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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Encíclica Laudato Si’ causa perplexidades entre os católicos e regozijo nos extremismos de esquerda




No dia 16 de julho p.p., por iniciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, no Club Homs da capital paulista o autor deste post introduziu sua palestra lembrando que uma Encíclica é um documento de grande autoridade magisterial dirigido a todo o orbe católico.


Porém, a Laudato Si não se dirige só aos católicos, mas, segundo explicou o Prof. Alberto Gambino, da Universidade Europeia de Roma, “a todos os que têm sensibilidade pela [...] deterioração do meio ambiente”, crentes ou não.



Esse caráter plurirreligioso e pluricultural ficou evidente na mesa que apresentou a Encíclica.

Ao lado do Cardeal Peter Turkson estavam o metropolita cismático John Zizioulas; o prof. Hans Joachim Schellnhuber, ativista que veicula teses malthusianas das mais radicais; e a professora chinesa Carolyn Woo, presidente do Catholic Relief Services, agência internacional que financia ONGs opostas ao ensinamento católico, promovem o aborto e recrutam ativistas LGBT.

A Encíclica reproduz também “ensinamentos” de fonte não católica, como os do sufi muçulmano Ali Al-Khawwas, apresentado como “mestre espiritual”.

E, como contabilizou o Prof. Evaristo Eduardo de Miranda, pesquisador da Embrapa e doutor em Ecologia, ela emprega 74 vezes a palavra “natureza”, 55 vezes “meio ambiente” e uma só vez “Jesus Cristo”.

Foi esclarecido para o auditório que o Papa recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o dom da infalibilidade, dom cuja extensão ficou muito bem expressa em Pastoral coletiva dos bispos da Suíça de 10 de agosto de 1871 nos seguintes termos:

“O Papa não é infalível nem como homem, nem como sábio, nem como sacerdote, nem como bispo, nem como príncipe temporal, nem como juiz, nem como legislador.

“Não é infalível nem impecável na sua vida e procedimento, nas suas vistas políticas, nas suas relações com os príncipes, nem mesmo no governo da Igreja.

“É única e exclusivamente infalível quando, como Doutor supremo da Igreja, pronuncia em matéria de fé ou de costumes uma decisão que deve ser aceita e tida como obrigatória por todos os fiéis” (Mons. Joseph Fessler, La vraie et la fausse infaillibilité des papes, Plon, Paris, 1873).

Também foi observado que a Laudato Si' contém três partes principais apoiadas umas nas outras. Sobre a primeira, de natureza científica, falou o Prof. Molion com toda autoridade e suma competência.

Na segunda parte, a Encíclica correlaciona o estado do meio ambiente com reflexões de natureza econômica, social e política. É também um campo ao qual a infalibilidade do Papa não se estende.

Na terceira parte, a Encíclica faz longas reflexões morais, filosóficas e religiosas com base nas duas primeiras partes.

A segunda parte, econômica, social e política, suscitou inúmeras repercussões no mundo inteiro.

Para Miguel Angel Belloso, diretor da revista espanhola “Actualidad Económica”, de Madri, falando como católico, o documento é a expressão de “um Papa pessimista e injusto”.

Segundo ele, o Papa Francisco lança “ideias sem o acompanhamento de um único dado, como se fossem um dogma de fé, que não resistem à menor análise empírica e estão completamente erradas. [...]

“Francisco é um Papa decididamente político, um socialista convencido [...] Nesta desastrosa encíclica, Francisco [...] converteu-se num poderoso aliado das teses errôneas da esquerda” (“Diário de Noticias”, Lisboa, 26-6-2015).

No mesmo sentido o “Catholic Herald”, a mais antiga revista católica inglesa, estimou que “as análises de Francisco” ignoraram o “cenário de um incremento colossal da esperança de vida e da saúde como consequência do desenvolvimento econômico. E em muitas zonas do mundo, o ambiente está a melhorar espetacularmente” (“Diário de Noticias”, Lisboa, 26-6-2015).

O Prof. Denis Lerrer Rosenfield, da UFRGS, observou que sob a governança mundial propiciada pela Laudato Si, “o Brasil deveria abdicar de sua soberania. [...] As ONGs ambientalistas e indigenistas são erigidas em novo poder mundial.

“A decisão última seria transferida para elas, contando, internamente, com a participação ativa — e decisiva — da CNBB e de seus órgãos, como a CPT e o Cimi. Ou seja, um país como o Brasil poderia perder ‘religiosamente’, ‘moralmente’, ‘ecologicamente’ e ‘socialmente’ a Amazônia” (“O Estado de S. Paulo”, 29-06-2015).

O filósofo hebreu Guy Sormann concluiu seu artigo intitulado Vade retro perguntando:

“O homem tem que se submeter à Natureza ou o inverso? O homem é um pecador quando não se prosterna diante da deusa Terra? Esta encíclica, parece-me, não é um manifesto político, mas uma bomba teológica” (“ABC de Sevilla”, 29-6-2015).

Para o Prof. José Manuel Moreira, da Universidade de Aveiro, a “encíclica pró-verde” apresenta uma “preocupante mistura de slogans da esquerda radical”.

E o “Investors Business Daily” conclui que “o Vaticano está infiltrado por seguidores de um movimento radical verde que é, no seu âmago, contrário ao Cristianismo” (Sapo.pt, 02-07-2015).

Na Argentina, o Prof. Roberto Cachanosky explicou que “a mensagem de Francisco deixa aberta a porta para o conflito social. [...] mal assessorado, ou talvez por ter uma ideologia peronista, Francisco incrementa a pobreza, a indigência e o desemprego. [...] Grande favor faria se denunciasse com firmeza os governos corruptos e autoritários que pululam na América Latina” (URGENTE24, 13-07-2015).

Acrescentei que obviamente a Laudato Si' também colheu aplausos de outros pontos do horizonte mundial, notadamente do macrocapitalismo publicitário, dos ambientes científicos alarmistas e das esquerdas em geral.

A partir de Galileu, no século XVI, o ambiente científico repelia a opinião da Igreja sobre as ciências como sendo ingerência inquisitorial.

Mas agora, segundo o “Estado de S. Paulo”, cientistas engajados no ambientalismo alarmista radical estão “dando ‘graças a Deus’ por ter uma figura carismática e forte como papa Francisco falando sobre assuntos que para eles nem sempre são tão fáceis” (edição de 15-6-15).

O ex-frade Leonardo Boff elogiou a Encíclica porque “nem a ONU produziu um texto desta natureza” e por pregar uma “ecologia integral [...] que supõe uma visão evolucionista do universo” (UNISINOS, 18-06-2015).

