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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Como os “direitos dos animais” foram atropelando os verdadeiros direitos do homem

O Tribunal das Águas de Valência julga as disputas sobre irrigação. A alma espiritual e inteligente do homem fundamenta que ele julgue a natureza.
O Tribunal das Águas de Valência julga as disputas sobre irrigação.
A alma espiritual e inteligente do homem fundamenta que ele julgue a natureza.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A Igreja ensina que em cada ser vivo há um agente que põe em movimento esse ser.

No homem é a alma humana; nos animais é a alma animal e nos vegetais é a alma vegetal.

A Igreja entende por “alma” precisamente o principium vitae, o princípio misterioso do qual não se pode dizer outra coisa senão que confere a vida.

Então, há três graus de almas, como há três graus de seres:

A alma do homem que é uma alma intelectiva, que compreende as coisas e que se conhece a si mesma.

O homem conhece as coisas não como um boi conhece. Se o boi olhar para uma árvore e eu olhar também, vemos a mesma coisa.

E como o boi não usa óculos e eu uso, provavelmente o boi vê melhor a árvore do que eu.

Mas ele não entende a árvore. Ele não sabe qual é o fim, nem diferencia os objetos, ele apenas recebe nos olhos a imagem da árvore que entra como numa máquina fotográfica, não é idêntico, mas é parecido com da máquina fotográfica.

Sobretudo o boi não se conhece a si próprio. Nós adquirimos na primeiríssima infância, a noção de que somos um circuito fechado.

É a primeira ideia por onde nos vem a noção do “eu” é quando notamos que uma coisa nos agrada e eu toco, eu sinto, e ninguém sente a não ser eu. Se dói, eu gemo e ninguém geme a não ser eu.

Se eu sou um circuito fechado, e os outros são circuitos fechados, nasce aí uma ideia de que eu sou outro. E de que eu tenho direitos, interesses, bons e maus movimentos, inteiramente diferentes dos outros.



Isto é característico de um ser intelectual, um ser cuja alma é espiritual. O próprio desta alma é que quando o homem morre ela se destaca do corpo e vai ver Deus face a face e ela é julgada e condenada.

Esse é a alma espiritual no homem.

A alma intelecttual do homem lhe confere poder
para decidir sobre os animais que têm um princípio vital material,
ou 'alma animal' que se extingue com a morte.
Agora, o animal não tem alma espiritual. O princípio de vida dele é co-idêntico à matéria. De maneira que ele tem conhecimento das coisas exteriores, mas não entende o que vê.

Tampouco tem conhecimento de si mesmo, não tem ideia de que é um circuito fechado.

Ele funciona como um homem que esteja dormindo tão profundamente que não tem consciência de si. Tem algumas reações físicas, se apertam ele vira de lado, essas coisas, mas ele não tem a menor noção de si mesmo.

E depois tem o vegetal que nem sequer tem conhecimento do mundo externo. Não conhece nada.

O princípio de vida do vegetal é tão mais baixo que ele apenas vive, mas não tem nem sequer movimento. Ele é um simples vegetal.

Depois tem naturalmente os minerais que não tem vida.

Pela ordem estabelecida por Deus, todos esses seres são bons e foram criados à imagem e semelhança dEle.

Uns são imagens de Deus; outros, tem a semelhança de Deus.

Qual a diferença entre imagem e semelhança?

É mais ou menos a seguinte: um filho pode ser semelhante ao pai. É a semelhança.

A imagem: alguém pode fazer uma obra de arte, por exemplo, cinzelar uma jarra em que se percebe a psicologia do artista. Apenas há um traço de analogia entre o artista e a jarra. É a imagem do artista na jarra.

Um outro princípio é que Deus estabeleceu que os animais e as plantas existam para o serviço do homem.

O homem não existe para o serviço do homem. Um homem não tem o direito de matar outro, não tem o direito de comer o outro, porque cada homem foi criado diretamente para Deus.

Mas o homem tem o direito de comer o animal porque este foi criado por Deus para o homem. E o vegetal foi criado por Deus para o homem e para o animal.

