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domingo, 5 de maio de 2024

Produtores agrícolas derrotam escravizador “Pacto Ecológico Europeu”

Em Berlim, produtores recusam a utopia que os arruina
Em Berlim, produtores recusam a utopia que os arruína
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Uma extraordinária mobilização dos produtores agrícolas europeus obteve grande vitória contra o poder de lobby político ambientalista europeu, reconheceu a grande mídia internacional, até a contragosto. 

Os produtores forçaram o órgão executivo da UE – Comissão Europeia – a recuar em todos os pontos da “Agenda Verde” que os quebraria com o pretexto de combater o “aquecimento climático”.

Entretanto, eles são uma minoria que representa apenas 4% da força de trabalho do continente, cuja população atinge 580 milhões de pessoas. Mas sua determinação, consagrada já na lavoura, afastou os perigos aprontados pelo socialismo ambientalista.

A presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, anunciou de público que retrocederia em 2 medidas fundamentais reprovadas pelos trabalhadores rurais:

1ª) descartou a disposição crucial denominada “Acordo Verde Europeu” ou “Pacto Ecológico Europeu”, que planejava reduzir o uso de pesticidas pela metade até 2040, medida que os produtores rurais consideravam sinônimo de “desaparecimento” na ultra controlada agricultura europeia;

Protestos no coração de Paris
Protestos no coração de Paris
2ª) afastou a meta de reduzir pela metade as emissões de dióxido de carbono (CO2), outra desastrosa utopia verde, agendada para ser executada num prazo de 15 anos.

A indignação levou os produtores agrícolas europeus a uma ofensiva de protestos legais. A dupla formada pela Comissão Europeia de Bruxelas e o Parlamento de Estrasburgo, sofreu uma derrota política mais uma vez.

O dirigismo desses organismos europeus foi vergado pelo setor agrícola que estabeleceu uma hegemonia virtual, enquanto o ecologismo-socialismo não recomece a atacar.

Úrsula von der Leyen também concordou em acabar com o caráter excepcional das importações agrícolas da Ucrânia, que duplicaram no ano passado, quando passaram de 7 bilhões de euros em 2022 para 13 bilhões em 2023, prejudicando aos agricultores europeus que a UE deveria defender prioritariamente.

É de bom senso que a solidariedade europeia com a Ucrânia não pode violar a prioridade dos produtores agroalimentares locais.

Resultou ser assim que a união do campo europeu ficou mais poderoso do que as cumplicidades dos políticos europeus com o ditador russo Vladimir Putin.

Von der Leyen reconheceu explicitamente o poder invicto dos agricultores europeus quando salientou que “a preocupação com o futuro da agricultura e com o seu próprio destino como produtores” deve agora ter precedência.

A realidade era pior ainda: a Comissão Europeia privilegiava os blefes ambientalistas ameaçando a segurança alimentar do continente.

Protesto em Paris contra as normas ecológicas punitivas
Protesto em Paris contra as normas ecológicas punitivas
O problema subjacente da agricultura europeia é o espírito socialista e confiscatório da utopia da unificação das nações que fez da agropecuária uma atividade hiper-regulada e extraordinariamente subsidiada.

O estrangulador regime de subsídios e afogamentos da liberdade produtiva da EU impõe um fardo esmagador de regulamentos administrativos e burocráticos aos produtores do continente.

A Comissão Europeia voltou-se também contra o atividade industrial urbana, sempre com os pretextos de combater o “aquecimento global” e outros blefes verdes.

Dessa maneira, a vitória dos produtores agropecuários soou como advertência de que na Europa se caminha para uma ruptura completa entre as elites políticas e a cidadania urbana e industrial.

Respira-se no continente o mau cheiro da profunda falta de legitimidade social e política do aparelho governamental paneuropeu.

Essa desconexão estrutural entre a cúpula e a imensa maioria dos cidadãos vem assombrando a unificação europeia desde as origens do processo de unificação, ou de abolição das nações.

Esse foi iniciado na década de 1960, num enganoso e dominante otimismo, mas depois o dirigismo da nova realidade, semente de República Universal, deixou lugar ao desencanto em todos os estratos sociais.

Esse mal-estar alimentou o renascimento de uma ambígua extrema-direita, em todo o lado e ao mesmo tempo.

Desde a “Alternativa para a Alemanha” na República Federal alemã, à “Frente Nacional” de Marine Le Pen na França, e ao Vox de Santiago Abascal na Espanha.

A cúpula política de Bruxelas se diz preocupada com as “alterações climáticas” e não foi capaz de perceber como ofendia ao movimento agroalimentar, que com as suas greves de reboques e tratores e bloqueios de estradas, se sente, com razão, vencedor de uma imensa luta desigual.

