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domingo, 1 de maio de 2016

Graças ao CO2 nos últimos 33 anos
a Terra ficou mais verde!

Mapa mostra o aumento da superfície foliar nos últimos 33 anos. Fonte CREAF.
Mapa mostra o aumento da superfície foliar nos últimos 33 anos. Fonte CREAF.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Os vegetais são os mais diretamente beneficiados pela presença do CO2 (ou gás carbônico) na atmosfera, embora constitua apenas entre 0,03% e 0,04% dela.

Mas dizer “beneficiado” é muito pouco: sem o CO2 toda a vegetação do planeta morreria como nós pereceríamos se desaparecesse ou diminuísse dramaticamente o oxigênio do ar.

E falar em extinção dos vegetais implica em falar do fim das espécies animais que se alimentam deles. E obviamente do fim da humanidade que se nutrem com todos eles.

O combate ao CO2 apresenta-se como uma ideia irracional sob numerosos pontos de vista. Mas se trata de uma irracionalidade congruente com muitos outros dislates que a filosofia “verde” arquitetou em sua guerra contra o homem e a civilização.

E a grande mídia e organizações políticas de diversas tonalidades “vermelhas” lhe fornecem amplio eco e financiamentos.

Mas, os cientistas que põem a objetividade por cima continuamente mostrando a incongruência desse postulado ideológico: que o CO2 faz mal à Terra a diversos títulos.

Pelo contrário, ele é o gás da vida!

Recentemente um estudo publicado na revista Nature Climate Change, constatou que a Terra ganhou 36 milhões de quilômetros quadrados de superfície verde, o equivalente a três vezes a área da Europa ou duas vezes, aproximadamente, a dos EUA, graças ao aumento do CO2, embora tenha tido um crescimento minúsculo!

O estudo teve a participação do CREAF, centro de pesquisas vinculado à Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), e se concentrou nos dados dos últimos 33 anos, que teriam sido os mais atingidos pelo CO2 gerado pela civilização que consome combustíveis fósseis, fato vituperado pelos “verdes”.

Nesse período, diz o estudo, a biomassa terrestre cresceu em 40% da superfície da Terra, tendo diminuído em apenas 4% dela. Os cientistas atribuem esse crescimento às altas concentrações de CO2, um poderoso fertilizante cuja ação, em nível mundial, se desconhecia até o momento, segundo reconheceu o jornal espanhol “El País”.

Aumento da superfície foliar na Europa desde 1982 a 2015. Autor: Ranga B. Myneni, Universidade de Boston.
Aumento da superfície foliar na Europa de 1982 a 2015.
Autor: Ranga B. Myneni, Universidade de Boston.
“Com essa pesquisa, pudemos atribuir o enverdecimento do planeta ao aumento dos níveis de CO2 atmosféricos provocado pelo consumo de combustíveis fósseis.

“Com mais dióxido de carbono, as plantas puderam gerar mais folhas capturando-o da atmosfera durante a fotossíntese. Graças a isso, o aumento da concentração desse gás de efeito-estufa foi contido”, explicou o cientista do CREAF Josep Pañuelas.

De acordo com o estudo, prossegue “El País”, o dióxido de carbono, outro nome do CO2, é responsável em cerca de 70% pelo enverdecimento da Terra.

Os cientistas evocam também outras razões para explicar o aumento da biomassa: a mudança climática (8%), o nitrogênio atmosférico (9%) e as mudanças no uso do solo (4%).

A constatação foi decepcionante para os cientistas que dependem de verbas de governos “vermelhos” que exigem resultados anti-CO2 e também para os militantes verdes

Os cientistas do CREAF tiveram que torcer os raciocínios para por no papel que o CO2 segue sendo ruim malgrado essas constatações.

Em verdade, não encontraram argumentos para a tese preconcebida em laboratórios ideológicos anarco-tribalistas.

E como reproduz o jornal espanhol, não hesitaram em apelar a surrados slogans do Corão ambientalista: mudanças climáticas mal explicadas, o aumento da temperatura global não demonstrado, a inexistente subida do nível do mar, o exagerado degelo [supomos que dos polos e das geleiras, pois assim está profetizado na Bíblia alarmista] e a radicalização das tempestades tropicais que obedece a outros fatores.

Assim, saindo da seriedade dos dados científicos, e surfando alegremente nas ondas da propaganda anti-civilizatória, o citado Pañuelas concluiu que esses aterrorizantes catástrofes planetárias ‘não recuarão se não deixarmos de usar combustíveis fósseis’.

Ele acrescentou que o crescimento da biomassa vegetal decorrente do fertilizante carbônico tem um limite, aliás, como tudo nesta Terra.

Da cartola da mitologia verde tirou que “o efeito do dióxido de carbono vai diminuindo à medida que as plantas se habituam a aumento”.

E ainda acrescentou o que qualquer camponês conhece melhor há milênios: que os vegetais também necessitam de outros recursos para crescer.

A fórmula, disse o cientista, é simples: quanto mais biomassa houver, mais as plantas necessitarão de água e de outros nutrientes – em especial o fósforo –, que são recursos limitados e vitais para o planeta.

O mundo está cada vez mais verde, graças ao CO2!
O mundo está cada vez mais verde, graças ao CO2!
Um lugar comum de escola primária que não implica em tragédia alguma. No Eoceno (entre 56 milhões e 33 milhões de anos atrás) a temperatura média da Terra chegou a 10ºC acima da atual e as concentrações de CO2 foram elevadíssimas (0,2% ou mais da atmosfera).

E o planeta não sucumbiu em convulsões apocalípticas!

Pelo contrário, houve um extraordinário desenvolvimento de bosques tropicais que se espalharam por todo o globo, inclusive na Antártica e nas áreas que tem terra firme no círculo polar ártico.

Os mamíferos (dinossauros e baleias notadamente) se multiplicaram fantasticamente. E o aumento da temperatura induziu maior evaporação dos mares e grandes chuvas que sustentou esse fabuloso desenvolvimento da vida vegetal e animal.

Se a vida natural na Terra mirrou foi quando acabou essa era de mudança climática, de aumento CO2 e demais fatores que o terrorismo verde apresenta como males que justificam suas propostas repressoras da atividade humana.

Deixemos de lado o realejo do extremismo ambientalista. Fiquemos na objetividade dos dados científicos apresentados.

Comemoremos o fato alvissareiro: a superfície do mundo coberta pela vegetação aumentou ganhou 36 milhões de quilômetros quadrados!

E tudo isso, graças a um aumento relativo do nível de CO2 na atmosfera!


quarta-feira, 27 de abril de 2016

O que é o ambientalismo? 7
O voto de morte à humanidade civiizada em nome da Mãe Terra

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: 7 Da “ecologia superficial” à “ecologia profunda”: a anti-cruzada contra o homem e o cristianismo



(Prossegue excerto de: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s”, “The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11).

Ação Direta e Eco-Terrorismo

O grupo de Ecologia Radical mais bem sucedido é o Greenpeace International [Paz Verde Internacional], cujos ativistas têm-se engajado em atos que demonstram uma extrema desobediência civil “não-violenta”, tais como obstruir chaminés e esgotos químicos industriais, ou invadir áreas de testes de mísseis em botes de borracha.