O boi come o vegetal não porque tenha direito, mas pela boa ordem da hierarquia dos
princípios vitais. A 'alma animal' material é superior à 'alma vegetal' material de nível inferior.
O boi não tem propriamente o direito de comer uma planta, porque ele não tem direito. Quem não tem alma espiritual não tem direito.

Mas está de acordo com a ordem da natureza que um boi coma uma planta. Mas é muito mais raro que um vegetal coma um animal. Há disso.

Há vegetais com uma propriedade por onde quando passa uma mosca perto, eles se fecham. E o animal ali preso naquela prisão verde acaba perecendo e a matéria de que ele se compõe é assimilado pela planta. Pode-se dizer, portanto, que a planta como que assimila o animal.

Mas isso é exceção na natureza. A ordem estabelecida por Deus é que o ser superior que é o animal se sirva do ser inferior que é a planta, e conforme for, coma a planta.

Por exemplo, tem todo o propósito ver numa paisagem, tranquila, etc., um boi à sombra de uma arvore. A arvore servindo de guarda-sol para o boi.

Não podemos imaginar um animal parado servindo de guarda-sol para uma planta. Qualquer um percebe que seria uma inversão da ordem natural das coisas.

Em consequência, afirmar que uma igualdade entre homens, animais e plantas, é negar a superioridade do homem, negar a alma espiritual humana que lhe dá direitos sobre os animais.

E então, é fazer uma profissão de fé de materialismo. Porque quem nega a alma humana nega a Deus. 

Então, é fazer uma afirmação de fé de ateísmo, ou de não fé, porque o ateísmo não é uma fé. É afirmar o ateísmo.

Mas há doutrinas religiosas que negam isso.

São as doutrinas chamadas da metempsicose, reencarnação, migração das almas de animal em animal, de um homem para outro, para vegetais, e até para o nada.

As religiões que pregam a reencarnação das almas em homens, animais, plantas
até a dissolução no magma do panteísmo são preferidas pelo igualitarismo verde radical.
E para isso tendem ONU, UNESCO, "direitos dos animais" e ... o Sínodo da Amazônia!.
A religião dos brâmanes por exemplo afirma que quando o homem anda bem, morre e se dissolve em Deus.

Mas Deus, para eles, é uma espécie de éter, vago, um fluído, dentro do qual o homem passa a se dilatar agradavelmente. Não é uma pessoa. E está acabado.

Imaginem um carvão que está queimando num turíbulo e faz fumaça. Essa fumaça, tende pela lei da expansão das gazes, a se misturar com a massa aérea e dentro de algum tempo não é senão um todo com a atmosfera.

Na ideia bramanista do fim último do homem Deus seria como esse ar, e o homem seria como a fumaça que se perde no meio desse ar sem sentir nada e sem conhecer nada.

Porque desgraça para eles é conhecer e sentir. O homem é infeliz porque conhece e sente; o verdadeiro é ele se evanescer, e escapar do tormento dessa individualização que o faz sofrer.

Quando o homem é mau, ele morre e vai ser animal; e quando ainda é pior, vai ser planta. Depois, se ele como planta der duro, passa a animal, depois a homem e passa a Deus de novo.

Essa doutrina comporta a ideia que há uma porção de almas que fica fazendo o ciclo perpetuo, que é muito difícil escapar para fundir-se na divindade afinal.

Mas essa doutrina é radicalmente contrária à doutrina católica, é condenada pela Igreja Católica.

A ONU deve ser vista como o laboratório da civilização do século XXI e tem um organismo especializado para elaborar as doutrinas dessa civilização, que se chama UNESCO.

Ora, com toda a normalidade, sem causar surpresa, a UNESCO acobertou o lançamento em 15 de Outubro de 1978 uma espécie manifesto de igualdade entre os animais e os homens, a caminho de uma igualdade entre as plantas, os animais e os homens. Cfr. Declaração Universal dos Direitos Animais. 

E o caminho de uma coisa sumamente misteriosa a respeito da civilização do século XXI que devemos analisar aqui.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos resumidos de palestra pronunciada em 8.11.78. Sem revisão do autor)


continua no próximo post: “Direitos dos animais”: paroxismo verde da “cultura da morte”


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