Protesto na Holanda daqueles que sim conhecem a natureza
Protesto na Holanda daqueles que sim conhecem a natureza
Ficou evidenciado ao descontentamento agropecuário, e aos cidadãos engajados nas atividades urbanos e industriais qual é a forma mais eficaz de protestar contra a imposição da utopia ecológica e socializante..

Assim, foram eliminadas diretamente as cláusulas da “lei verde” que estabelecia um corte de 30% nas emissões de gases estufa e metano em 2040, e desapareceu completamente o objetivo máximo de redução de 90% nas emissões de dióxido de carbono (CO2), que devia ser imposto no mesmo período.

Durante mais de 20 anos, a população europeia abandonou os governos social-democratas e de esquerda e virou, com nuances, para o centro-direita tradicional. Esse agora controla o Parlamento Europeu e canaliza as exigências agrícolas.

O curioso, porém, é que a União Europeia ainda insiste em dar lições de comportamento ambiental a outras regiões do planeta, como é o caso do Mercosul no acordo fracassado entre a região e Bruxelas.


domingo, 17 de março de 2024

Até FAO pede produzir mais carne

735 milhões de seres humanos precisam de calorias animais
735 milhões de seres humanos precisam de proteinas, gorduras e nutrientes animais
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs







A ofensiva contra a produção e consumo de carne pretextando que estão entre os culpados do aumento da temperatura do planeta até 2050 se contradisse a si própria na reunião sobre alterações climáticas no Dubai, COP28, um dos supremos cenáculos de propagação dessa falsa crença contrária à carne.

Nessa reunião planetária a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou um relatório sobre a alimentação mundial intitulado Roteiro de Sistemas Alimentares, observou “Clarin”.

Ele documenta que atualmente há mais de 735 milhões de pessoas que sofrem de nutrição insuficiente.

A novidade absoluta consistiu em que a FAO afirmou a necessidade de aumentar a produção de carne e lacticínios, para aumentar o seu consumo nos países em desenvolvimento.

Especialmente para aqueles cujas populações estão hoje subnutridas, ou experimentam deficiências nutricionais notáveis pela falta de consumo suficiente de proteínas animais.

A FAO salientou que “os tipos de proteínas, micronutrientes, gorduras e hidratos de carbono encontrados na carne, nos ovos e nos lacticínios não podem ser fornecidos pelos alimentos de origem vegetal, o que significa que é necessário produzir mais proteínas da carne para atender a essa imensa demanda”.

Veganos e ecologistas militantes ficaram de rosto no chão.

A FAO pediu incentivar a inovação científica e tecnológica na produção de carne e produtos lácteos visando reduzir os volumes de gás metano originado na pecuária.

A propaganda do ambientalismo magnífica o fato de o gás metano produzido pelos animais ser mais prejudicial que o dióxido de carbono (CO2) no aumento da temperatura da atmosfera.

Segundo a Universidade de Oxford, o potencial calórico do metano é 80 a 100 vezes superior ao do CO2 e é responsável por mais de 30% do aquecimento da atmosfera, vivido desde a primeira revolução industrial (1780/1840).

Gado Hereford na Argentina. FAO pede produzir mais
Gado Hereford na Argentina. FAO pede produzir mais
Se for verdade como insiste a fábrica ecológica de pânicos anti-civilizatorios que o aumento atual do CO2 desertificaria o planeta por aquecimento mais cedo ou mais tarde, então com o metano animal estaríamos fritos 80 ou 100 vezes mais rápido ou por um clima centuplicadamente mais quente.

A Nova Zelândia, que investe mais de US$ 54 milhões anualmente em laboratórios e testes de gado desde 2003, estudou diferentes tipos de animais e raças que produzem geneticamente menos metano.

Também chegou a um intenso processo de especialização biológica que obteve uma queda de 30% a 40% em relação às raças de animais que mais geram gases.

Porém o mais surpreendente foi a proposta da FAO – líder nos exageros ecológicos – de incentivar sistematicamente a produção de carne no mundo.

Ela chegou ao evidente e contradisse diretamente os ambientalistas extremistas que consideram que não há combate possível às alterações climáticas se não houver redução – e no limite eliminação – dos rebanhos pecuários.

O relatório da FAO também descobriu outro “ovo de Colombo” afirmando que a segurança alimentar e nutricional é um dos direitos humanos mais relevantes da época.

Defendeu então que é chegado o momento de descartar preconceitos e expressões de ignorância, e de apostar na inovação, sobretudo na produção de proteínas cárneas: carnes, laticínios, ovos e derivados.