Sua imagem têm-lhes rendido pelo menos 4 milhões de contribuintes no mundo inteiro e uma renda anual superior a 100 milhões de dólares.

Greenpeace tornou-se a menina dos olhos da mídia liberal e a promoção preferida pela indústria de entretenimento. A rede de música por cabo VH-1, financia e transmite inúmeros anúncios gratuitos para o grupo, muitos deles narrados por celebridades de Hollywood.

Está sendo preparado um filme sobre o fundador do Greenpeace, David McTaggart. Ainda mais inquietante é o tratamento bajulador dado pela mídia ao grupo Earth First! [“Primazia à Terra!”], o violento braço guerrilheiro do movimento Ecológico Radical.

Especializou-se em sabotagem de tratores, destruição de outdoors e redes elétricas, jogar pregos nas rodovias por onde transitam caminhões de transporte de madeira, e introduzir cravos em árvores a fim de destruir as motosserras.

Um de seus slogans é “Volta ao Pleistoceno”, ou seja, volta à última era glacial.

Outro slogan: “Nenhuma concessão na defesa da mãe terra” “A única coisa que temos em comum é uma convicção absoluta de que a Terra está acima de tudo”, diz um cientista do governo americano, membro secreto do movimento.

Outro membro do grupo, Christopher Manes, publicou recentemente o livro Green Rage: Radical Environmentalism and the Unmaking of Civilization [“Fúria Verde: O Ambientalismo Radical e a Destruição da Civilização”]. Sua conclusão: “A hora de escolher entre o mundo natural e o cultural chegou”.

Muito apropriadamente, “os santos padroeiros” dos Ecologistas Radicais são os Luddites do século XIX, operários ingleses que durante a Revolução Industrial revoltaram-se, destruindo a maquinaria das fábricas.

Hoje em dia, Daniel Grossman afirma na publicação esquerdista Utne Reader, “os críticos atuais da automação industrial, tecnologia nuclear, pesticidas, engenharia genética, e outras tecnologias duvidosas, se ufanam do rótulo de ‘Neo-Luddites’.

De fato os ‘Luddites’ do século XIX (...) oferecem uma fonte de inspiração para eles (...) Os ‘neo-Luddites’ criticam a aceitação da técnica não só pelo seu impacto na saúde humana e no meio ambiente, mas também pelos seus efeitos na dignidade humana e nas tradições da sociedade.

Os Neo-Luddites relutam em aceitar as conturbantes forças tecnológicas como o custo inevitável do progresso”. Em suma, eles estão proclamando um direito à estagnação perpétua, não somente para si, mas imposto a toda a sociedade. Chellis Glendinning, psicóloga e escritora, define os “princípios do Neo-Luddismo” num artigo análogo.

Os neo-Luddites “consideram o papel do homem não como dominador das outras espécies e da biologia do planeta, mas como integrado num mundo natural, e demonstrando reconhecimento pela sacralidade de todo tipo de vida”.

Segundo ela as únicas tecnologias permitidas são “aquelas inventadas pelas pessoas diretamente envolvidas em seu uso e não por cientistas, engenheiros, e empresários”. Elas precisam ser “inteligíveis pelas pessoas que as utilizam e que são afetadas por elas”.

Quer dizer, uma tecnologia simplificada intelectualmente a um nível acessível aos denominadores mais baixos da sociedade.

Assim, ela conclui: “somos a favor do desmantelamento das seguintes tecnologias destrutivas: tecnologia nuclear, tecnologia química, engenharia genética, televisão, tecnologias eletromagnéticas, tecnologias de computação ...”.

Um voto de morte à Humanidade

Os valores humanos, e até a própria vida humana, significam muito pouco para os Ecologistas Radicais.

Numa entrevista, Arne Naess fixou como meta ideal uma população mundial de 100 milhões de habitantes. Considerando que a população atual do mundo é de 5,3 bilhões, o que eles esperam que aconteça com os 5,2 bilhões restantes?

Ao rever um recente manifesto da Ecologia Radical (The End of Nature [“O Fim da Natureza”], de autoria de Bill McKibben, David Graber, biologista do National Park Service, assim expressou suas esperanças:

“A felicidade humana e, indubitavelmente, a fecundidade humana, não são tão importantes quanto um planeta selvagem e saudável. Conheço cientistas sociais que me recordam que os homens fazem parte da natureza, mas isso não é verdade. A certa altura do processo — há 1 milhão de anos aproximadamente, talvez metade — nós rompemos o contrato e nos transformamos num câncer. Passamos a ser uma peste sobre a Terra e contra nós mesmos... Enquanto o Homo Sapiens não decidir retornar à natureza, alguns de nós só podemos esperar que venha o vírus certo”.

Graber não é o único a desejar a morte da espécie humana.

O líder do Earth First!, David Foreman, deixou bem claro:

“Defendemos a ‘bio-diversidade’ pelo bem da própria ‘bio-diversidade’. Quer dizer, o homem não é mais importante que nenhuma outra espécie (...). É bem possível que, a fim de colocar as coisas em ordem, seja necessária nossa extinção”.

Ou segundo outra afirmação: “Uma era glacial está se aproximando e eu a saúdo como uma, mais do que necessária, purificação. Não vejo outro remédio para a destruição que temos operado na Terra senão uma redução drástica da população humana”.

Foreman encontra ainda uma cobertura prateada para colocar sobre as horríveis matanças causadas pela fome na Etiópia: são elas a defesa natural da Mãe Terra contra o excesso populacional.

Do mesmo modo, a publicação oficial de seu grupo sugeriu entusiasticamente que, sob uma perspectiva ecológica, a epidemia da AIDS pode significar o fim do industrialismo, o qual é “a principal força por detrás desta crise ambiental. (...) Como radicais ambientalistas que somos, vemos a AIDS não como um problema, mas como uma solução necessária”.

Apesar destes devaneios nihilísticos e atos criminosos destrutivos, o grupo Earth First! vem sendo tratado com crescente respeito pela mídia liberal.

Foreman, detido pelo FBI por sabotagem em duas usinas nucleares, recebeu um prestigioso documentário no programa “60 minutos” da CBS

Earth First! foi também apaixonadamente descrito pela cantora pop Carole King, no programa “Current Affair” [“O Caso do Momento”], transmitido por numerosas emissoras.

Os ambientalistas recusam-se a censurar Earth First! O ex-senador Gaylord Nelson, que foi um dos fundadores do primeiro Dia da Terra e agora está na Wilderness Society, disse: “Penso que grupos como o Greenpeace e Earth First! dão uma contribuição significativa para o processo educacional”.

Darrell Knuffke, coordenador regional da Wilderness Society, considera Earth First “extremamente importante para o movimento”.

O guru ambientalista David Brower, que lançou o Sierra Club para a celebridade, defende os atos de sabotagem de Earth First!: “Eles não são terroristas. Os verdadeiros terroristas são os poluidores, os depredadores”.