Para Frei Betto, “o Papa faz eco à produção da Teologia da Libertação sobre a questão ambiental [...]. Ao citar Teilhard de Chardin, censurado pela Igreja enquanto viveu, o Papa [...] enfatiza que, em definitivo, a Igreja Católica abraça a teoria evolucionista e a visão holística do Universo” (Adital, 16-07-2015)

“Sem ânimo de desmerecer o discurso e o esforço de Jorge Mario Bergoglio”, Ignacio Denis Del Rosario, venezuelano graduado no Instituto Latinoamericano de Agroecologia Paulo Freire (IALA), disse que a encíclica nada acrescenta aos ensinamentos do “comandante” Fidel Castro desde os anos 60 e notadamente na Eco-92, no Rio de Janeiro.

Ele auspiciou “uma complementariedade entre ambos, confiando plenamente na extraordinária coragem do Papa Francisco” (Aporrea, 01-07-2015).

Não espanta então que o líder do MST, João Pedro Stédile, tenha declarado à “Folha de S. Paulo”: “Os trabalhadores têm quem? Chávez morreu, Fidel está doente. O Francisco tem assumido esse papel de liderança, graças a Deus. Ele tem acertado todas”.

O lobo vermelho ficou verde


Para "Il Corriere della Sera" há uma relação profunda ente o presente de Evo a Francisco I e o marxismo do governo do Tsipras: os dois são filhos de um erro histórico: acreditar que o comunismo tinha morrido com a queda da URSS e do Muro de Berlim.
Para "Il Corriere della Sera" há uma relação profunda ente o presente de Evo a Francisco I
e o marxismo do governo do Tsipras: os dois são filhos de um erro histórico:
acreditar que o comunismo tinha morrido com a queda da URSS e do Muro de Berlim.
Em resumo, lembrei que o astuto lobo vermelho comunista, que andava sumido e foi considerado morto, na realidade tingiu seus pelos de verde e retornou.

Acolheram-no a “Teologia da Libertação”, a grande mídia e muitas ONGs, e ele infelizmente se infiltrou no Vaticano, onde tenta realizar seu tóxico sonho disfarçado de ambientalismo.

Em face desse problema, nada me parece mais apropriado do que as palavras dirigidas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ao Papa Paulo VI, engajado no século passado numa política de aproximação com o comunismo vermelho:

“De joelhos, fitando com veneração a figura de S.S. o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade. Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe” (“Folha de S. Paulo, 10-4-1974).

Esta é a posição mais respeitosa e equilibrada diante do lobo vermelho que avança travestido de verde.

Após os palestrantes responderem a numerosas perguntas, a sessão foi encerrada pelo Dr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Em seguida houve um animado coquetel, no qual os participantes tiveram ocasião de manifestar sua satisfação com as matérias expostas.

Video: Encíclica Laudato Si’ causa perplexidades entre os católicos e regozijo nos extremismos de esquerda




domingo, 26 de julho de 2015

No IPCO, Molion faz crítica científica da encíclica Laudato Si’

Molion: a encíclica acolhe mistificações sem base na ciência
Molion: a encíclica acolhe mistificações sem base na ciência
Luis Dufaur





No dia 16 de julho p.p., por iniciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, palestraram no Club Homs da capital paulista o Prof. Luiz Carlos Molion e o autor deste post.

O Prof. Molion é meteorologista, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas. Ele assestou o foco nos aspectos científicos da Encíclica Laudato Si'.

Ele observou as múltiplas impropriedades, do ponto de vista da ciência, contidas na recente Encíclica, pois adota hipóteses controvertidas como se fossem resultantes de um consenso entre os especialistas.

Também sublinhou que o termo “consenso” jamais pode ser usado na ciência, pois é ele mais próprio da política e de seus conchavos. A ciência é questionadora por natureza.

O Prof. Molion explicou que a análise dos dados dos últimos 420 mil anos registra sucessivas eras glaciais com cerca de 100 mil anos de duração cada uma, interrompidas por períodos quentes ou interglaciários de 10 a 12 mil anos de duração.

A última glaciação ocorreu há 130 mil anos. Nesse período, pode-se constatar que o CO2 nunca causou alteração da temperatura. Pelo contrário, ele acompanhou as mudanças da temperatura com um atraso de 800 a mil anos, ou até 5 mil.

O CO2 é um seguidor e não um condutor. O grande controlador do CO2 na atmosfera são os oceanos, que constituem 71% da superfície da Terra. Dos 510 milhões de quilômetros quadrados do Planeta, 361 milhões são cobertos pelos oceanos.

Segundo o abalizado especialista, vivemos hoje num período interglacial iniciado há cerca de 15 mil anos. Nos interglaciários anteriores, a temperatura atingiu de 6º a 10º acima da atual.

Qual era a atividade humana que aqueceu o planeta? perguntou o palestrante. Nessas épocas nem existia o Homo Sapiens!

Esse aquecimento apenas se explica por processos físicos naturais, independentes de qualquer presença ou atividade humana.

O auditório encheu para ouvir as explicações do prof. Molion sobre a Laudato Si'
O auditório encheu para ouvir as explicações do prof. Molion sobre a Laudato Si'
A história da Humanidade civilizada que conhecemos transcorreu nos últimos 10 mil anos, tendo havido quatro períodos muito mais quentes que o atual: o ótimo do Holoceno, há 8 mil anos; o Minuano quente, ocorreu 3.500 anos atrás e correspondeu à civilização de Minos; o Romano quente — entre 400 a.C. a 300 d.C. — que inclui a época da vida de Cristo; e o Medieval quente, entre 900 e 1250 ou 1300 d.C.

Entre 1350 e 1850, quiçá até inicio do século XX, houve um período frio em que a temperatura média da Europa ficou 2ºC abaixo da atual.

O interglacial em que vivemos tende ao resfriamento. Já passamos pelo máximo de calor 6 mil anos atrás e estamos rumando bem devagar para uma nova era glacial. Ninguém precisa se preocupar, pois para se chegar a 8º ou 10º abaixo do que está hoje levará cem mil anos.

De acordo com o Prof. Molion, fica assim claro que o Papa Francisco foi muito mal assessorado na redação da Encíclica.

O documento papal também recolhe a ideia de um aumento catastrófico do nível dos mares. Em 2007, o Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) previa um aumento de 59 cm até 2100; em 2013 sua previsão saltou para 98 cm.

E o líder aquecimentista Al Gore afirma em seu laureado trabalho que o aumento seria de 6 metros! Só que, apesar desse salto vertiginoso, ele comprou uma mansão em Montecito, na Califórnia, pelo valor de 9 milhões de dólares, bem junto à praia...!

O palestrante mostrou que é impossível medir o nível do mar, pois ele não se trata de um sólido contínuo e está exposto a mudanças determinadas por fenômenos astronômicos!