A desnutrição no mundo vai além do mero déficit calórico porque o número de pessoas que não pode pagar uma alimentação saudável atinge mais de 3.000 milhões de indivíduos, nos quais proliferam problemas cardíacos, excesso de peso e saúde geralmente frágil, propensa a doenças.

Graves problemas de saúde atingiriam grande parte da humanidade se se pusesse em prática a propaganda ecologista contra a carne, que à luz deste relatório assume um fácies criminoso.

A FAO pediu não só aumentar sistematicamente a produção de carne e laticínios mas, ao mesmo tempo, fornecer informações suficientes sobre a natureza benéfica do consumo de carne.

Em suma, para a FAO chegou o momento de procurar sistematicamente o aumento da produtividade da carne no mundo com inovação constante.

Para a pecuária brasileira e argentina, dois países que sustentam benemeritamente o consumo mundial, o relatório pode tornar-se um apoio de alcance internacional.

domingo, 29 de outubro de 2023

Promessas ambientais brasileiras ao Acordo de Paris custariam R$ 1 trilhão

Um trilhão de reais impagáveis para fazer ecologicamente bonito
Um trilhão de reais impagáveis para fazer ecologicamente bonito
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Brasil precisará de R$ 1 trilhão para cumprir suas promessas de redução de emissão de carbono até 2030, segundo o Fórum Econômico Mundial e a consultoria Oliver Wyman.

O Fórum pede também que o País combata o desmatamento e imponha uma mudança de trabalho ao agronegócio.

A monstruosa promessa não paga e tal vez razoavelmente impagável foi feita pelo governo de Dilma Rousseff na hora de assinar o Acordo de Paris em 2015. O governo esquerdista apresentou como meta do Brasil reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2030, tendo como base os níveis de 2005.

O governo Lula apresentou em setembro de 2023 um Plano de Transformação Ecológica (PTE) que “vai muito além dos cuidados com o meio ambiente”, segundo o Ministério da Fazenda.

Mas não especificou detalhes tal vez pela inviabilidade demagógica da promessa. Nesta matéria o excesso verbal é fácil e os aplausos estão garantidos se o governo é de esquerda e faz bonito para a claque ambientalista mundial.

Com o governo de Lula, as condições estão postas para que o Brasil tenha sucesso nos próximos fóruns internacionais e se arvorar em protagonista da agenda ambiental mundial com promessas que afundam o País e que não se sabe se podem se aplicar, como foi o caso das promessas de Dilma no Acordo de Paris.

Kai Keller, líder de engajamento empresarial, estratégia regional e parcerias do Fórum Econômico Mundial, se referiu à expectativa de que o governo brasileiro apresente propostas empolgantes na Conferência do Clima (COP), em novembro, em Dubai.

“Estou muito confiante de que, quando estivermos em Dubai para a COP deste ano, o Brasil terá uma narrativa atraente para contar”, disse.

No acordo de Paris, Dilma Rousseff endividou o Brasil em R$ 1 trilhão em promessas)
No acordo de Paris, Dilma Rousseff endividou o Brasil em R$ 1 trilhão em promessas)
O País estaria buscando assumir um papel de liderança com o PTE. “O compromisso do Brasil em combater a mudança climática está se fortalecendo”, diz o texto.

O alvo primordial é o setor agropecuário, que seria o segundo maior responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no País.

O principal culpado é o desmatamento, que mancharia a imagem ambiental do País nos cenáculos das esquerdas mundiais. Também é apontado como culpado o avanço da fronteira agrícola que é posto no mesmo nível do garimpo ilegal.

A indústria nacional, ao igual que os países industrializados, sae menos criticada.

O maior problema é que o mundo enfrenta uma crise de segurança alimentar e o Brasil que é um grande fornecedor global é vitimado por uma ofensiva anti-agronegócio pode reduzir os recursos alimentares de muitos milhões de habitantes da Terra.

A questão entretanto é saber de onde virá o dinheiro em cifras trilionárias para financiar o prejudicial plano verde.



domingo, 12 de junho de 2022

'Agronegócio' na Amazônia em cidades com pirâmides e estradas séculos atrás?

Escaneios com raios laser (LIDAR) de Cotoca revelam estruturas ceremoniales e estradas radiais (Prümers et al., Nature, 2022)
Escaneios com raios laser (LIDAR) de Cotoca revelam estruturas cerimoniais
e estradas radiais (Prümers et al., Nature, 2022).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em outros posts temos tratado das “civilizações perdidas” da Amazônia. Essas não têm nada de ficção, civilizações que se desenvolveram nessa região há muitos séculos deixaram vestígios relevantes que vêm sendo postos à luz por arqueólogos e cientistas, cujos estudos estão sendo divulgados na imprensa internacional. Cfr. Clarín.