A crescente aceitação de Earth First! por parte da mídia e dos ambientalistas da corrente principal, revela o processo de radicalização dentro do movimento.

De fato, o líder do Earth First!, David Foreman, foi um dos principais promotores da Wilderness Society até 1980, quando deixou-a por considerá-la muito moderada para seu gosto.

Até mesmo o grupo de ação direta Greenpeace ficou muito pacífico para Paul Watson, um de seus co-fundadores. Watson fundou então os Sea Shepherds [“Pastores do Mar”], grupo mais violento, que se gaba de ter afundado 12 navios baleeiros.

David Brower explica como funciona este processo de radicalização. “Fundei o movimento Friends of the Earth [“Amigos da Terra”] a fim de fazer com que Sierra Club parecesse razoável; fundei depois o Earth Island Institute [Instituto Terra Ilha] para fazer parecer razoável o Friends of the Earth. Agora Earth First! nos faz parecer razoáveis. Estamos ainda à espera de alguém que apareça e faça Earth First! parecer um grupo razoável”.

Para os pensadores ocidentais tradicionais, esse era o poder do homem e sua glória. Para os Ecologistas Radicais, entretanto, o homem não é senão um espinho no que seria o perfeito jardim do Éden.

Eles vão além (ou abaixo) de Marx, rejeitando até mesmo a teoria do valor do trabalho e substituindo-a pelo “padrão de valores dos recursos naturais”.

Eles equiparam os recursos naturais ao capital e, assim, o desenvolvimento desses recursos com o “consumo de capital”. Portanto, desenvolver recursos, necessidade indispensável para o homem, é destruir.

E, uma vez que o homem é destrutivo por natureza, tudo no universo é “natural”... exceto a natureza humana.

A motivação radical ambientalista pode ser discernida claramente no título do livro Returning to Eden [“Retornando ao Eden”], um amalucado anelo de um jardim igualitário, onde a fruta cai diretamente no colo das pessoas, onde a luta pela sobrevivência desaparece e onde todos os animais vivem em paz e harmonia.

Se você for um Ecologista Radical, o “ecossistema” cuidará de você; se você for um Verde, o sistema social o fará. De um jeito ou de outro, o Éden dos ambientalistas é um lugar isento de risco onde o desejo de fruição será a moeda corrente.

Com o fracasso do comunismo — e especialmente da teoria econômica socialista — o ambientalismo tornou-se o inimigo da liberdade nos anos 90.

Ele representa um marxismo atualizado e despojado, despido de todos seus dogmas, agarrado desesperadamente à última folha de parreira do igualitarismo irracional. Enquanto tal, é um mero “ismo” negativo e descontente.

É a linha de chegada para os nômades niilistas e os sonhadores do coletivismo, que são unidos, não por ideias, mas por uma hostilidade ao pensamento humano; não por valores, mas por uma aversão às aspirações humanas; não por alguma visão utópica da sociedade, mas por uma profunda alienação da sociedade humana.

(Autor: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s”, “The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11).

domingo, 24 de abril de 2016

O que é o ambientalismo? 6
A “ecologia profunda”: anti-cruzada contra o homem e contra o cristianismo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







(Prossegue excerto de: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s”, “The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11).

Em sua forma purista a chamada “ética ambientalista” foi definida em 1966 pelo historiador Lynn White Jr., da UCLA; e em 1972 pelo filósofo norueguês Arne Naess.

White denunciou a crise ecológica no Ocidente como uma herança judaico-cristã, a qual, segundo ele, está baseada no “axioma de que a natureza não tem razão de existência a não ser para servir o homem”.

Ele apelou para uma “nova religião” baseada na “autonomia espiritual de todas as partes da natureza” e na “igualdade de todas as criaturas, incluindo o homem”.

Naess deu um passo em frente: não existem indivíduos — afirmou —, pois somos todos parte de grandes “ecossistemas”.

A “ecologia superficial” dos principais grupos de conservação, reprovava ele, ainda era antropocêntrica ou homocêntrica, ou seja, centrada no homem.

Visava apenas melhorar o meio-ambiente para o benefício dos humanos.

A “Ecologia Radical”, em sentido contrário, devia conduzir a uma visão de “igualitarismo biosférico (...) o direito igual [a todas as coisas] de viver e florescer”.

Em suma, esta filosofia sustenta que todas as coisas foram criadas iguais e, portanto devem ser veneradas como fins últimos em si mesmas, como tendo um valor intrínseco independente do homem, e tendo direitos iguais ao seu próprio tipo de “auto-realização”, sem interferência ou exploração humana

Movimento dos “Direitos dos Animais”

A manifestação mais proeminente do “igualitarismo biosférico”, “o movimento dos direitos dos animais”, surgiu em 1975, com a publicação do livro de autoria do filósofo Peter Singer, Animal Liberation [“A libertação dos animais”].

Dirigido por um grupo de jovens professores de filosofia, este movimento foi muito além das preocupações tradicionais pela proteção e bem-estar dos animais.

Sua premissa básica foi cunhada no título do primeiro capítulo do livro de Singer: “Todos os animais são iguais”. “Este livro — escreveu Singer — trata a respeito da tirania dos humanos sobre os animais não-humanos”. Essa tirania importa em “especicismo”, relacionado com o “racismo”.

Um especicista, disse Singer, “permite que o interesse de sua espécie passe por cima de interesses maiores dos membros de outras espécies”. Note-se a palavra “maiores”.

O filósofo Tom Regan, autor do The Case for Animal Rights [O processo jurídico pelos direitos dos animais], explicou, “o erro fundamental é o sistema que permite considerarmos os animais como recursos nossos, estão aqui para nós”.

Singer e Regan sustentam que todos os seres capazes de sentir prazer e dor possuem um “valor inerente ao próprio ser”. Ou, como ponderou o colunista e etologista Michael W. Fox, “todo ser capaz de sentir deve ser valorizado em si e por si mesmo”.

Segundo três outros filósofos dos direitos dos animais, isto quer dizer que “não há desculpa racional para matar animais, seja para fins de alimentação, científicos ou por mero comprazimento pessoal”.

Quer dizer, não à alimentação por parte dos humanos, não às experiências medicinais ou cirúrgicas com animais, não às caças, circos ou rodeios; não às gaiolas ou casinhas de cachorro; não às couros, carnes, leite ou ovos; não ao uso de animais e ponto final.

Até as atividades mais inócuas do homem são vistas como usurpadoras dos direitos de outras espécies. Filósofos como Dale Jamieson e Tom Regan, dirigindo-se a 200 cientistas marinhos, declararam que as baleias têm direitos, já que “possuem uma vida mental superior à de muitos humanos”.

Atacaram o treinamento de baleias para exibições em parques aquáticos e até cruzeiros marítimos destinados à observação de baleias.

“As baleias — advertiram eles — não existem como mercadoria visual num mercado aquático livre, e fazer dinheiro levando expectadores ansiosos às suas águas (...) é exploração”.

Não pode haver concessões com os direitos dos animais, dizem seus postuladores: “As vidas de dezenas de milhões de animais não nos pertencem e não nos cabe fazer concessões”.