A Encíclica trata também de “eventos extremos" de natureza climática. O que é isso? Um evento extremo é um estado atmosférico momentâneo, não é clima! No clima, o que se considera é a média de tudo, e não apenas um momento extremo.

“Eventos extremos” sempre ocorreram. A pior seca do Nordeste foi em 1877-1879. Na região metropolitana de São Paulo, segundo os pluviômetros, a década com maiores tempestades foi de 1941 a 1950. E a pior enchente que São Paulo já teve foi em janeiro de 1929!

Não tem nada a ver com o aquecimento global!

O professor Molion ilustrou os pontos falhos da Laudato Si' do ponto de vista científico.
O professor Molion ilustrou os pontos falhos da Laudato Si'
do ponto de vista científico.
O Prof. Molion também desmitificou outras frases soltas no documento que não se sabe de onde saíram, tais como o medo de descongelamento do permafrost (terra congelada no Ártico) e a liberação de quantidades catastróficas de gás metano por essa e outras vias.

Também neste ponto, a Encíclica acolhe uma mistificação sem base na ciência.

Segundo o expositor, em matéria de efeito estufa o documento papal está totalmente equivocado e deve ser completamente repensado em função dos conhecimentos básicos da física.

Outra questão afirmada sem fundamento é a acidificação dos oceanos. Quanto ácido seria preciso para acidificar os oceanos? É inimaginável.

Resumidamente, o professor concluiu: o clima varia por causas naturais; “eventos extremos” sempre ocorreram; o CO2 não controla o clima global e é o gás da vida; sem CO2 acabariam as plantas, os animais e os homens; sem energia, inclusive a nuclear, os países pobres não sairão da pobreza.

Afirmou ainda que é muito preocupante o Papa defender na Encíclica uma governança mundial para se controlar as emissões de gás.


Video: No IPCO, Molion faz crítica científica da Laudato Si’




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cientistas preveem mini-idade do gelo

O rio Tamisa, Londres, congelado na anterior mini-Idade do Gelo, século XVII
O rio Tamisa, Londres, congelado na anterior mini-Idade do Gelo, século XVII



Do site FAKECLIMATE

Um grupo de cientistas vaticina irregularidades na atividade solar dentro de cerca de 15 anos, e que poderemos ter que encarar uma “mini-Idade do Gelo” a partir de 2030.

Esta tese resulta de um novo modelo de ciclo solar que consegue prever que a atividade do Sol vai ficar reduzida em cerca de 60% durante a década de 2030.

A confirmar-se esse cenário, viveremos condições semelhantes às que se verificaram aquando da chamada “mini-Idade do Gelo” que começou em 1645.

Até agora nunca nenhum modelo científico tinha conseguido prever com precisão as flutuações na atividade solar, algo que a professora de Matemática Valentina Zharkova, da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, e os seus colegas de estudo acreditam ter finalmente conseguido.

Feira sobre a Tamisa congelada, fevereiro 1814.jpg
Feira sobre a Tamisa congelada, fevereiro 1814.
“Encontramos componentes de onda magnética que aparecem aos pares, originários de duas capas diferentes no interior do Sol. Ambas têm uma frequência de aproximadamente 11 anos, ainda que esta frequência seja ligeiramente diferente e se compensem no tempo.

“Durante o ciclo, as ondas flutuam entre os hemisférios Norte e Sul do Sol. Combinando ambas as ondas juntas e comparando-as com os dados reais para o ciclo solar atual, descobrimos que as nossas previsões mostraram uma precisão de 97%”, destaca Valentina Zharkova, citada pela Europapress.

Com base nestas conclusões, depois das análises feitas no Observatório Solar Wilcox na Califórnia, este grupo de cientistas acredita poder dizer com exatidão que no Ciclo Solar 26, que se refere ao período entre 2030 e 2040, haverá uma redução significativa na atividade do Sol pelo fato de as suas ondas magnéticas ficarem “fora de sincronização”.

“No Ciclo 26, as duas ondas refletem-se exatamente entre si: chegando ao mesmo tempo, mas em hemisférios opostos do Sol.

“A sua interação será prejudicial, até quase anularem-se entre si. Prevemos que isto dará lugar a um mínimo de atividade solar”, destaca a investigadora.

Patinadores sobre o rio Sena na anterior mini-idade de gelo, Paris 1608. (Museu Carnavalet, Paris).
O memorialista Saint-Simon conta que as taças de água congelavam na mesa do rei Luis XIV.
ZAP

domingo, 12 de julho de 2015

Totalitarismo verde e planetário
impulsionado por uma Igreja nova?
Reflexões sobre a Laudato Si’

A encíclica Laudato Si' aponta contra os ricos, a propriedade privada
e a soberania nacional, diz Rosenfield
Luis Dufaur




O professor e articulista Denis Lerrer Rosenfield teceu atualizados comentários sobre a encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, dedicada a questões ambientais.

O prof. Rosenfield tem-se posicionado contra a interferência do Estado na vida dos cidadãos. Porém, lendo a encíclica chegou à conclusão que essa abre o caminho para um intervencionismo ainda maior.

Um intervencionismo planetário que desconhece as soberanias nacionais. E a fortiori, a do Brasil. E estabelece uma espécie de ditadura universal como até agora nunca se tentou.

Utopia com tonalidades religiosas, cujo Evangelho se encontraria nas pregações subversivas indigenistas, e teria nas ONGs e nos 'movimentos sociais' os agentes de uma nova KGB verde sob as bênçãos de uma Igreja também ‘nova’ que não mais cultua Jesus Cristo, mas a Mãe Terra.

Reproduzimos a continuação excertos do artigo “O papa e a Amazônia” publicado no O Estado de S. Paulo, 29.06.15.




O papa e a Amazônia

O papa critica fortemente as grandes empresas internacionais que estariam preocupadas só em saquear os recursos naturais de regiões de grande biodiversidade como a Amazônia, a bacia do Congo e os grandes lençóis freáticos e glaciares. Aliás, são as três únicas regiões do mundo referidas no documento.
Denis Lerrer Rosenfield, professor de Filosofia na UFRGS
Denis Lerrer Rosenfield,
professor de Filosofia na UFRGS

Nesse sentido, ele seria contra a “internacionalização” política dessas áreas do planeta. Aparentemente, ele seria contra a internacionalização da Amazônia, entendida como uma forma de dominação de grandes empresas e dos países mais desenvolvidos.

A imprensa nacional tomou essa formulação pelo valor de face, ressaltando o fato de o Santo Padre defender a soberania nacional, no caso brasileiro, da Amazônia.

Logo, o Brasil não teria com o que se preocupar.

