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domingo, 30 de maio de 2021

A verdadeira história dos povos que transformaram a floresta da Amazônia está para ser escrita

Vaso de gargalo recuperado em Santarém. Fundo floresta tropical húmida amazônica
Vaso de gargalo recuperado em Santarém.
Fundo foto: floresta tropical úmida amazônica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Aterrado ou ilha artificial.
Aterrado ou ilha artificial.
O arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá, engajado nas investigações, ressalta ainda que a vegetação típica das ilhas artificiais é bem diferente da encontrada nas várzeas.

“A cultura de plantação era diversificada, mostrando conhecimento botânico e um tratamento de engenharia genética na escolha dos alimentos cultivados.

“As mulheres, responsáveis pelas plantações, sabiam escolher quais alimentos cultivar, do açaí ao abacaxi, mais doce, a mandioca, com maior valor energético, até as ervas e plantas medicinais.

“Elas conseguiram transformar e multiplicar a variedade genética. Esses povos modificaram a paisagem, manejaram os recursos e desenvolveram estratégias de sobrevivência de acordo com o ambiente em que viviam.

“Esse foi um legado que deixaram para toda a Amazônia, que precisa ser resgatado.”

É uma surpresa admirável. A mata amazônica não é mera espontaneidade. É fruto de povos inteligentes, que sistematizavam seus conhecimentos, organizavam a produção alimentar e transformavam a selva.
Se hoje eles fizessem esse trabalho seriam condenados pela ONU, ONGs, Pastorais da CNBB, etc., etc. por atentarem conta a pureza da mata.

Entre os milhares de insumos e vestígios desse conhecimento, está ainda o denominado “pão de índio”.

É um material orgânico, que indica técnica tradicional de armazenamento de alimentos de origem vegetal.

Vestígios dão pistas sobre populações que ocuparam as ilhas artificiais na Amazônia Antiga. Foto Júlia de Freitas
Vestígios dão pistas sobre populações que ocuparam as ilhas artificiais na Amazônia Antiga.
Foto: Júlia de Freitas
Existem ainda muitos ossos de peixes e mamíferos, que comprovam a diversificação da alimentação à base de proteína animal nas ilhas artificiais.

E dezenas de fragmentos de cerâmicas, além de sementes carbonizadas, entre outros vestígios.

Das cerâmicas, foram encontrados fragmentos da Hachurada Zonada, estilo que, acredita-se, tenha surgido por volta do ano mil antes de Cristo, continuamos reproduzindo Mar sem fim.

Outras, contudo, são do estilo corrugado. Ele é caracterizado por “rugas” nas peças e vasos. Esse estilo, datado dos séculos XV e XVI, é comum a grupos tupis.

Ilustração de indivíduo da população indígena Omágua, atual Kambeba. Foto Alexandre Rodrigues Ferreira
Ilustração de indivíduo da população indígena Omágua, atual Kambeba.
Foto: Alexandre Rodrigues Ferreira
Na área onde estão as ilhas viviam os omáguas, povo indígena do tronco tupi. “Acredita-se que os omáguas são ascendentes dos atuais kambebas, etnia amazônica com aproximadamente 1.500 indivíduos em território brasileiro.”

Além dos vestígios arqueológicos, há documentos sobre esses povos. São relatos em formato de crônicas feitos por portugueses e espanhóis que navegaram pela Amazônia, entre os séculos XVI e XIX.

O pesquisador do Instituto Mamirauá lembra que construções similares foram descobertas na Ilha do Marajó, Pará, e em Llanos de Mojos, Bolívia.

Segundo o arqueólogo, as descobertas derrubam o mito de que poucas civilizações antigas eram capazes de desenvolvimentos considerados sofisticados para determinadas épocas.

“Não foi apenas nos Andes ou no Egito, com suas pirâmides, como muitos pensam. Há um sistema de vida que teve sucesso ao longo de 13.000 anos aqui no país”.

“Há registros dos omáguas morando em ilhas que datam do século XVI, no mínimo. Por isso, essas ilhas podem ser historicamente associadas a eles.

“Mas, com base nessa data relativa, acreditamos que essas construções possam ser ainda mais antigas. Que essa data possa recuar bastante.”

Esses estudos, diz Amaral, foram iniciados em 2015. “Antes, algumas ilhas artificiais já tinham sido registradas na região, mas as investigações começaram nessa data, em abril.”
Arqueólogo examina uma tigela antiga descoberta durante escavações na Floresta Nacional de Tefé, no coração da Amazônia brasileira. Instituto Mamirauá
Arqueólogo examina uma tigela antiga descoberta durante escavações na Floresta Nacional de Tefé,
no coração da Amazônia brasileira. Instituto Mamirauá
O trabalho é realizado na época da seca, quando a logística de deslocamento pela área amazônica é viável. São viagens que levam dias de navegação ou a pé.

O mapeamento das ilhas artificiais precisa de verbas e um trabalho que pode levar entre cinco a dez anos. Mas faltam recursos.

“Estamos reunindo as informações já coletadas para publicar artigos científicos. Mas precisamos de investimento para continuar e dar maior precisão à pesquisa.”

O Instituto Mamirauá é supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Está localizado em Tefé, a cerca de 550 quilômetros de Manaus.

A ideia ainda é investir para resgatar as informações passadas oralmente de geração para geração, típica das civilizações antigas. Foi dessa forma que os pesquisadores chegaram às ilhas artificiais.

“A arqueologia precisa se voltar para quem mora nessas áreas porque essas pessoas são as conhecedoras. E têm uma tradição oral que a gente consegue rastrear até há quatro, cinco gerações.”

Um outro ‘aterrado’. Imagem Márcio Amaral
Um outro ‘aterrado’. Imagem Márcio Amaral
A momentosa matéria de Mar sem fim recebeu vários comentários, dentre os quais destacamos o assinado por Cleiton.

Ele testemunha desde o Tocantins: “Meu pai passou grande parte da sua vida morando em uma dessas ilhas artificiais!

“Na época ele trabalhava na coleta do látex para produção da borracha! Local chamado de aterro dos índios! Sacabum e lago grande! Próximo a São Paulo de Olivença!

“Inclusive meu pai levou os arqueólogos até essas ilhas artificiais onde ele viveu!”

Uma confirmação viva dessa realidade que fala da grandeza que aguarda à Amazônia nos anos vindouros, superadas as demagogias, mecanizações imprudentes, ignorâncias e ideologias abstratas ou fanáticas. E que emocionou ao responsável de Mar sem fim.

A verdadeira história da Amazônia está para ser escrita, e nada permite acreditar que seu rosto final tenha algo a ver com as mistificações da Teologia da Libertação e do comuno-missionarismo que tudo faz para que essa história verdadeira venha à luz.


Um comentário:

  1. Espero que a verdade e somente a verdade seja publicada sobre a Amazônia furtada, roubada, usurpada, e os indígenas brasileiros torturados por séculos por aqueles que o Brasil abriu os braços e recebeu, com ajuda dos entreguistas brasileiros que o Brasil traiu:
    https://niobiomineriobrasileiro.blogspot.com/2021/05/ilhas-artificiais-na-amazonia-exigiram.html

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