Os autores de uma antologia dos direitos dos animais afirmam: “A concessão, no sentido tradicional do termo, é simplesmente uma fraqueza impensável”.

Este fanatismo têm levado alguns ativistas a atos de terrorismo e violência contra as “espécies tiranas”.

Em Abril de 1987 o Animal Liberation Front [“Frente pela Libertação dos Animais”] incendiou um edifício de pesquisas da universidade de Davis, na Califórnia.

Em Outubro de 1988 o mesmo grupo jogou tinta e ácido nas casas e automóveis das pessoas que trabalhavam para o Zoológico de San Diego.

Foram colocadas bombas em lojas de peles inglesas, e, neste ano, em centros comerciais na área de San Francisco. As mulheres que usam peles têm sido atacadas nas ruas de Nova York. Uma mulher foi recentemente condenada por tentar matar o presidente da US Surgical Corporation [“Associação de Cirurgiões dos Estados Unidos”], que utiliza animais para ensino de técnicas cirúrgicas aos médicos; essa amante dos animais, no instante da prisão, portava duas bombas caseiras cheias de pregos.

Os “direitos” da Natureza?

Tais atos são o beco sem-saída da premissa de que os animais têm valores intrínsecos e direitos inatos. Importa entender quão difere esta posição da tradição dos direitos baseada em John Locke que os considerava como derivando da natureza humana.

Direitos são princípios morais que definem as linhas limítrofes para uma pacífica interação na sociedade. O propósito desses limites é permitir ao homem procurar o seu bem-estar e felicidade sem interferências.

Toda teoria inteligível a respeito de direitos pressupõe necessariamente entidades capazes de definir e respeitar os limites da moral.

Os animais, entretanto, são incapazes disso. Não podendo eles conhecer, respeitar e exercer direitos, o princípio simplesmente não pode ser-lhes aplicado nem podem eles aplicá-lo.

Os direitos são, por sua natureza, baseados numa visão antropocêntrica do mundo. Praticamente, a noção dos direitos dos animais acarreta um conceito moral duplamente absurdo. Estabelece que os animais têm o “direito inerente” de sobreviver como sua natureza requer, mas o homem não.

Sendo o homem o único ser capaz de reconhecer barreiras morais, precisa sacrificar seus interesses em favor de entidades que não podem fazê-lo.

Em última análise, isto significa que somente os animais têm direitos: uma vez que a natureza consiste inteiramente de animais, de sua alimentação e de seu habitat, para reconhecer os “direitos dos animais”, o homem precisa logicamente ceder-lhes todo o planeta.

Não será uma perversidade optar pela vida de ratos e cobaias em detrimento da vida de homens e mulheres?”, indaga o filósofo Patrick Corbett. Não necessariamente, “pois se nós nos retirarmos da frenética competição científica e tecnológica por um momento, perceberemos que, sendo os animais a vários títulos superiores a nós, esse argumento desaba”.

“O homem — rosna Michael W. Fox em seu livro Returning to Eden [Retornando ao Éden] — é o animal mais perigoso, destrutivo, egoísta e sem-ética da face da Terra”. Todos os animais são iguais na teoria do direito animal; porém — como Orwell ressaltou em seu livro Animal Farm, [“A Revolução dos Bichos”] — alguns são mais iguais que outros.

Alguns “igualitários biosféricos” (ou “biocentristas”) decidiram que até as plantas e objetos inanimados têm o direito de não serem utilizados pelos humanos.

No livro The Rights of Nature [Os direitos da natureza], Roderick Frazier Nash observa que o que ele chama de “igualitarismo ecológico”, “atribui à natureza um status ético, no mínimo igual, ao dos humanos.

A antípoda desta teoria é o ‘antropocentrismo’, segundo o qual os humanos são a medida para toda a natureza”.

Em 1972, Christopher Stone publicou um artigo no California Law Review [Boletim de Leis da California] intitulado Should Trees Have Standing? - Toward Legal Rights for Natural Objects. [“As árvores devem ter Direitos? — Em prol de direitos legais para objetos da natureza”].

Este ponto de vista absurdo foi mais tarde acentuado pelo destacado liberal, professor de Direito da Universidade de Harvard, Laurence H. Tribe, num artigo publicado em 1974 no Yale Law Journal, e posteriormente num livro de ensaios. Pior ainda, este argumento de Stone foi virtualmente aceito e citado pelo juiz da Suprema Corte, William O. Douglas, em 1972.

(Autor: excertos de Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s”, “The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11).

Continua no próximo post


quarta-feira, 20 de abril de 2016

O que é o ambientalismo? 5
De Woodstock ao niilismo: toma corpo o atual movimento verde

Rio+20 o longo caminho desde Woodstock  Foto Marcello Casal Jr-ABR
Rio+20 o longo caminho desde Woodstock
Foto Marcello Casal Jr-ABR
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O ambientalismo do pós-guerra trabalha para impor a vida tribal

 

Dando continuidade à série sobre a história do movimento ambientalista, abordamos finalmente, o período mais recente desse movimento.

Mais precisamente desde o início dos anos 70, marcados pela explosão hippie e as transformações operadas no catolicismo em virtude da aplicação do Concílio Vaticano II.

Julgamos que poucas visões de síntese desse período histórico denso e decisivo do movimento ambientalista foram tão ricas em documentação quanto o trabalho do jornalista Robert James Bidinotto, “Ambientalismo, o inimigo da liberdade nos anos 90”.

Bidinotto adquiriu nomeada escrevendo para o “Reader’s Digest” sobre questões ligadas à justiça criminal, ao ambientalismo e à filosofia. No artigo que reproduzimos a continuação ele reúne felizmente exigência crítica e uma linguagem ágil mas respeitosa que torna accesível o intrincado assunto.

Tentamos tirar excertos do longo trabalho de Bidinotto. Mas, no fim julgamos mais prudente conservá-lo quase na integridade e dividí-lo em três post sucessivos. A riqueza de dados justifica a opção.

O artigo original em inglês pode ser compulsado na integra neste endereço: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s” (“The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11)

Ambientalismo, o inimigo da liberdade nos anos 90

Filhos de Rousseau

Por ocasião do primeiro “Dia da Terra”, em 1970, alguns jovens, intimidados pelo ritmo e pela complexidade da vida moderna, procuraram uma solução: revoltar-se ou retirar-se. Destruir “o sistema” ou retirar-se para as alturas das Montanhas Rochosas do Colorado.

Filhos de Rousseau, eles pregavam a bondade inerente à natureza intocada, e à emoção indisciplinada; a influência corruptora da razão, da cultura e da civilização; a igualdade econômica e a participação democrática em pequena escala; a infalibilidade mística da vontade coletiva e o sacrifício do indivíduo ao grupo.

Unia-os o ódio contra o inimigo comum: o americano moderno e a sociedade capitalista.

Woodstock, 1969, estado de Nova York
Woodstock, 1969, estado de Nova York
Enquanto a maioria de seus contemporâneos moderados se tornavam arquitetos, contadores e vendedores de automóveis, um pequeno conjunto de líderes — o resíduo Rousseauneano da geração Woodstock — nunca superou seu fundamental alheamento e hostilidade cultural.