Uma leitura atenta do documento, contudo, permite desvelar outra concepção.

A Amazônia, mais especificamente, é considerada um dos grandes pulmões do planeta. É vital para o conjunto da Terra, enquanto Criação divina, e para o futuro da humanidade.

Ou seja, ela não pode ficar à mercê dos grandes “interesses econômicos internacionais” — nem, poderíamos acrescentar, da soberania do Brasil, pois ela é, na verdade, um patrimônio internacional, da humanidade, uma obra-mestra da Criação, foi Deus o seu artífice.

Atentar contra a Amazônia significaria atentar contra um pulmão do mundo, talvez o mais importante, e, teologicamente, contra a Criação.

Isto é, moral e religiosamente o Brasil se veria destituído de soberania sobre essa porção de seu território.

Em linguagem papal, “torna-se indispensável criar um sistema normativo que inclua limites invioláveis e assegure a protecção dos ecossistemas, antes que as novas formas de poder derivadas do paradigma tecno-económico acabem por arrasá-los não só com a política, mas também com a liberdade e a justiça” (a ortografia é de português de Portugal).

Índios, ONG, teologia da liberação entre outros seriam os agentes preferidos do governo mundial verde auspiciado pela nova religião universal
Índios, ONG, teologia da liberação entre outros seriam os agentes preferidos
do governo mundial verde auspiciado pela nova religião universal

O novo sistema normativo, moralmente fundado, passaria a ser exercido por organismos internacionais e ONGs nacionais e internacionais, ambientalistas e indigenistas, que passariam a ditar o que pode ou não ser feito neste enorme território nacional.

A decisão última seria transferida do Estado nacional para elas, contando, internamente, com a participação ativa — e decisiva — da CNBB e de seus órgãos, como a CPT e a Cimi.

Ou seja, um país como o Brasil poderia perder “religiosamente”, “moralmente”, “ecologicamente” e “socialmente” a Amazônia, que passaria a ser controlada por essa nova espécie de poder.

A construção da Usina de Belo Monte e outras na Amazônia se tornariam inviáveis.

Na perspectiva papal, os interlocutores privilegiados seriam os indígenas e, principalmente, seus porta-vozes de ONGs e movimentos sociais, pois deveria caber essencialmente às “populações aborígines” o cuidado da “Casa Comum”.

Não poderia um país decidir o que fazer com o pulmão do mundo, que seria, moralmente e religiosamente, propriedade de todos os membros do planeta, da Obra divina.

O Brasil deveria, realmente, abdicar de sua soberania.

Seguindo a linha dos movimentos sociais, centra sua crítica no agronegócio em geral, principalmente na monocultura e nas empresas proprietárias de grandes extensões de terra.

Seu elogio reside no acolhimento da agricultura familiar, da pequena propriedade e das populações aborígenes.

O “clamor da natureza” se identificaria com o “clamor dos pobres”.

Salientem-se igualmente suas constantes investidas contra o “lucro” e o “egoísmo”.

Sua concepção está baseada numa relativização da propriedade privada.

No Rio, durante a JMJ 2013. As ONGs ambientalistas e indigenistas  serão erigidas em novo poder mundial com o beneplácito da Igreja
No Rio, durante a JMJ 2013. As ONGs ambientalistas e indigenistas
serão erigidas em novo poder mundial com o beneplácito da Igreja
Há, portanto, nesse documento uma confluência de questões ambientais, religiosas, morais e sociais, fazendo dos porta-vozes dos pobres e de questões ambientais os verdadeiros representantes de uma nova humanidade a ser construída.

As ONGs ambientalistas e indigenistas são, então, erigidas em novo poder mundial — entendido como se fosse uma espécie de poder moral.

Elas se estariam tornando uma espécie de novo Evangelho, como se suas concepções pudessem ser, de certa maneira, identificadas como uma nova forma de religiosidade universal.

Isso é, elas passariam a ser um tipo de poder supranacional que contaria com o beneplácito da Igreja, que as sustentaria nas críticas que recebem dos países onde operam.

Os movimentos sociais de esquerda e as ONGs ambientalistas e indigenistas nacionais e internacionais seriam, nessa perspectiva, não apenas os representantes dessa nova humanidade, mas os interlocutores privilegiados do mundo político em escala planetária.

Teríamos, aqui, uma nova forma de poder político, tido por moral em sua essência, que não poderia ser limitado por nenhuma forma de poder nacional.


Habemus papam ecologistum

Evaristo E. de Miranda é Pesquisador da Embrapa,
doutor em ecologia, diretor do Instituto Ciência e Fé.


Evaristo E. de Miranda



A encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, emprega 74 vezes a palavra “natureza”, 55 vezes “meio ambiente” e uma só vez a expressão “Jesus Cristo”, aquela que designa a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Já o mestre galileu, não divinizado, chamado apenas de Jesus, aparece 22 vezes, o mesmo número de citações do termo “tecnologia” e menos de metade da “ciência”, evocada 55 vezes. Contudo, a Academia Pontifícia de Ciências, com mais de uma dezena de prêmios Nobel, parece não ter contribuído muito e não é evocada. A palavra democracia não existe no texto.

A encíclica é densa. Merece leitura, estudo e reflexão. Nela, a questão ecológica é abordada, não apenas em sua dimensão “natural” stricto sensu. O documento aborda seu contexto humano, social, político, religioso e cultural.

O texto não é dirigido apenas a bispos e católicos. Fato raríssimo, o Papa fala na primeira pessoa do singular. Ele deixa de lado o “Nós”, o plural majestático, característico de pronunciamentos pontifícios.

Ele se dirige aos crentes (judeus, muçulmanos...) e aos não crentes. Para falar à humanidade, o Papa evoca a responsabilidade de todos em gerir a terra como a nossa casa comum. Ele defende um crescimento econômico com temperança e sobriedade, fundado na mudança de comportamentos.

Novos “ismos”


A encíclica não usa uma única vez as palavras capitalismo e socialismo. Apenas ao evocar a história, menciona o nazismo e o comunismo. Já alguns “ismos”, de natureza eminentemente comportamental, são de uso amplo no texto: consumismo, individualismo, relativismo, antropocentrismo, realismo, condicionalismo e ceticismo.

A encíclica repercutiu positivamente na mídia. O dever jornalístico levou a muitos artigos e editoriais com pretensão de resumir o documento. Tarefa difícil. Outros ainda fizeram e fazem leituras seletivas do documento para sustentar, justificar ou ampliar suas teses tradicionais. Tem gente que não leu e gostou. Outros não leram e não gostaram. Sobre um documento que coloca muitos questionamentos, cabem algumas questões pouco lembradas.

