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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rio+20 na epiderme confusão; no bojo uma revolução insuspeitada

Desinteresse é grande:  no dia da inauguração do Pavilhao do Brasil  pela presidente Dilma Rousseff caiu o B de Brasil
Desinteresse é grande:
no dia da inauguração do Pavilhão do Brasil
pela presidente Dilma Rousseff caiu o B de Brasil
Repete-se – e até o cansaço – que a Rio+20 tentará dar novo empuxe aos objetivos da Eco-92, ou Rio-92, que ficaram mais ou menos irrealizados.

Mas eis o fenômeno singular da Rio+92: o evento pode mudar o mundo porém o mundo não sabe o que está se querendo fazer com ele nesse evento.

A contradição não é nova. A mesma ignorância pairou na conferência mãe – ou confusão-mãe, astuta ou sincera – de 1992, da qual pudemos participar a título de simples cidadão concernido.

O B de Brasil no chão
O B de Brasil no chão
Numa e outra Conferência – mãe e filha – houve e há uma assembleia que representa os governos. Ela discute de modo intérmino, em linguagem tecno-burocrática, documentos finais que poucos leem e, sobre tudo, muito poucos aplicam.

A seu lado, acontece uma Woodstock cultural dos militantes que, esses sim, trabalham de fato para por o mundo de ponta cabeça.


Num e outro ambiente, expressões como “desenvolvimento sustentável” enchem os discursos. Mas, cada um entende uma coisa diversa e todos acham que conhecem o que dizem.

Desde o poderoso diretor mundial de uma grande multinacional que acha que com alguns investimentos e verbas polpudas por baixo do pano a algumas ONGs está tudo resolvido, até os “teólogos” como o ex-frei Boff que pregam na ONU que o planeta já não sustenta mais o gênero humano sobre a Terra.

No meio dessas posições extremas temos o alegre desfilar das figuras do meio termo. Cada um achando que acha que entende, ou mais ou menos, ou qualquer coisa assim.

Maurice Strong, secretario geral da ECO-92:
revolução radical dos estilos de vida da humanidade
Para entender o subproduto Rio+20 é útil relembrar o que foi a fonte da confusão: a ECO-92, ou II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD (United Nations Conference on Environment and Development.

Ela também ficou conhecida como Summit of the Earth, Sommet Terre ou Cúpula da Terra, e constitui até aquele momento a maior reunião de Chefes de Estado e de governo, assim como de represen¬tantes de organizações civis, particulares ou estatais, que já tenha havido na História.

Ela visou um consenso sobre as soluções para os problemas tocantes à ecologia e à sua harmonização com o desenvolvimento a nível planetário.

Quis definir um plano prático para tocar um “desenvolvimento sustentável”, e estabeleceu uma agenda de ações concretas que deveriam marcar o mundo no fim do II Milênio e no início do III Milênio.

O Worldwatch Institute de Washington, organização não-go¬ver-namental com caráter para-oficial, um dos mais poderosos lobbies ecologistas do mundo, explicou para seus seguidores e apoiadores o que na verdade estava se falando a portas fechadas em altos círculos.

Para ele, a ECO-92 devia ser um passo decisivo visando desencadear uma Revolução de alcance incalculável.

Lester Brown foi líder do Worldwatch Institute no tempo preparatório da Rio-92. Em sua contribuição “Lançando a Revolução Ambientalista” para o “Relatório do avanço rumo a uma sociedade sustentável” explicou:

Presidente Dilma Rousseff com o chinês Sha Zukang
Secretário-Geral da Rio+20
Não há precedentes na mudança que temos em perspectiva. Construir um futuro ambientalmente sustentável depende de reestruturar a economia global, introduzir mudanças maiores na conduta reprodutiva dos seres humanos, e provocar mudanças dramáticas nos valores da humanidade e em seus estilos de vida. (...)

“Se a Revolução Ambientalista (maiúsculas do original) atinge seus objetivos, ela será posta no futuro no mesmo patamar das Revoluções agrícola e industrial, como uma das grandes transformações econômicas e sociais da história humana”. (Lester R. Brown, “Launching the Environmental Revolution”, in “State of the World 1992 - A Worldwatch Institute Report on Progress Toward a Sustainable Society”, Worldwatch Institute, Washington, 1992, 256 pp., p. 174).

Na realidade, o poderoso lobby ambientalista queria tornar realidade uma Revolução fruto um sonho tóxico de utopistas anárquicos futuristas. (sobre estes utopistas ver a série de posts sobre as origens da ecologia e do movimento ambientalista que estamos publicando)

Por exemplo, Charles Reich, em seu livro “A ecologização dos EUA”, (“The Greening of America”, Random House, New York, 1970, 347p.) já anunciou essa Revolução Ambientalista em termos algum tanto confusos, utópicos, mas radicais:

“Há uma revolução chegando. Não será como as revoluções do passado. Começará no interior dos indivíduos e da cultura, e só mudará a estrutura política como ato final. Ela não precisará de violência para triunfar, e não poderá ser detida pela violência. (...)

“Esta é uma revolução de nova geração. (...) No centro de tudo haverá o que nós chamamos uma mudança de consciência. Isto significa um novo modo de pensar – um novo modo de viver – um homem novo”.

Reich estampou esse pensamento na própria capa de seu “Ecologização dos EUA”. Seus seguidores entenderam. Mas, quantos dos que repetem seus slogans na Rio+20 sabem ao certo tudo o que está em jogo?

Muitos “vermelhos” de ontem não terão escolhido o “verde” de hoje porque tomaram conhecimento de que pela via ambientalista obteriam o que não estavam conseguindo pela via socialista-marxista?

E os outros? Os ingênuos ... quantos serão vítimas sem sabe-lo? Mas, há ingênuos na Rio+20?




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