Nunca tiveram o menor interesse pelos valores básicos aceitos pelo comum das pessoas. Durante vinte anos, permaneceram em efervescência nas bordas da sociedade. Agora, como abutres sentindo um animal ferido, apertam o cerco em torno de uma cultura vulnerável.

Este pequeno grupo de fanáticos estabelece as premissas morais do movimento ambientalista de hoje.

Ao contrário das opiniões de muitas pessoas decentes que se qualificam como ambientalistas, ou mesmo a maioria daqueles que entram em grupos ambientalistas, o quadro de liderança não está primariamente interessado em ar puro, terras, água, recursos abundantes, ou em resolver controvertidas reivindicações sobre seu uso.

Eles têm um programa bem diferente.

Antes de continuar, devo esclarecer um ponto muito importante. Estou adotando enfaticamente uma postura de não contestação ante o fato de que as preocupações com o meio-ambiente sejam triviais ou errôneas.

A poluição, o uso exagerado de vários recursos naturais, o lixo tóxico, e outros tópicos relacionados com a preservação do meio-ambiente são legítimos.

Entretanto esses problemas aparecem, não devido a um fracasso do sistema de mercado livre, mas do fracasso em aplicar, em primeiro lugar, os princípios da economia de mercado à administração das fontes de recursos naturais.

Rio+20: cultos esotéricos em evento paralelo
Rio+20: cultos esotéricos em evento paralelo
Eles veem a cruzada ambientalista, não como uma maneira de reformar a sociedade moderna, mas de escapar dela e de obliterá-la. Estes pagãos e Druidas contemporâneos marcham sob a bandeira dos “Estilos de Vida Verdes” e do “biocentrismo”.

Um ambientalista itinerante dirige círculos de estudos nos quais os participantes são incentivados a rememorarem seu alegado processo de evolução, rolando pelo chão e imaginando como foram suas vidas quando eram folhas mortas, lesmas ou musgo.

Outros Ecologistas Radicais preferem “ações diretas” contra alvos corporativos ou governamentais, nas quais incluem desde atos teatrais de desobediência civil, até declarados atos de terror, sabotagem e violência.

Dirigem grupos como Greenpeace [Paz Verde], Earth First! [Terra primeiro!], Sea Shepherds [“Pastores do Mar”], Rainforest Action Network [Rede de ação pela floresta tropical], People for the Ethical Treatment of Animals [O povo pelo tratamento ético dos animais], e Animal Liberation Front [“Frente para a Libertação dos Animais”].

Os Verdes, por outro lado, são os herdeiros políticos da Nova Esquerda. Desfilando sob as bandeiras da “Política Verde” ou da “Ecologia Social”, professam ao menos uma preocupação aparente pelos valores humanos e pela cultura moderna.

Mas sua meta é uma sociedade socialista e redistributiva, que eles afirmam ser a verdadeira serva da natureza e a única esperança para a sociedade.

Os mais cordatos dentre eles aderem aos vários partidos e grupos Verdes. Os mais pragmáticos e sofisticados, juntam-se a grupos mais respeitáveis, com certa fachada, como o Natural Resources Defense Council [Conselho para a Defesa dos recursos naturais], o Environment Defense Fund [Fundo para a defesa do meio-ambiente], o Sierra Club [Clube Sierra], o Wilderness Society [Sociedade pela Vida Selvagem], o Worldwatch Institute [Instituto de Vigilância do mundo], a União dos Cientistas Preocupados, e até mesmo a Agência de Proteção do Meio-ambiente dos Estados Unidos e outras agências reguladores co-irmãs.

Protesto de Greenpeace no Mexico
Protesto de Greenpeace no Mexico
Apesar de todos os seus atritos, ambos campos se complementam mutuamente.

Os Ecologistas Radicais dão o tônus moral e a direção espiritual: eles inspiram, radicalizam e recrutam. Por outro lado, os Verdes transformam esses elementos “crus” em poder político: propostas, força de trabalho, candidatos e, finalmente, em leis.

Ambas facções — e em particular os grupos de contra-cultura de “ação direta” — têm crescido rapidamente.

Os mais radicais, entretanto, têm-se expandido muito mais que os antigos grupos da grande corrente liberal, como Nature Conservancy [“Conservação da Natureza”], a National Wildlife Society [Sociedade Nacional pela Vida Selvagem], a National Audubon Society [Sociedade Nacional Audubon] a Humane Society [Sociedade Humana] e a National Wildlife Federation [Federação Nacional da Vida Selvagem].

Estes últimos têm-se esforçado por se manter a passo com os primeiros, radicalizando-se cada vez mais devido às competitivas solicitações do mercado ambientalista, e à própria lógica da ética ambientalista.

(Autor: Robert James Bidinotto, “Environmentalism: Freedoms Foe for the 90s” (“The Freeman”, November 1990 • Volume: 40 • Issue: 11)

Continua no próximo post


domingo, 17 de abril de 2016

O que é a ecologia? 4
O ambientalismo do pós-guerra trabalha para impor a vida tribal

Revista "The Ecologist", capa de junho de 2008
Revista "The Ecologist", capa de junho de 2008
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: O ecologismo no cerne do nacional-socialismo


O movimento orgânico rural na Inglaterra

Depois da II Guerra Mundial, aumentou gradualmente o número dos seguidores de Rudolf Steiner, que formaram uma rede poderosa de simpatizantes alternativos, a maior parte dos quais relacionada com a Soil Association.

A Soil Association levou a cabo a tarefa de aproximar, no fim da Grande Guerra, os vários grupos de pessoas preocupadas com erosão e fertilidade do solo, poluição e agricultura baseada em fertilizantes químicos.

Anti-capitalismo visceral no cerne verde
Anti-capitalismo visceral no cerne verde
Eles se identificavam como ecologistas. Os fazendeiros orgânicos eram colocados em contacto uns com os outros através da Soil Association.

Por volta do fim dos anos 60, os líderes da Soil Association mudaram de rumo, tomando uma orientação esquerdista nos debates sobre a escassez das riquezas naturais, e atacando a propriedade privada.

Publicaram artigos elogiando as comunas de Mao e exigindo que glebas fossem distribuídas à população.


O cerne intelectual do movimento ecologista britânico nos anos 60 e 70 se concentrava no Ecologist, jornal editado e financiado pelo irmão de Sir James Goldsmith, homem de negócios multimilionário.

O movimento ecologista americano

Desde 1970, o movimento ecologista americano tem passado por vários estágios, numa versão acelerada em relação ao desenvolvimento do ecologismo em outras partes.

O feminismo americano abriu-se à ecologia na crença de um paraíso matriarcal. Surgiram os ecologistas tecnófobos, louvaminheiros das tribos primitivas do Terceiro Mundo.
Eco-terrorismo contra o capitalismo, a indústria e o consumo
Eco-terrorismo contra o capitalismo, a indústria e o consumo

Os ecologistas-profundos, em busca de uma harmonia de tipo budista, em breve tornaram-se eco-terroristas especializados em sabotagem de fábricas. Com volúpia tecnocrata, estabeleceram planos paras as “bio-regiões”.