Ciente da complexidade do tema abordado, o Papa Francisco reitera:
“Há discussões sobre problemas relativos ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. Repito uma vez mais que a Igreja não pretende definir as questões científicas nem substituir-se à política, mas convido a um debate honesto e transparente, para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum.” (188).
Pode-se indagar: os homens e as sociedades podem ser geridos por consenso? Existe alguma nação funcionando por consenso? Quais ideologias lesam o bem comum? Quem pode identificá-las? Qual a diferença entre necessidades (termo da encíclica) e interesses (termo na mídia) particulares na temática ambiental?


Faltou equilíbrio à encíclica.
Faltou equilíbrio à encíclica.

A geografia da poluição


O balanço ecológico do progresso planetário, logo no primeiro capítulo, é negativo, pessimista e pouco equilibrado. Ele fala de poluição generalizada provocando milhares de mortes prematuras.

Contudo, mais generalizado ainda foi o aumento da esperança de vida e da educação em todo o planeta, acompanhando o crescimento industrial e a tecnificação da agricultura. Nunca se viveu tanto, nunca se comeu tanto, nunca se estudou e se votou tanto em todo o planeta, como atualmente.

Os problemas de poluição não existiam nas sociedades pré-históricas. Se eles são constantes e concomitantes ao desenvolvimento, também foram e são resolvidos pelos avanços da ciência e da tecnologia.

Na linha dessa preocupação pontifícia, por que a exportação de indústrias poluidoras para países periféricos, como parte da estratégia de limpeza ambiental praticada há décadas em nações desenvolvidas, não foi lembrada?

Conversando com idosos

“Em muitos lugares do planeta, os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora veem submersas de lixo.”(21).
Essa afirmação parece um pouco reducionista quando consideradas as condições insalubres nas quais se vivia até o começo do século XX na Europa e nas quais ainda vive grande parte da população mundial.

Não há razão para não se investir numa gestão mais eficiente dos resíduos e na redução de sua produção, mas as paisagens de outrora, mesmo na Europa, sem drenagem ou barragens, eram marcadas por enchentes, epidemias, doenças crônicas, períodos de fome, com pessoas subnutridas em habitats insalubres, sem aquecimento ou energia elétrica.

A memória desses idosos deve lembrar o que era a vida cotidiana em tais paisagens, sobretudo no inverno ou em tempos de seca. Seus filhos são mais altos e já perdem em estatura para seus netos, graças à nutrição adequada, como ocorre agora em muitos países em desenvolvimento.

Progresso e tecnologia


As sociedades economicamente desenvolvidas têm os meios para cuidar de sua biodiversidade, para reduzir a poluição da terra e do ar, para proteger e manter limpos os seus mares e rios. Elas universalizaram o saneamento básico com tecnologias avançadas de gestão de efluentes, incomparáveis às utilizadas em estações de tratamento de esgoto do Brasil, por exemplo.

Nos países ricos, o ciclo de vida das mercadorias é planejado; o lixo é classificado, tratado e reciclado; muitos ecossistemas estão preservados e são desfrutados por uma população com amplas garantias sociais e com acesso a uma intensa vida cultural.

A encíclica não faz justiça à segurança alimentar conquistada por recordes de produção Mercado Central SP
A encíclica não faz justiça à segurança alimentar conquistada por recordes de produção.
Mercado Central SP
Ao associar o uso de insumos modernos na agricultura apenas a seus possíveis efeitos tóxicos, a encíclica não faz justiça à segurança alimentar conquistada por recordes de produção. Nem aos ganhos de qualidade nutritiva e sanitária, e à queda no preço dos alimentos que esses mesmos insumos, frutos de ciência e tecnologia, permitiram obter beneficiando, sobretudo, os mais pobres.

Unilaterais, os oráculos consultados pelo Papa, não tiveram aqui e alhures o justo equilíbrio.

“Para os países pobres, as prioridades devem ser a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes” (172), diz o Papa. Como atingir esses objetivos sem crescimento econômico e novas técnicas e tecnologias? Por consenso?

O Papa Paulo VI já evocara o tema ambiental, em 1971, na Pacem in terris. João Paulo II foi o primeiro a convidar para uma conversão ecológica, apesar da mídia tratar a ideia como novidade da Laudato Sí. Ele o fez em 2002, ao assinar com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, uma declaração comum pela salvaguarda da Criação, em Veneza.

Bento XVI tratou de ecologia ao longo de todo o pontificado. Na Caritas in Veritate (2009), ele dizia: “Quando a Igreja Católica toma a defesa da Criação, obra de Deus, ela não deve apenas defender a terra, a água e o ar (...) mas também proteger o homem contra sua própria destruição”.

Sob seu pontificado, o menor Estado do planeta tornou-se neutro em emissão de carbono e adotou metas ambientais ambiciosas. Não há indústria poluidora em seus 44 ha (só faltava!). O papamóvel foi transformado em veículo flex. Painéis solares fornecem energia para a sala de audiências ao lado da Basílica de S. Pedro. Bento XVI também plantou uma floresta de 7.000 ha na Hungria, destinada a compensar as emissões de gases de efeito estufa do Vaticano.

Se o Papa Francisco pode dirigir injunções ambientais aos outros países é porque também, de certa forma, o Vaticano fez sua lição de casa.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Laudato Si’: regozijo na esquerda,
perplexidade e crítica
entre os que querem o bem dos pobres

Francisco I em Sarajevo onde um imprevisto quebrou sua férula
Francisco I em Sarajevo onde um imprevisto quebrou sua férula
Luis Dufaur





Passados poucos dias da publicação da muito aguardada encíclica sobre o meio ambiente Laudato Si’ do Papa Francisco I, a expectativa vem deixando o lugar ao desinteresse, à decepção e, com inusitada força, à crítica pela imersão em matérias que não corresponde à Igreja se pronunciar.

Sem dúvida, os assessores do Papa Francisco se esforçaram para manipular realidades materiais, científicas e econômicas para encaixa-las num cenário passível de um juízo moral ou religioso.

Porém, o recurso foi mal sucedido e a Laudato Si’ parece ser ter virado contra a intenção original. O resultado tem sido uma crítica nutrida por parte de fontes católicas que desaprovam a distorcida intromissão na seara científica e econômica.

Do lado do ambientalismo radical e da teologia da libertação não faltaram carregados elogios ideológicos que duraram poucos dias.

Do lado católico, especialmente daqueles profundamente interessados pelo bem dos homens e especialmente dos pobres, vieram notáveis contravapores.

Fazemos votos para que elas ajudem a corrigir o tom verde-vermelho que assumiu a malograda redação final da Laudato Si’.

