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domingo, 21 de agosto de 2016

Alimentos vendidos como “orgânicos”
não são melhores que os convencionais,
diz cientista dinamarquês

Bjorn Lomborg professor da Copenhagen Business School: a utopia e o marketing estão num lado, mas a realidade está no outro
Bjorn Lomborg professor da Copenhagen Business School:
a utopia e o marketing estão num lado, mas a realidade está no outro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Nunca esquecerei quando, num minúsculo restaurante muito caseiro em Foz de Iguaçu, pude comer um frango deveras caipira! Nem das minhas delícias de criança devorando suculentos pêssegos num galho da plantação de um vizinho amigo.

Nem do entusiasmo com os peixes fritos numa praia do Uruguai, recém-descidos das barcas dos pescadores. Nem do “bife de tira” numa fazenda argentina. Nem... Nem...

Positivamente não sou de comida enlatada, congelada, repleta de conservantes, corantes, e muitas outras químicas incompreensíveis que enchem as prateleiras dos supermercados, inclusive dos melhores e mais caros.

Por isso, num primeiro momento meu movimento instintivo foi favorável à “comida orgânica”, apesar de seu preço inacessível para mim.

Resisti a prestar ouvidos a uma espontânea objeção: a turma verde apronta tantas que, quiçá, quiçá... nos sedutores produtos que oferecem, poderia haver “gato encerrado”, como diz o desconfiado espanhol.

Ainda quero sonhar. Mas sonho é sonho, e realidade é realidade.

E o reputado cientista Bjørn Lomborg me puxou para a realidade.

Ele também quer uma alimentação mais saudável. Mas foi estudar e descobriu, para meu pesar, que os “alimentos orgânicos” oferecidos como mais nutritivos, que fazem sofrer menos os animais e protegem o meio ambiente, são antes de tudo um golpe de marketing.



O professor adjunto da Copenhagen Business School explicou-o em artigo para o jornal londrino “The Telegraph”.

Ele contou que, em 2012, o Centro para uma Política Saudável da Universidade de Stanford, Califórnia, realizou a maior comparação já feita entre alimentos vendidos como “orgânicos” e os convencionais.

E a conclusão foi que não se encontrou “uma prova robusta de que os orgânicos sejam mais nutritivos”.

“Os estudos científicos não mostram que os produtos orgânicos sejam mais nutritivos nem mais seguros de que os convencionais”, insiste o estudo.

Tampouco que os animais criados em “granjas orgânicas” são mais saudáveis, e isto na maioria dos casos. Essa conclusão foi a mesma de um estudo de cinco anos feito nos EUA e referido pelo cientista dinamarquês.

Também o Comitê Científico Norueguês para a Segurança Alimentar não achou “diferenças no índice de doenças”: os “porcos e aves orgânicas podem ter mais acesso a áreas abertas, mas apresentam maiores índices de parasitas, fatores patógenos e predadores”.
A despeito da demonização, a agricultura orgânica usa largamente os pesticidas com licença legal.
A despeito da demonização, a agricultura orgânica
usa largamente os pesticidas com licença legal.

Nem mesmo as abelhas criadas “organicamente” passam melhor.

Lomborg aponta que a “agricultura orgânica” como ela é hoje não passa de um “produto” vendido para quem quiser comprar propaganda.

Afirma-se que consome menos energia, emite menos gases estufa, etc., etc. Porém requer uma área cultivável 84% maior e, no fim, acaba produzindo quase a mesma quantidade de gases-estufa, para mencionar um exemplo.

Para produzir organicamente os alimentos que consomem hoje, os EUA precisariam aumentar a área explorada numa extensão que equivale a erradicar os parques naturais e as reservas em 48 de seus Estados.

Alguém poderia objetar que os alimentos orgânicos pelo menos dispensariam os pesticidas. Mas Lomborg mostra que isso é um engano: a “agricultura orgânica” usa pesticidas “naturais” que ele menciona e que causaram doenças, incluída a leucemia, nos agricultores.

O cientista dinamarquês concede que os alimentos convencionais têm maior contaminação com pesticidas. Mas ela, sublinha, é muito reduzida.

A Divisão de Toxicologia do US Food and Drug Administration, concluiu que todos os resíduos de pesticidas convencionais poderiam causar 20 mortes anuais extras por câncer nos EUA.

Muito? Esse número é pálido se comparado ao impacto na mortalidade caso os EUA como um todo passarem para a “agricultura orgânica”.

O Prof. Lomborg explica esta conclusão, surpreendente à primeira vista.

O custo dessa transformação ficaria em algo como 200 bilhões de dólares anuais. Com esse dinheiro poderiam ser construídos hospitais, serviços de segurança social, escolas e infraestrutura, que teriam grande impacto na melhora das condições de vida e na redução das taxas de mortalidade.

As pesquisas apontam que uma redução do PIB em 15 milhões de dólares “estatisticamente” custa uma vida, porque na retração econômica a população gasta menos na saúde e reduz a compra de alimentos de boas marcas.

Em pratos limpos, nos EUA a transformação da produção alimentar convencional em “orgânica” matará 13.000 pessoas por ano.

Na Grã-Bretanha a mesma transformação custará anualmente 22 bilhões de libras esterlinas e mais de 2.000 mortos extras por ano.

A utopia agroecológica mal consegue se sustentar. A produção 'orgânica' atual apela para recursos que teoricamente aborrece mas são produtivos e dão muito retorno.
A utopia agroecológica mal consegue se sustentar.
A produção 'orgânica' atual apela para recursos
que teoricamente aborrece mas são produtivos e dão muito retorno.
Norman Borlaug, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz por impulsionar o fornecimento de alimentos em grande escala, gostava de insistir que “a agricultura orgânica em escala global deixaria dois bilhões de pessoas sem comida”, lembra Lomborg.