Um dos aspectos importantes do plano bio-regional é que a nação-estado e outras fronteiras seriam superados pelas geo-políticas.

Quem irá planejar essas novas áreas, qual o seu tamanho, quem irá policiar suas fronteiras, quem irá averiguar que elas são autossuficientes, estas são perguntas não respondidas.

Contudo, por alguma razão, os Verdes parecem que se dão mal com a autossuficiência. Os ecologistas parecem ter maior necessidade dos recursos da terra do que outras pessoas.

Uma razão talvez seja a democracia participativa, pois gasta tempo assistir às reuniões...

Earth Liberation Front: ações teatrais para impressionar "moderados"
Earth Liberation Front: ações teatrais para impressionar "moderados"
Os ecologistas defendem que o mundo tem população em excesso para poder viver em autossuficiência. As eco-utopias presumem uma população de baixa densidade.

Os ecologistas americanos parecem ter aderido há pouco ao movimento. Eles ignoram seus ancestrais. Esquecem não apenas seus precursores do século passado, como também suas próprias profecias.

As visões apocalípticas de há vinte anos não se realizaram.

“Desurbanização” e imersão no primitivismo tribal

Ativistas verdes anti-nucleares, Ucrânia
A cultura verde hoje em dia agrega ainda os novos pagãos, tais como os bandos nômades de bruxas inglesas que seguem os planos astrais e as bruxas matriarcais alemãs que adoram as mesmas pedras outrora cultuadas pelos nazistas.

O movimento pagão na Inglaterra e nos Estados Unidos surgiu a partir do feminismo matriarcal e dos movimentos anti-nucleares, juntamente com as tendências astrológicas e cultuadoras da natureza do movimento naturista deste século.

A “Nouvelle Droite”, forte na França, Itália e Bélgica, é verde em sua crítica cultural.

Apoia os valores helênicos, incluindo o paganismo grego e defende, como pensamento político, uma espécie de dissolução das fronteiras nacionais em razão de determinismo geográfico, o qual se parece muito com o plano das “bio-regiões” dos ecologistas norte-americanos.

Partido Verde, Inglaterra
Partido Verde, Inglaterra
Oposição à poluição ambiental e à destruição da paisagem fazem automaticamente parte de seus valores.

Uma continuidade ideológica do mesmo gênero foi encontrada na “Nova Direita” na Rússia. O movimento oposicionista “Veche”, fechado pela KGB em 1973, reivindicava o renascimento de uma Rússia camponesa, possivelmente localizada na Sibéria, enquanto a Rússia europeia era deixada aos marxistas.

A “utopia liberal”, defendida pelo movimento, exigia a desurbanização da Rússia e uma evacuação das cidades.

Pode-se realmente falar de uma crítica ecológica cultural conjunta, de uma ética verde comum às bruxas, aos neonazistas e aos professores franceses?

De fato, eles têm pontos em comum, apesar da inverossimilhança de uma futura cooperação.

Primitivismo tribal: o ponto de chegada dos verdes
Primitivismo tribal: o ponto de chegada dos verdes
Todos são anticapitalistas e defendem a ética do anti-crescimento. Todos são pacifistas que acreditam que a dissolução das fronteiras da nação-estado removerá as causas de guerra.


São contrários à economia de mercado, e fazem reparos à tentativa do homem de escapar às leis da natureza.

Apoiam também o retorno à sociedade tribal, à “aldeia global”.


Obviamente, as cidades deverão desaparecer, e o homem deverá voltar para o campo a fim de reconstruir uma nova era, uma nova civilização, um novo mundo.


(Autor: excertos de Anna Bramwell, “Ecology in the 20th Century, A History”, Yale University Press, New Haven, Ct., and London, 1989).

continua no próximo post

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O que é a ecologia? 3
O ecologismo no cerne do nacional-socialismo

Walter Darre, ministro de Agricultura de Hitler, ecologista,  promoveu o "retorno à terra"
Walter Darre, ministro de Agricultura de Hitler, ecologista,
promoveu o "retorno à terra"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs






continuação do post anterior: O extremismo do fundador superado pelos discípulos


Johann von Thunen (1785-1850), economista e geógrafo alemão, autor do livro “O Estado Isolado” foi considerado o mentor intelectual dos Nacional Socialistas alemães e dos comunistas alemães-orientais do pós-guerra.

Os ecologistas ainda o citam hoje em dia.

Defendia a vida rural camponesa numa estrutura social na qual “o Estado não pode existir enquanto determinante da vida moral, econômica e social.”
Queria a imigração em massa para a América do Norte, onde o solo fértil poderia realizar sua utopia.

“A natureza revela seus segredos ao camponês que traz modificações para a vida social”. A consequência desta filosofia econômica esquerdista na reforma agrária foi mais tarde assumida pelo socialismo de Estado.

Reestruturando o planeta em clave anárquica

A geografia, aparentemente a mais positivista das ciências, suscitou numerosos reformadores sociais, precursores dos ecologistas. De fato, era pequeno o passo que separava a descrição do uso do solo e sua estrutura da recomendação de reformas específicas.

A geopolítica, disciplina inventada por Halford Mackinder e Karl Haushofer, elaborou o conceito de Raubwirtschaft ou da “economia exploradora”.

Já em 1905, Elisée Reclus, anarquista francês, escrevera uma obra em 19 volumes para provar o “efeito quase exclusivamente destrutivo do homem sobre o meio ambiente”.

O estudioso franco-russo, Eduard Petrie, escreveu em 1883 que a colonização de estilo ocidental destruiu não apenas o ambiente físico, mas a cultura e o espíritoetocídio das tribos primitivas.

Outro importante radical destas primeiras correntes ecológicas foi Patrick Geddes (1832-1932), defensor encarniçado da volta-ao-solo descentralizadora.

Geddes esperava que a sociedade moderna iria abandonar a produção industrial e o uso de energia, passando para o uso “biológico” de energia tendo a aldeia como modelo social. Desejava fundar uma nova sociedade descentralizada com base no binômio camponês-aldeia.

O planejamento de casas e aldeias, de regiões e nações era o objetivo de Lewis Mumford, discípulo de Geddes.

Em 1940 advogou o estabelecimento de um governo mundial para reordenar a população da terra de modo mais belo e eficiente. A principal tarefa do século XX seria reestruturar o planeta...

A despeito dos repetidos fracassos do planejamento social, a ecologia política caiu no paradoxo de manter a crença de que o homem é capaz de interferir benevolamente na vida de outro homem.

A importância dos ecologistas energéticos reside no fato de que eles estabeleceram as bases para o cálculo do futuro das sociedades humanas. Embora muitos fossem ainda eurocêntricos, alguns já eram tão universalistas e anti-ocidentais quanto os ecologistas de hoje.

Alguns deles foram socialistas libertários, inspirados por Morris ou Ruskin, defensores da aldeia e da sociedade camponesa.

Todos eles acreditavam em reformas baseadas em cálculos científicos e em sua própria visão de decadência e desastre.