Nessa perspectiva reproduzimos a continuação uma dessas críticas formulada pelo jornalista Miguel Angel Belloso, diretor da revista ‘Actualidad Económica’ de Madri, vice-presidente do Observatório do Banco Central Europeu, membro da Fundação de Estudos Financeiros e do Conselho Econômico e Social da Comunidade de Madri.



Um Papa pessimista e injusto

Miguel Angel Belloso,
diretor de ‘Actualidad Económica’ de Madri,
vice-presidente do Observatório do Banco Central Europeu,
membro da Fundación de Estudios Financieros
e do Consejo Económico y Social de la Comunidad de Madrid.
Sempre considerei a fé como um motor de esperança e de alegria. Professei também uma grande admiração pelos papas João Paulo II e Bento XVI.

Nenhum deles deixou de assinalar os grandes desafios que a humanidade enfrenta, mas ambos mostraram uma grande confiança no indivíduo e contemplavam o mundo com o otimismo próprio do crente.

Em muito pouco tempo, o Papa Francisco impulsionou uma revolução na Igreja.

A sua nova encíclica, "Laudato si", a sua carta pastoral "Evangelii gaudium", assim como as suas frequentes intervenções nos foros públicos refletem um pessimismo ontológico perturbador.

Segundo Francisco, o mundo está a desmoronar-se à nossa volta sem que façamos qualquer coisa para o evitar. Os pobres são cada vez mais pobres. As desigualdades são maiores do que nunca e os bens necessários para sustentar a vida humana são cada vez mais inacessíveis.

Mas estas ideias, lançadas sem o acompanhamento de um único dado, como se fossem um dogma de fé, não resistem à mais pequena análise empírica e estão completamente erradas.

Se já é duvidoso do ponto de vista científico que estejamos em presença de uma mudança climática originada pelo homem, e não por circunstâncias relacionadas com a natureza do planeta, é falso que o crescimento econômico aumente a degradação do meio ambiente.

Num editorial publicado no Catholic Herald Philip Booth escreve:

"Como é habitual, as análises de Francisco sobre o estado econômico do mundo são tremendamente pessimistas.

“É correto dizer-se que a poluição origina mortes prematuras e muitos argumentam que as mudanças climáticas estão por trás dos efeitos nocivos.

“Mas, por outro lado, o cenário subjacente é um incremento colossal da esperança de vida e da saúde como consequência do desenvolvimento econômico. E em muitas zonas do mundo, o ambiente está a melhorar espetacularmente."

Francisco I recebe ao líder do MST, João Pedro Stédile
Francisco I recebe ao líder do MST, João Pedro Stédile
Assim é: se se quiser abordar com honestidade o problema, este não reside nos países ricos mas naqueles onde não funciona a economia de mercado ou não existe liberdade nem democracia.

A China, por exemplo, é dos mais contaminantes.

Durante a maior parte do século XX, os Estados comunistas foram os que tiveram mais poluição e um ambiente mais degradado, enquanto os capitalistas limpavam a atmosfera de elementos tóxicos.

Há solução para os problemas do meio ambiente mas esta não se encontra na ecologia, que com o pretexto de tornar-nos a vida mais agradável apoia o intervencionismo político e quer travar o progresso técnico e o desenvolvimento econômico.

A solução depende de que cada vez maiores partes do mundo se incorporem no mercado e se orientem para ele.

Um estudo recente do Banco Mundial indica que o número de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia – o limiar da pobreza – diminuiu em mais de 30% desde 1981, e um relatório da Universidade de Oxford, que corrobora outro similar da ONU – pouco suspeita de ser capitalista –, confirma esta descida dramática e augura que a pobreza será completamente erradicada nos países em desenvolvimento nos próximos 20 anos se os progressos se mantiverem ao ritmo atual.

A Associação Americana para o Avanço da Ciência também assinala que a esperança de vida aumentou sustentadamente desde há 200 anos, devido à diminuição das doenças cardiovasculares nos países ricos e à menor mortalidade infantil nos pobres.

Se fizermos comparações estatísticas entre os países mais orientados para o mercado e os menos, comprovaremos que são os primeiros os que providenciam melhores condições aos desfavorecidos.

O que melhora os níveis de vida é a industrialização e o livre comércio e não as economias dirigidas ou autossuficientes.

E são também aqueles que impulsionam as migrações das zonas rurais para as cidades, que não são os lugares sujos e desagradáveis que Charles Dickens descrevia, mas antes uma oportunidade para ganhar um salário mais alto e viver confortavelmente.

Nos países emergentes, mil milhões de pessoas entrarão na incipiente classe média nas próximas duas décadas, de modo que a desigualdade global também está a diminuir.

Apesar de os meios de comunicação sugerirem o contrário, o número de conflitos civis e de guerras está no ponto mais baixo da história, segundo a ONU.

Estes são os dados, mas é como se a verdade fosse uma inconveniência para Francisco e para o conjunto da esquerda.

Francisco I e o ditador comunista cubano Raúl Castro
Francisco I e o ditador comunista cubano Raúl Castro
Francisco é um Papa decididamente político, um socialista convencido de que se a humanidade exibe resultados tão desastrosos é porque os seus dirigentes renunciaram ao seu papel executivo, que bem orientado daria lugar a um mundo melhor do que o governado pela força espontânea dos indivíduos atuando livremente no mercado.

Muitas das opiniões da sua última encíclica são inaceitáveis, inapropriadas ou infundadas.

Engana-se quando diz que a salvação dos bancos foi feita à custa da população, pois a falência foi evitada para garantir as poupanças dos mais necessitados.

A imaginária submissão da política aos poderes financeiros, às multinacionais ou à tecnocracia destila um aroma a um esquerdismo antiquado que não resiste a um único assalto: mesmo nos países mais livres e democráticos, o peso do Estado e a intervenção dos políticos na vida econômica são tão perniciosos como dispensáveis.

Francisco chega a ser ofensivo ao assegurar que a propriedade privada não pode estar acima do bem comum, quando é precisamente ela que o origina.

Só o que se considera próprio estimula o cuidado e a atenção das pessoas para o preservar e enriquecer, quer seja uma quinta ou uma reserva de elefantes, enquanto o público, como mostra a experiência, é habitualmente pasto da negligência e do saque dos que, não se sentindo envolvidos, o maltratam e exploram por o considerarem alheio.

Nesta desastrosa encíclica, Francisco segue a narrativa segundo a qual o chamado neoliberalismo despojou o mundo das suas naturais abundância e bondade.

A partir desta concepção nostálgica e pessimista incita os governos à ação para reverter as perdas materiais das últimas décadas.

Mas nem estas foram tão grandes nem a ação do governo é o meio mais conveniente para procurar o bem comum.

Os católicos tiveram muito azar com este Papa.