Essencialmente, o “alimento orgânico” como é oferecido hoje serve para as pessoas ricas se exibirem gastando seu dinheiro extra.

Da mesma maneira que o gastam em férias e divertimentos que as posicionam na elite do jet-set mundial, como se essa fosse uma categoria moral superior.

Em resumo, Lomborg diz que os “alimentos orgânicos” que se encontram por aí não são mais saudáveis, nem mesmo melhores. Aplicar a “agricultura orgânica” em grande escala custará dezenas de bilhões de dólares, multiplicará os danos ambientais, erradicará florestas globalmente e aumentará as mortes em muitos milhares.

A famosa estilista Vivienne Westwood, ambientalista ardida, exclamou com fastio que o pessoal que não consegue pagar “alimentos orgânicos” deveria “comer menos”.

Para Lomborg, esse slogan patenteia uma insensibilidade moral revoltante muito típica do jet-set verde. Quem está com fome ou não pode pagar a comida que precisa deveria ter acesso a alimento mais econômico.

E esse objetivo humano básico não será atingido com a “agricultura orgânica”.

Concluindo o artigo de Lomborg, fiquei tomado pela impressão de que nessa “agricultura orgânica” há “gato encerrado”. Algo que cheira a MST.

Voltei-me para uma coleção de iluminuras mostrando uma encantadora produção agrícola numa natureza digna de quadro de Fra Angélico: monges medievais transformando a natureza numa imagem do Paraíso.

E pensei: organicidade só é felizmente realizável onde há verdadeira moral. E voltei minhas costas para o marketing verde.


10 comentários:

  1. Todos e quaisquer venenos fazem-nos mal, pois eles não possuem nenhuns nutrientes. As maiorias dos alimentos industrializados, além de possuírem tais venenos, também nos causam botulismos, bradicardias ou taquicardias, cânceres, derrames, hipercolesterolemias ou hipocolesterolemias, hiperglicemias ou hipoglicemias, hiperinsulinemias ou hipoinsulinemias, hiperpieses ou hipopieses, infartos e outras doenças.

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  2. Não adianta plantar sem agrotóxico se ao redor da sua plantação existirem outras com agrotóxico, além do mais, devemos considerar que a contaminação ambiental também ataca os produtos "orgânicos". Só trouxa mesmo para acreditar que água mineral engarrafada e alimentos orgânicos fazem bem para saúde.

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    1. Não. É necessário (ambém exigido) que a área orgânica seja isolada por vegetação alta para evitar isso.
      Há mais ou menos 70 ou 80 anos, toda agricultura do mundo era orgânica e as pessoas viviam mais. Esse cara pode entender de química (se é que entenda) mas de agricultura não entende porra nenhuma.

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    2. De qual fonte vc tirou a informação de que as pessoas viviam mais antigamente? Só se for da Bíblia. A media mundial era de 31 anos em 1900. Atualmente se aproxima dos 70 anos (https://en.wikipedia.org/wiki/Life_expectancy). Sabe o que ajudou a elevar a expectativa de vida nesse período? A agricultura moderna, com seus terríveis pesticidas, máquinas agrícolas e fertilizantes, possibilitaram uma abundância de alimento nunca antes vista na história.

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    3. Pelo palavreado chulo deve ser mais um iludido verde.

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  3. Tudo bem que o orgânico é mais caro, mas dizer que tem quase a mesma quantidade de pesticidas? Não me parece crível. Se tem, então, aquele não é.
    O conceito de orgânico é justamente não haver pesticidas...

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  4. O que o Dr. Lair Ribeiro diria dessa matéria?

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    1. Irrelevante! Argumento da autoridade. O QUE OS ARTIGOS DIZEM? OU QUAIS EVIDENCIAS SUPORTARIAM TAIS AFIRMACOES?

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    2. Sr. Luiz, que o senhor não goste de comunistas e ecologistas eu respeito, mas dizer que orgânico não é diferente dos convencionais? Baseado no que? Eu me baseio no uso que faço dos mesmos. Eu e meu pai usamos. Tenho 50 anos e ele 78 não temos nenhum tipo de doença comum em nossa idade. Diabetes, pressão alta, colesterol alto... Absolutamente nada. Minha irmã passou por um câncer a 5 anos. E ela com muito medo da quimioterapia (que caso o senhor não saiba mata mais que o próprio câncer). Pois bem, ela aceitou se alimentar 100% de orgânico até o dia da operação. Teve alta no mesmo dia e não precisou nem de quimio e nem de radio. O senhor não poder comprar não quer dizer que não é bom. Eu também não posso, mas abri mão de algumas coisa futeis, como trocar de carro todo ano ou comprar um novo cell a cada lançamento. Acredito que Deus fica mais feliz comigo quando cuido da minha saúde, de minha familia e do planeta do que adquirir bens de consumo. Cada faz sua escolha. A sua já deu para perceber que é pelo capitalismo. Faz sentido, afinal, foram os cristãos que o criaram. Os protestantes o pensamento, os católicos o status quo... Ehhh Weber tinha razão...

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    3. Quem diz isso é o cientista citado. Ele se baseia em farta documentação citada no artigo. Basta lê-lo. Dirija a ele suas opiniões. No início do artigo, eu manifestei longamente minha preferência pelo genuinamente orgânico, e minha discordância com o orgânico enganoso forjado pelo marketing.
      Observo porém que seu comentário vai concluir no anticapitalismo e no elogio de um teorizador. E ali desvenda uma opção sociológica-filosófica anticapitalista que sai do terreno do "verde" para entrar no "vermelho" anticristão.

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