.

O sol tem um ciclo de 90 anos. Esteve num mínimo desse ciclo nas primeiras duas décadas do século XX e apresentou um máximo em 1957/58, Ano Geofísico Internacional, quando a rede de medição das concentrações de ozônio se expandiu e os dados de ozônio passaram a ser amplamente coletados e disseminados.

A partir dos anos 1960 a atividade solar (UV) começou a diminuir, e a camada de ozônio teve suas concentrações reduzidas paulatinamente.  

O sol está iniciando um novo mínimo do ciclo de 90 anos, e estará com atividade baixa nos próximos 22 anos, até por volta de 2035. 

O CO2 é indispensável no ponto de partida da produção alimentar. Sem, ele não só os vegetais, mas os animais e os homens morreriam de fome. E a terra viraria um deserto sem vida.
O CO2 é indispensável no ponto de partida da produção alimentar.
Sem, ele não só os vegetais, mas os animais e os homens morreriam de fome.
E a terra viraria um deserto sem vida. Foto: soja.
Nesse período a camada de ozônio atingirá seus valores mínimos desde que começou a ser monitorada. Mas, como os CFCs já foram praticamente eliminados, e a exploração econômica já foi resolvida, não se fala mais sobre o assunto.

Em princípio, o sol só voltará a um máximo, semelhante ao dos anos 1960, por volta do ano 2050. Só aí, possivelmente, é que a camada de ozônio venha atingir os mesmos níveis dos anos 1950/60.

O aquecimento global antropogênico segue a mesma “receita” que eliminou os CFCs. Esses gases estáveis, não tóxicos e não-corrosivos, tinham um terrível “defeito”: não pagavam mais direitos de propriedade (“royalties”).

Hoje se vê claramente quem foram os beneficiados por tal falcatrua. Os do aquecimento global antropogênico ainda não são óbvios, mas a História dirá!

Catolicismo — O que pode ser feito para o meio ambiente?

Prof. Molion — Usar os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL): atividades humanas que reduzam a poluição (note: poluição, e não CO2!) do ar, das águas e dos solos, reflorestamento de áreas degradadas. São medidas sempre muito bem-vindas, e devem ser apoiadas.

É importante não confundir conservação ambiental com mudanças climáticas. Aqueça ou esfrie, temos de conservar o ambiente.

Boatos ambientalistas: aquecimento global aumentaria epidemias espalhadas por mosquitos.
Boatos ambientalistas: aquecimento global aumentaria epidemias espalhadas por mosquitos.
Catolicismo — A elevada concentração na atmosfera de CO2 e outros gases que supostamente causam o efeito estufa não interferem na saúde humana?

Prof. Molion — O principal gás de efeito estufa, se é que esse efeito existe, é o vapor d’água (água na forma de gás). Em alguns lugares e ocasiões sua concentração chega a ser 100 vezes superior à do CO2.

Este, por sua vez, é um gás natural, é o gás da vida. Na hipótese, altamente improvável, de eliminarmos o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra.

O homem e os outros animais alimentam-se das plantas. Eles não produzem os alimentos que consomem. São as plantas que o fazem, por meio da fotossíntese, absorvendo CO2 e produzindo amidos, açúcares e fibras.

Outros gases, como metano e óxidos de nitrogênio, estão presentes em concentrações muito baixas, que não causam problemas.

Fala-se muito que o aumento da temperatura global provocaria ipso facto uma proliferação do número de doenças que dependem de mosquitos como vetores (febre amarela, malária, dengue, por exemplo).

Prof. Molion: o CO2 é o gás da vida
Prof. Molion: o CO2 é o gás da vida
Convém lembrar que a malária matou milhares de pessoas na Sibéria nos anos 1920, um período muito frio, e que já foi encontrado Aedes aegypti vivendo a –15°C (abaixo de zero).

Esses mosquitos continuam matando seres humanos e já sobreviveram a climas mais quentes e mais frios.

Portanto, o problema seria mais de saneamento básico do que de clima.

Entretanto, todo esforço que se fizer para diminuir a poluição do ar, águas e solos será muito benéfico para a humanidade.