Converteu-se num poderoso aliado das teses errôneas da esquerda que nunca proporcionaram o bem-estar geral e sustenta umas posições infelizes que casam muito mal com o seu papel de líder religioso mundial.

(Fonte: Diario de Notícias, Lisboa, 26 junho 2015).

P.S.: no dia 8 de julho (2015) o presidente da Bolívia Evo Morales presenteou o Papa Francisco com um crucifixo entalhado sobre o símbolo anticristão da foice e o martelo, informou a imprensa internacional.

O símbolo comunista presidiu perseguições que fizeram centenas de milhares de mártires no mundo, e mais de cem milhões de assassinatos no século XX, conforme dados do Livro Negro do Comunismo. Ver também: O maior crime da História

Segundo Morales, conhecido por seu posicionamento anticapitalista, o crucifixo é uma réplica de um outro feito pelo Pe. Luis Espinal S.J., pregador da Teologia da Libertação engajado nas lutas subversivas dos anos 70 e 80.

“Tal vez, tem razão quando falam de ‘opio do povo’ porque nós desencarnamos nossa fé”, escreveu esse teólogo libertário segundo Infovaticana.

A deficiente gravação do som permitiu encontradas interpretações das palavras do pontífice nesse momento.

O Pe. Lombardi S.J., porta voz da Sala Stampa da Santa Sé e membro da comitiva vaticana esclareceu que “o papa não teve nenhuma reação particular a isso e nem me disse de manifestar reação particular diante disso”, noticiou a CNN em espanhol.

O Pontífice recebeu sorridente o presente e o levou consigo.

Por sua vez, o líder do MST, João Pedro Stédile, declarou à Folha:

“Os capitalistas têm lá o G7, o Obama, a Angela Merkel. Os trabalhadores têm quem? Chávez morreu, Fidel está doente. O Francisco tem assumido esse papel de liderança, graças a Deus. Ele tem acertado todas”.


domingo, 5 de julho de 2015

Aquecimento global:
pseudociência baseada em fraudes

Conferência do Prof Ricardo Felício promovida pelo IPCO. Foto: Paulo Roberto Campos / ABIM.
Conferência do Prof Ricardo Felício promovida pelo IPCO.
Foto: Paulo Roberto Campos / ABIM.
Luis Dufaur





Em 25 de junho último o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) promoveu no Club Homs, situado na Avenida Paulista da capital bandeirante, uma conferência do Prof. Dr. Ricardo Augusto Felício sobre “Aquecimento global – pseudociência e geopolítica”.

Graduado em Ciências Atmosféricas, mestre em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutor em Geografia, o Prof. Felício é docente na Universidade de São Paulo (USP).

Abrindo a sessão, o Dr. Adolpho Lindenberg, presidente do Instituto, destacou a importância do tema e narrou interessantes episódios de sua vida empresarial relacionados com o mesmo.

Por exemplo, lembrou que duas décadas atrás sua construtora edificou um hotel em Manaus, mas que a maioria dos operários, constituída por indígenas, mal conseguia trabalhar devido a problemas de doenças e subnutrição.

domingo, 28 de junho de 2015

O realejo dos pânicos verdes nunca concretizados

A profecía: milhões de pessoas morreriam de fome nos anos 70. A Índia superlotada estava condenada irremediavelmente e “a Inglaterra deixaria de existir por volta do ano 2000”
A profecía: milhões de pessoas morreriam de fome nos anos 70.
A Índia superlotada estava condenada irremediavelmente
e “a Inglaterra deixaria de existir por volta do ano 2000”
Luis Dufaur






2015: Ehrlich, não se arrepende de suas falsas profecias. Ele diz que sua intenção continua incólume: “conscientizar” da catástrofe que estaria despencando sobre nós.
2015: Ehrlich, não se arrepende de suas falsas profecias.
Ele diz que sua intenção continua incólume:
“conscientizar” da catástrofe que estaria despencando sobre nós.
Pela metade dos anos 60 do século XX foi moda na política e na mídia espalhar visões de pesadelo sobre uma desastrosa saturação populacional da Terra.

Em 1966, o escritor Harry Harrison publicou a apavoradora novela de ficção intitulada “Make Room! Make Room!”, em que imaginava massas humanas disputando os escassos recursos da terra em fase de extinção. O livro inspirou o filme ecolo-infernal “Soylent Green” (“No Mundo de 2020” / “À Beira do Fim”)

O duo pop Zager & Evans batia recordes cantando “no ano 2525, se o homem ainda estiver vivo”. A canção martelava que a humanidade estava esgotando demencialmente os recursos da Terra, numa clara mensagem ecológica.

The New York Times elaborou um documentado dossiê e vídeo sobre aquela onda de pânico irracional. Numa perspectiva histórica quem viveu aqueles anos custa imaginar como foi possível que personagens importantes e grandes organismos políticos, religiosos e midiáticos puderam acreditar e se transformar em apóstolos dessa irrealidade hoje incompreensível.

Segundo o documentário, ninguém foi “mais influente ou mais aterrorizador que o biólogo da Universidade de Stanford, Paul R. Ehrlich, com seu livro ‘A bomba populacional’”.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Radicalismo verde na encíclica Laudato Si
gera aflição
Declaração de Voice of the Family

Lançamento da encíclica Laudato Si', Vaticano, 18 de junho de 2015
Lançamento da encíclica Laudato Si', Vaticano, 18 de junho de 2015



ROMA, 18 de junho de 2015 – A coalizão internacional Voice of the Family está profundamente preocupada pela ausência, na encíclica Laudato Si, de qualquer reafirmação do ensinamento da Igreja contra a concepção e pela procriação como fim primeiro do ato sexual.

A encíclica publicada nesta manhã afirma oportunamente que “a defesa da natureza não é compatível .... com a justificação do aborto” (no 120) e “que o crescimento demográfico é plenamente compatível com um desenvolvimento integral e solidário” (no 50).

Contudo, a omissão de qualquer referência ao ensinamento da Igreja sobre a contracepção deixa os católicos despreparados para resistir ao programa internacional de controle da população.

“Deus ordenou ao homem: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a’ (Gn 1, 28)”, declarou Maria Madise, porta-voz de Voice of Family, “mas o movimento ecológico vê o crescimento da população como uma ameaça”.

“Os países em desenvolvimento se desmoronam com os anticonceptivos e estão submetidos a fortes pressões para legalizar o aborto.

“Dado que a contracepção e a ecologia caminham com tanta frequência de mãos dadas, preocupa profundamente que o ensinamento da Igreja sobre a primazia da procriação não seja reafirmado”, deplorou.

domingo, 14 de junho de 2015

Um “papa verde” abalaria a combalida união dos católicos e da humanidade

Card. Turkson: associando a linguagem ambientalista
com a da Teologia da Libertação.
Luis Dufaur





Kate Galbraith, jornalista especializada em energia e clima, escrevendo para Foreign Policy, ficou estranhada quando ouviu o cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz no Vaticano, falando diante de uma plateia modesta numa universidade católica da Irlanda.