Todos eram racionalistas, todos rejeitavam as instituições políticas vigentes, advogando um governo mundial por meio de instituições apolíticas.

Quando a crise do petróleo ameaçou o Ocidente no início da década de 70, reapareceram os mesmos argumentos acerca dos recursos finitos, bem como os mesmos planos para reestruturar a sociedade, de molde a fazer o uso mais econômico possível do solo e da energia.

Reforma agrária e utopia ambientalista

O ecologismo do início do século XX defendia a ideia de que trabalhador rural deve possuir a terra em que trabalha.

Porque a reforma agrária significa a partilha das grandes propriedades, era vista como um movimento de esquerda. Na Inglaterra, os grupos pró reforma agrária eram constituídos de pessoas provenientes da classe média alta.

Rudolf Steiner e o III Reich

Que importância as ideias ecológicas tiveram para o III Reich?

É difícil avaliar como o nazismo foi visto em diferentes épocas por seus apoiadores.

Existe um corpo de discursos e livros que esboçam a ideologia nazista, mas longe de serem completos.

Os discursos de Hitler nunca foram colecionados e publicados na íntegra, mesmo no original alemão. Do que existe, pode-se porém deduzir uma ideologia.

Felizmente, não é preciso esticar um mosquito para mostrar que havia um veio de ideias ecológicas entre os nazistas.

A prova é ampla; ela existe nos arquivos ministeriais e pessoais do III Reich.

Uma discussão sobre as ideias verdes e ecológicas, presentes no nazismo, está fadada a ter um efeito explosivo. Há também possíveis consequências políticas.

O Partido Verde na Alemanha de hoje é popular entre muitos intelectuais descontentes, por parecer puro e não tisnado pelo passado. É um potencial aliado do SPD, e portanto opositor da Democracia Cristã de direita.

Os verdes adotaram as posições da extrema esquerda: feminismo, igualitarismo e agitação anti-nuclear.

Uma ligação entre as ideias verdes em moda atualmente e o nazismo poderia suscitar incômodos e até mesmo vitupérios.

Houve dois níveis de apoio à ecologia no III Reich. O primeiro, a nível ministerial; o segundo, a nível administrativo, nos órgãos do Partido.

Os dois ministros simpáticos às ideias ecológicas foram Rudolf Hess e Walter Darre, líder camponês e Ministro da Agricultura entre 1932 e 1942.

Fritz Todt, presidente da Organização Todt, era também um ecologista. Hess era seguidor de Rudolf Steiner e homeopata.

O escritório de Hess empregava diversos ecologistas, entre os quais Anthony Ludovici, que escreveu largamente sobre a necessidade de um uso planejado da terra, orgânico e ecologicamente equilibrado.

Havia milhares de fazendeiros bio-dinâmicos alistados na “Guerra da Produção” nazista.

Blut und Boden (Sangue e Solo) era a organização de Darre
Tamanho era o número dos alternativos ligados a Hess na Chancelaria que Martin Bormann fez circular um memorando pedindo o fim dos “círculos ocultos e confessionais”.

Isto mostra a frincha dentro do Nacional Socialismo entre os homens práticos e os alternativos, individualistas rebeldes contra as estruturas da República de Weimar e que trouxeram suas crenças para o III Reich.

A Alemanha nazista foi o primeiro país da Europa a formar reservas naturais.

Foi o primeiro país a insistir na plantação de árvores de espécie mista para conservar o equilíbrio ecológico; a introduzir leis para proteger o habitat da vida selvagem etc.

Apesar de a Alemanha ter — segundo se acreditava — uma carência aguda de terras, era considerado sacrossanto o solo arborizado.

Quando parte da Polônia foi incorporada à Alemanha em 1939, 25% de todas as terras aráveis foram reservadas para serem florestadas. Na década de 30, 2/5 de todo o solo alemão estava reservado para florestas.

A folha de carvalho era o símbolo das SS.

Houve tensão entre a Alemanha e a Itália quando Mussolini insistiu em continuar cortando árvores no Sul do Tirol.

A era do camponês integrado na terra

Entre as duas grandes guerras havia se difundido a ideia de que o campesinato tinha uma missão “especial”.

Rudolf Steiner, fundador da antroposofia, inspirou em 1925, uma nova escola de agricultura bio-dinâmica que visava a preservar o espírito do solo e cuidar para que este fosse arado de acordo com sua teoria de forças-vivas e influências magnéticas do cosmos.

Os fertilizantes artificiais eram rejeitados enquanto coisa morta feita pelo homem.

A terra era um ser vivo: o solo, seu olho ou orelha. A agricultura deveria fazer parte de uma unidade orgânica mundo-terra.

Depois do voo de Hess para a Inglaterra, o movimento bio-dinâmico foi perseguido.

Todos os que estavam ligados às ideias de Hess — homeopatas e naturistas — tornaram-se suspeitos.

Walter Darre, Ministro da Agricultura, devotou seus dois últimos anos a fazer campanha em prol das fazendas orgânicas, em sentido contrário à vontade de Backe, Bormann e Goering.

Um terço da liderança nazista apoiou a campanha de Darre; outro terço era favorável às ideias orgânicas, mas negou-se a apoiá-las devido a suas ligações com Rudolf Steiner e as ideias antroposóficas; e o terço restante foi hostil.

Himmler exigiu leis anti-vivisecção.
Himmler exigiu leis contra a vivisecção.
Himmler fundou fazendas orgânicas experimentais para plantar ervas para os remédios dos SS.

O diretor do Bureau SS para Raças e Colonização, Gustav Pancke, visitou a Polônia em 1939 para criar fazendas orgânicas.

Por insistência de Himmler, foram aprovadas leis anti-vivisecção.

O treinamento dos SS incluía aprender a respeitar a vida animal.

À maneira dos ecologistas de hoje, os nazistas se opunham ao capitalismo e ao sistema de mercado orientado para o consumidor.


Com seu programa “Volta à terra” o III Reich alcançou seus maiores sucessos e fracassos ecológicos.

O programa de colonização era essencial para os planos nazistas de criar uma Alemanha rural.

Ele iria varrer a antiga nobreza por meio da reforma agrária e estabelecer uma nova nobreza camponesa.

O ímpeto retórico dos nazistas agrários radicais voltava-se para a formação de uma Alemanha que integrasse uma Internacional Camponesa da Europa do Norte, onde as fazendas seriam dirigidas de acordo com o alvitre dos comitês de conselheiros locais.

Tal retórica, comportando um ataque em larga escala contra a economia capitalista e o direito de propriedade, defendia que o comércio exterior e a industrialização haviam sido elaborados por capitalistas manipuladores para forçar as populações rurais a confluírem para as cidades.

O sistema industrial teria sido construído para impedir as autonomias locais e a autossuficiência. O remédio seria a total ruralização da Alemanha.

O fracasso militar na II Guerra Mundial pôs fim às tentativas, mas não à utopia.