A propósito, as concentrações de metano se estabilizaram nos últimos 20 anos, embora continuem a se expandir as atividades agropecuárias, como orizicultura e pecuária ruminante.

Catolicismo — Essa questão do metano está sendo muito falada.

A pressão ambientalista aponta a pecuária e o desmatamento como os principais vilões no Brasil.

Ambientalistas holandeses chegam a apresentar o desenho de um boi poluindo mais que quatro veículos...

Prof. Luiz Carlos Molion , Palestra na 61ª Reunião Anual da SBPC. Foto Antonio Cruz-ABr

Prof. Molion — O metano é resultante da fermentação anaeróbia da matéria orgânica (vegetal e animal).

Arrozais, animais ruminantes e cupins são produtores de metano.

Ambientalistas falam contra a pecuária, mas parecem não entender nada sobre ela
Ambientalistas falam contra a pecuária, mas parecem não entender nada sobre ela
Também o são as áreas com vegetação alagadas periodicamente (como os milhares de hectares das várzeas amazônicas).

Entretanto, apesar de as áreas cultivadas com arroz terem aumentado e os ruminantes estarem crescendo à taxa de 17 milhões de animais por ano (o Brasil já passou de 200 milhões de cabeças), a concentração de metano se estabilizou, segundo as medições da rede da NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, irmã da NASA, USA), e tem mostrado taxas anuais negativas (ou seja, decréscimo de concentração).

Ninguém sabe o porquê disso, nem mesmo o maior especialista em metano, Aslam Khalil, da Universidade Estadual de Portland (EUA).  

Os nossos rizicultores e pecuaristas podem, portanto, respirar aliviados, pois não têm culpa alguma.

Em minha opinião, o metano chegou à concentração de saturação nas condições de temperatura e pressão atmosférica atuais.

O metano adicional (já que as fontes continuam aumentando) que vem sendo lançado na atmosfera está sendo absorvido, muito provavelmente pelos oceanos.

O sol é o que determina o aquecimento maior ou menor da Terra.
O sol é o que determina o aquecimento maior ou menor da Terra.
Mais uma evidência de que as atividades humanas não alteram nem a concentração atmosférica dos chamados gases de efeito estufa nem o clima (ou temperatura) do planeta. Ao contrário, sua concentração é dependente da temperatura.

Como o planeta vem esfriando, e haverá um resfriamento global nos próximos 20 anos, as concentrações desses gases vão diminuir.

Começou com o metano e chegará a vez do CO2. Mas isso é negado na palhaçada em Copenhague, por ocasião da reunião da COP 15.

Catolicismo — O Sr. gostaria de fazer algumas considerações finais?

Prof. Molion — O homem não tem condições de mudar o clima global, mas grande capacidade de modificar/destruir seu ambiente local.

Os oceanos, juntamente com a atividade solar,
são os principais controladores do clima global.
A Terra se compõe de 71% de oceanos e 29% de continentes.

A metade desses 29% é constituída de gelo (geleiras) e areia (desertos), enquanto 7 a 8% do restante encontram-se cobertos com florestas nativas e plantadas.


O homem manipula, então, cerca de 7% da superfície global, não podendo portanto destruir o mundo.

Os oceanos, juntamente com a atividade solar, são os principais controladores do clima global.

Mas existem outros controladores externos, como aerossóis vulcânicos, e possivelmente raios cósmicos galácticos, que podem interferir na cobertura de nuvens.

Em resumo, o clima da Terra não é resultante apenas do efeito estufa ou do CO2 e sua concentração. 

 Ele é produto de tudo aquilo que ocorre no universo e interage com o nosso planeta.

Como foi dito, a conservação ambiental independe de mudanças climáticas e é necessária para a sobrevivência da humanidade.

(Fonte: “Catolicismo”, janeiro 2010)

Vídeo: Prof. Luiz Carlos Molion: não existe aquecimento global





Prof Molion critica do ponto de vista científico a encíclica do Papa Francisco





5 comentários:

  1. "Aqueça ou esfrie, temos de conservar o ambiente." É muito simples o que cada cidadão deve fazer, só não sei porque tem gente que faz um escando com esse assunto.

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  2. Prezado anônimo.

    É exatamente essa a idéia. E para isso, precisamos de cada vez mais tecnologia e principalmente, cada vez mais capitalismo e não intervenção estatal e ongs ambientalistas mandando o que empresas, pessoas e governos devem fazer ou não.

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  3. Olá,

    Alguns dizem que há interesses por trás desse tal de aquecimento global. Pode até haver alguns que se aproveitam no meio de uma coisa midiática tão grande, mas enquanto o absurdo empirismo dessa gente que comanda e domina essa questão não aplicar as ciências de conhecimento universal e assim continuar cometendo erros tão absurdos e elementares da física básica, podem deixar que se trata apenas de ignorância científica mesmo e, por isso, uma “conspiração” climática mundial não se sustenta. E ja deram muitas provas disso, em seus “modelos” fajutos (os quais são ajustados para darem os resultados desejados, que absurdo!!), em publicações de revistas, em “previsões”, etc. Primeiro eles têm que entender bem e resolver cientificamente a questão, como eu já a resolvi, modestamente, o que o Molion não conseguiu, antes de afirmarem que há conspiração, por uma questão de lógica e bom senso.

    Quem comanda e domina essa questão no mundo é o IPCC e seus meteorologistas, climatologistas, hidrologistas, etc, os quais, para afirmar que existe aquecimento “global”, absurda e ingenuamente relacionaram um aumento de temperatura com um aumento de CO2. Mas, para constatar que há aumento do efeito estufa não basta uma simples e ingênua relação de um parâmetro com outro, pois na atmosfera há muitos outros parametros que precisam ser relacionados entre si para podermos realmente constatar um aumento de aquecimento atmosférico. E tais relações são baseadas na teoria física da questão, o que não se vê os profissionais acima relacionados fazerem, por isso erram tanto e tão absurdamente. E falo isso não apenas em relação às coisas que se vê na mídia, mas em relação às publicações de suas revistas internacionais, cujos artigos deveriam ser um primor de ciência, mas não são, são muitos e enormes absurdos mesmo.

    Além de eles terem relacionado somente um único parâmetro com outro, eles escolheram apenas as partes da história em que há os referidos aumentos, mas há outras partes da história em que há reduções desses parametros que não foram considerados por eles. É nessa hora que entra o Molion, que escolheu para suas afirmações exatamente o lado contrário dos outros, ou seja, quando os referidos parâmetros decrescem, cometendo o mesmo erro, só que do lado contrário. Vale lembrar que o Molion é tambem meteorologista e, como os outros empíricos, só depende de dados experimentais, os quais têm uma variabilidade natural complexa que confunde se as análises não forem ajudadas pela verdadeira teoria científica. Trabalhei e tenho trabalhado teórica e experimentalmente com sistemas de aquecimento atmosferico e posso dizer que quase tudo que tem sido dito sobre o tal do aquecimento “global” está essencialmente errado, inclusive pelo Molion.

    Por incrível que pareça, o ser humano é sim capaz de causar mudanças climáticas, mas não do jeito que dizem. Com poucas palavras, faço qualquer um entender como o ser humano pode sim interferir no clima. Enquanto isso, conheçam mais em http://sartori-aquecimentoglobal.blogspot.com.

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  4. Os comentários estão com datas anteriores à data da postagem.
    Como isso se explica?

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  5. A entrevista que republicamos agora saiu em janeiro de 2010!!! Está indicado na fonte em cada post, e também na introdução à entrevista no primeiro post.
    É natural que o passar dos anos desatualize muito e muito comentário de pouco valor.
    Mas, atualizando nosso blog (comandos, links, etc) ficamos admirados pela atualidade das explicações e informações fornecidas pelo prof. Molion, sinal de objetividade e veracidade.
    Também ficamos pasmos pelas centenas de agradecimentos e elogios recentes ao sapiente professor pelas mesmas razões, no vídeo que reproduzimos no post e que está instalado em Youtube (basta clicar no vídeo onde diz Youtube para vê-los).
    Republicamos então considerando a atualidade, até candente depois dos Acordos de Paris, eleições brasileiras, posicionamentos de Trump, "coletes amarelos" na França, etc., etc. Nada foi modificado.
    Preservamos os comentários antigos em atenção a seus autores.

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