Estranhada naturalmente não porque estivesse falando numa instituição da Igreja, da qual ele é um hierarca, mas pelo teor de suas palavras.

Com efeito, ao acentuar a importância de cuidar do meio ambiente – que obviamente não pode ser descuidado por toda pessoa razoável, e máxime cristã –, a linguagem do prelado aproximou-se rapidamente da Teologia da Libertação (TL).

Ora, até anos recentes a TL não se interessava pela natureza. Foi quando seus apelos à luta de classe perderam eco e aderentes, que ela também passou de vermelho para verde, ainda que só por fora.

A jornalista viu no pronunciamento do cardeal Turkson uma preparação para a ideia de os “ricos” são culpados pela pobreza também porque danificam o o meio ambiente. Afirmações como essa, segundo Kate, estariam semeando as bases de uma era de “guerras climáticas”.

domingo, 7 de junho de 2015

Al Gore fala em “conversão”
se Francisco segue a esquerda verde

O ex-vicepresidente americano é o mais notório ativista do jet-set verde. Sofreu processos e denúncias de fraude, mas agora acha que pode ser um outro São Paulo.
O ex-vicepresidente americano é o mais notório ativista do jet-set verde.
Foi condenado pela Justiça por fraudes, mas acha que pode ser um outro São Paulo.
Luis Dufaur





O líder ambientalista mundial Al Gore saiu a público declarando-se fervoroso admirador do papa Francisco, para pasmo dos que conhecem sua sectária militância nas esquerdas americanas.

Falando o dia 29 de abril na Dean’s Speaker Series da Universidade de Califórnia Berkeley, ele disse que se o Papa Francisco continuar advogando pelo “aquecimento global” ele consideraria a hipótese de se tornar católico, noticiou o site Pewsitter.com.

Sua possível “conversão” não tem nenhum fundamento religioso, sendo motivada por conveniências da militância anarco-ecologista.

Al Gore chegou a perguntar em tom de brincadeira: “O Papa é católico?”

domingo, 31 de maio de 2015

O planeta? Melhor do que nunca!
Mas para o Chicken Little, o céu está caindo!

O fim está próximo! O céu desta vez deveras está caindo!
anuncia o Galinho Chicken Little
Luis Dufaur





Do ponto de vista dos recursos naturais, inclusive o energético, não houve melhor época na história da humanidade do que a nossa, escreveu Stephen Moore, economista da Heritage Foundation e colunista da Fox News, no Washington Times.

Quase todas as medições objetivas do estado do planeta e do progresso humano delineiam uma vasta e larga melhoria na escala do tempo.

Mas, ao mesmo tempo, nunca se espalhou um tão generalizado e exagerado pessimismo sobre esses melhoramentos.

Por quê? O enigma atormentava a Stephen Moore, economista amante dos números precisos, que não atentava para a matreirice verde.

Ele assistiu aos discursos oficiais pronunciados no National Mall de Washington no Dia da Terra e achou que estavam estufados com fantasias boas para contos de criança, anunciando a chegada do apocalipse.

Ele viu a CNN convidando os telespectadores a “pensar em super-secas, em mares que sobem, extinções de massa e oceanos se acidificando”, para concluir: “Adeus, animais!”

Moore se lembrou da velha lenda do Chicken Little, levada ao cinema pela Disney com o nome do “Galinho Chicken Little”. Trata-se de um conto oral, folclórico e moralizador, que foi posto no papel no início do século XIX.

domingo, 24 de maio de 2015

Austrália: medos climáticos
servem de ardis para achatar as soberanias nacionais

Newman: catastrofismo climático “não tem nada a ver com fatos ou com a lógica”
Newman: catastrofismo climático “não tem nada a ver com fatos ou com a lógica”
Luis Dufaur





O principal assessor econômico do primeiro-ministro australiano Tony Abbott afirmou em artigo publicado no influente jornal The Australian que a ONU manipula os dados sobre as mudanças climáticas para consolidar seu poder em nível internacional, noticiou o G1.

“A mudança climática é a isca” para obter o verdadeiro objetivo da ONU, que é “concentrar a autoridade política”, declarou Maurice Newman, presidente do conselho consultivo do primeiro-ministro.

domingo, 17 de maio de 2015

Ambientalista radical estudou, percebeu que o alarmismo é blefe pediu perdão

Mark Lynas: "a oposição aos OGM, transgênicos, impede acabar com a fome no mundo"
Luis Dufaur





Mark Lynas já foi ativista “verde” dos mais radicais e um dos mais influentes jornalistas britânicos. Seus livros chegaram a ser traduzidos para o português e editados no Brasil, onde se encontram à venda.

Mas ele fez uma coisa inusual. Um crime horrível: estudou! E estudou a matéria contra a qual montou seu alarmismo demagógico.

Ele teve a honradez de reconhecer que errara feio. A embriaguez dos aplausos leva a cair em deslizes desses. Mas na conferência anual dos agricultores britânicos ele pronunciou um autêntico mea culpa.

E passou a apoiar os OGM (organismos geneticamente modificados, como certas sementes) que outrora combatia como o diabo: “Eu estava errado, sinto muito”, disse ele, segundo a revista italiana Tempi.

domingo, 10 de maio de 2015

“Não há mudanças climáticas atualmente, o homem não controla, absolutamente o clima global”

O climatologista Luís Carlos Baldicero Molion
O climatologista Luís Carlos Baldicero Molion
Luis Dufaur





No Fórum de Sustentabilidade, promovido pela Folha em 2014, o climatologista Luís Carlos Baldicero Molion, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e pesquisador do Inpe, defendeu mais uma vez que a fala sobre efeito estufa e aquecimento global é para ser esquecida, porque nada disso existe, escreveu “Notícias Agrícolas”. 

Há uma tendência obsessiva na grande mídia, especialmente aquela que mais faz uso de um viés esquerdizante na apresentação da informação.

Ela insiste repetidamente nas assustadoras e fantasmagóricas ameaças que se abateriam sobre os homens caso estes prossigam na estrada do progresso e das melhorias nas condições de vida.

Entre esses fantasmas está o do ‘aquecimento global’ que derreteria os polos, afogaria centenas de milhões de moradores da orla marítima planetária ou os condenaria a um êxodo miserável, desertificaria a Amazônia, derreteria geleiras como a do Himalaia. No cenário extremo, a Terra azul viraria um planeta morto como o vermelho Vênus.