(Excertos de: Anna Bramwell, “Ecology in the 20th Century, A History”, Yale University Press, New Haven, Ct., and London, 1989).



domingo, 10 de abril de 2016

O que é a ecologia? 2
O extremismo do fundador superado pelos discípulos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Continuação do post anterior: O que é a ecologia 1 - O panteísmo monista do fundador Ernst Haeckel

(Fonte: excertos de Anna Bramwell, “Ecology in the 20th Century, A History”, Yale University Press, New Haven, Ct., and London, 1989).

Apesar de sua ênfase aparentemente inócua nas belezas e maravilhas da natureza, o monismo do fundador da ecologia Ernst Haeckel era um credo subversivo, não apenas pelo seu repúdio à religião organizada, mas também pel rejeição das tradições sociais.

Todos os organismos vivos, amebas, macacos, homem primitivo e homem educado, devem cooperar entre si como um só ser. A sociedade humana existente deve ser rejeitada se for ultrapassada pelos avanços científicos que se gestavam nos grupos panteístas.

Haeckel só se tornou presidente da Liga Monista, inspirada por ele, em 1905. Seus escritos foram atacados por grupos cristãos e conservadores. Embora fossem apresentados como de direita, os monistas eram firmemente esquerdistas, muitos deles socialistas e materialistas.

Nesta galáxia de sonhadores "esquisitos" circulavam pequenos grupos cultuadores da natureza que haveriam de dar na "tintura mãe" do fanatismo nazista.

Ecologia e socialismo

A maior parte dos primeiros ecologistas pertenceram ao Partido Social Democrata Alemão. O apelo de Haeckel encontrou ressonância numa geração de ateus republicanos e socialistas, desejosos de seguirem o que de fato era uma nova religião com ares de credo naturalista.

Homem e natureza: uma coisa só. Retorno a conceitos pagãos.
Homem e natureza: uma coisa só. Retorno a conceitos pagãos.
A ênfase de Haeckel naquilo que era ao mesmo tempo maravilhoso e orgânico era persuasiva. Era a crença na sociedade enquanto um todo orgânico a conceder validez científica ao relativismo.

A importância política que tiveram iria se manifestar no futuro, muitas décadas depois do colapso do nazismo, quando a classe média educada começou a apoiar os verdes.

Haeckel e os monistas não apoiavam a democracia, porque não confiavam que alguém — exceto os cientistas — pudesse compreender o homem e a sociedade.

O legado mais importante de Haeckel foi seu culto à natureza, a crença de que o homem e a natureza são uma coisa só, e que causar danos a um era causar danos ao outro.

Neste sentido, ele é mais fundador da moderna ecologia do que os biologistas holistas que elaboraram teorias referentes à conduta humana e à organização social.

Origem do termo “ambiente”
Konrad Lorenz forjou o termo "ambiente" no sentido ecológico
Konrad Lorenz forjou o termo "ambiente" no sentido ecológico


Em 1909, o fisiologista alemão Jacob von Uekhull empregou pela primeira vez o termo “ambiente”, enquanto significando o mundo subjetivo ou fenomenal do indivíduo.

O fosso de separação entre o homem e o animal estava encurtado pelo desenvolvimento da etologia.

Os etologistas procuravam os mecanismos precisos que explicassem os instintos. Sem o conceito de ecologia, não se estabeleceria a relação entre os organismos e os ambientes em seu “habitat” natural.

O conceito promovia a ideia de que a conduta animal ou humana só poderia ser entendida examinando seu “habitat” natural. O que levou à conclusão de que o laboratório não era o meio adequado para se compreender as complexas e sutis interações entre os animais e o homem.

O primeiro e mais famoso etologista foi o naturalista austríaco Konrad Lorenz. Ele via os animais e o ambiente como um todo.

Para Lorenz, o homem só é mais um animal
Para Lorenz, o homem só é um animal a mais
Cada animal era um indivíduo. Segundo ele, os animais aprendem, modificam-se, amam, sentem surpresa, inveja e dor como os homens.

Com base nesta nova ciência, viu-se que o fosso entre o comportamento humano e o animal não era tão grande como se pensara.

Filosofia e militância contra o homem

A porta estava aberta para o anti-antropomorfismo científico, para a ideia de que é errado distinguir a situação moral e mesmo legal entre as diferentes espécies.

Lorenz argumentava que se se reconhecesse a natureza animal do homem, este teria mais facilidade em resolver seus problemas políticos e sociais.

Através da etologia humana, podemos ver algumas raízes ocultas da ecologia que aparecem. A primeira é a posição anti-antropomórfica.

A visão ecológica do homem enquanto animal não dependia mais de uma avaliação moral. Os valores ecológicos estavam apoiados por uma nova ciência.

O homem virou o inimigo da natureza e é preciso acabar com ele, diziam
O homem virou o inimigo da natureza e é preciso acabar com ele, diziam
O anti-antropomorfismo explícito de Haeckel foi desenvolvido pelos etologistas. O vitalismo influenciou também o quadro científico da própria terra e da vida humana.

Os geógrafos alemães von Humboldt e Carl Ritter descreveram a terra como um organismo em funcionamento, defendendo a tese de que o homem e o solo têm uma aliança mística indissolúvel.

O termo biosfera foi reativado na década de 20 por um biólogo russo. A fusão do vitalismo biológico com a geologia orgânica parece ter sido uma premissa para a visão global dos ecologistas de hoje.

A economia energética contra a população e a tecnologia

Espalhar pânicos de fim dos recursos
Espalhar pânicos de fim dos recursos
Os ecologistas economistas são considerados por alguns autores como os primeiros ecologistas de fato.

O apelo à preservação das escassas reservas naturais constitui talvez um dos mais fortes argumentos dos verdes.

A existência de reservas naturais fixas, não-renováveis, tornou-se um problema quando se entendeu as implicações da teoria da dissipação da energia.

O universo foi então visto como um sistema fechado: a energia dissipada não poderia mais ser substituída.

Alguns ecologistas energéticos têm uma atitude positiva face às possibilidades da tecnologia orientada para uma espécie de futurismo “sobreviventista”, mais difundido na comuna ecológica de hoje em dia do que no início do século XX.

O medo da escassez de energia, de solo, de alimentos, a super-população, etc., obsessionava os ecologistas energéticos.

Granja ecosocialista Xardín do Cernunnos, Galicia, Espanha.jpg
Granja ecosocialista Xardín do Cernunnos, Galicia, Espanha
Surgiu uma disciplina baseada nesses problemas. Às grandes fazendas capitalistas, preferiu-se o campo trabalhado intensivamente pelo camponês.

O aproveitamento máximo da terra foi visava a eliminação das economias de mercado “desperdiçadoras”.

Os camponeses desligados do capitalismo agrário eram considerados como a fonte não só da coesão social e dos valores conservadores, mas também do progresso agrícola ecologicamente sadio.

O conceito panteísta da Terra Mãe, espécie de ente divino já tinha tomado forma. Faltavam os movimentos que lhe desse expressão política, os símbolos, os lideres. Mas esses estavam em gestação em países germânicos e anglo-saxões. Muito especialmente na Alemanha.

Continua no próximo post: O que é a ecologia? 2 - O extremismo do fundador superado pelos discípulos