Paradoxalmente essas civilizações indígenas modificaram o meio ambiente e fizeram progressos civilizacionais na linha que tenta fazer o agronegócio com recursos modernos. Os inimigos do atual progresso silenciam aqueles progressos autóctones afins com os atuais.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cúpula dos Povos: Frente Ampla do retorno ao primitivismo

Rio+20: "Cúpula dos Povos". Foto Marcello Casal Jr-ABR
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Até o presente vínhamos acompanhando neste blog o fenômeno de velhos militantes ou antigos movimentos da esquerda, mais ou menos eivados de marxismo, que se reciclavam e adotavam uma linguagem “verde” ou “ambientalista”.

E o faziam de um modo peculiar: distorciam o significado dos termos e manipulavam problemas gerados pela civilização industrial que pediam correções sensatas mais ou menos importantes, segundo os diversos casos.

Essas distorções e manipulações não visavam à melhoria do nível de vida da humanidade e a sábia gestão da natureza.

Pelo contrário, explorando pontos fracos da civilização industrial, em nome da natureza, da saúde e do bem do planeta, apresentavam propostas que levariam a consequências danosas.

Mas, analisando o rumo geral desses neo-ambientalistas, começava a se delinear como alma do movimento o velho comunismo disfarçado de verde e aliado com outros movimentos igualmente voltados contra os fundamentos do modo de vida civilizado.

Como uma nuvem desconexa de vespas atacando uma só pessoa, essas diversas tendências militantes não expressamente socialistas ou marxistas apresentavam reivindicações que conduziriam em ultima análise ao colapso da civilização. Por exemplo, os movimentos pela droga, pela revolução sexual, favorecedores de conflitos raciais, contrários à família, à vida, etc.

Na “Cúpula dos Povos” da Rio+20 essas tendências dessemelhantes lançaram um manifesto comum. Manifesto ambientalista sem dúvida, mas em pé de guerra.

Nova “vanguarda do proletariado” da Terra genuinamente vermelha
e profundamente verde ntra a ordem ainda subsistente
Nele, os signatários se apresentam como uma frente ampla, unida em luta contra o regime de propriedade privada, contra a família, contra a harmonia das raças, das etnias, das culturas e das religiões, impulsionados por um visceral espírito de luta de classes.

Uma luta de classes não apenas materialista, como na velha vulgata marxista-leninista, mas total e em todas as frentes existentes: econômica, social, étnica, cultural e religiosa.

É assim que o documento final da Cúpula dos Povos sintetiza “os principais eixos de luta para o próximo período”.

Esta Frente Ampla oficializada na Rio+20 dá corpo à nova “vanguarda do proletariado” da terra genuinamente vermelha e profundamente verde contra a ordem ainda subsistente.

E isso para “salvar o planeta”!

Reproduzimos a seguir a íntegra de sua “Declaração final”, que é um equivalente do desatualizado “Manifesto comunista” de Marx e Engels de 1848, só que ainda mais ousado e radical.

Este post pode bem ser incluído na série que publicamos sobre a história da ecologia e do ambientalismo, porém como o presente palpitante e talvez como a história futura...

P.S.: Preservamos no texto “português” os termos em espanhol, inglês e outros estrangeirismos.

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental – Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A puída Teologia da Libertação tenta se remoçar.  Foto: ex-frei Boff, agora teólogo da Mãe Terra, na Cúpula dos Povos
A puída Teologia da Libertação tenta se remoçar.
Ex-frei Boff, agora teólogo da Mãe Terra, na Cúpula dos Povos
A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembleias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial.

Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo.

Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global.

À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema econômico-financeiro.

A propriedade privada, livre iniciativa fontes do legítimo lucro: demonizadas
A propriedade privada, livre iniciativa fontes do legítimo lucro: demonizadas
As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofóbico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistemática violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.

Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessários à sobrevivência.

A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

Conflitos indígenas: ingredientes da ofensiva neomarxista-ambientalista
Conflitos indígenas: parte da ofensiva neomarxista-ambientalista
As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.

A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

Feminismo: ingrediente do "cocktail Molotov" anticapitalista
O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

Contra a militarização dos Estados e territórios;

Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;

Contra a violência contra as mulheres;

Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;

Contra as grandes corporações;

Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;

Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;

Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;

Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;

Pela garantia e conquista de direitos;

Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;

Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;

Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;

Pela democratização dos meios de comunicação;

Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;

Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra o sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida