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domingo, 7 de março de 2021

Luiz Carlos Molion: “O alarmismo sobre a Amazônia não tem base científica”

Prof. Luiz Carlos Molion: “O alarmismo sobre a Amazônia não tem base científica”
Prof. Luiz Carlos Molion:
“O alarmismo sobre a Amazônia não tem base científica”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A visão catastrofista sobre a destruição da Amazônia e o seu suposto papel na dinâmica do clima global não têm fundamento científico, e não passam de instrumentos neocolonialistas, com o objetivo de preservar a região como uma vasta reserva de recursos naturais para usufruto futuro dos países desenvolvidos.

A denúncia é do meteorologista e climatologista Luiz Carlos Baldicero Molion, que, há mais de quatro décadas, estuda as mudanças climáticas e a Amazônia, sendo um duro crítico do alarmismo criado em torno das mudanças climáticas e das acusações de que o Brasil estaria sendo negligente em preservar a região.

Com formação em Física pela Universidade de São Paulo (USP), Molion detém um doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e um pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Instituto de Hidrologia de Wallingford (Reino Unido), sendo aposentado como pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e professor associado de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Nos últimos anos, tem se dedicado a proferir palestras sobre tais assuntos em todo o País.

Em um raro intervalo de descanso entre elas, concedeu ao Alerta Científico e Ambiental a entrevista a seguir.



Alerta Científico e Ambiental – O Sr. estuda os fenômenos climáticos e as suas interações com os biomas brasileiros, com ênfase na Amazônia, há mais de três décadas.

Biden cobiçava intervir na Amazônia já na sua campanha eleitoral
Em todo esse período, temos assistido a uma escalada de pressões políticas internacionais contra o Brasil, infelizmente, com muito apoio interno, baseadas na premissa de que o País estaria proporcionando uma devastação do bioma, o que, de acordo com esta visão, acarretaria um grande impacto no clima global. Estes argumentos têm procedência?

Prof. Luiz Carlos Molion – Não. O Bioma Amazônia constitui 5,5 milhões de km², enquanto a superfície do planeta Terra é de 510 milhões de km² e seus oceanos ocupam 361 milhões de km² dessa superfície.

Portanto, o Bioma Amazônia corresponde a 1% da superfície da Terra e a 1,5% de seus oceanos.


Em princípio, o desmatamento total da Amazônia – que é praticamente impossível de ocorrer – não afetaria o clima global, por ser a região de pequenas proporções em face da área oceânica (71%), que é um dos principais controladores do clima global.

Essas pressões são baseadas em resultados obtidos por Modelos de Clima Global (MCG), que são falhos, não conseguem reproduzir o clima atual e, particularmente, o ciclo hidrológico, que é fundamental para a existência do Bioma Amazônia.

Existe um debate acirrado na comunidade científica quanto à fidelidade dos resultados dos MCG nos testes de sensibilidade e quanto à sua utilidade em prognosticar climas futuros.

Portanto, os resultados de simulação do desmatamento da Amazônia pelos MCG são altamente questionáveis e não merecem confiança.

Uma curiosidade, apenas. Em geral, os melhores MCG têm um total de cerca de 64.000 pontos de grade representando a superfície do planeta, dos quais apenas cerca de 500 pontos (0,8%) estão na Amazônia.

É intrigante, sob o ponto de vista físico, que apenas 0,8% dos pontos de grade tenham influência notória nas temperaturas e a chuvas globais resultantes das simulações dos MCG.

Molion um desmatamento total – impossível de ocorrer – não afetaria o clima globa
Molion: até um desmatamento total – impossível de ocorrer – não afetaria o clima global
Alerta Científico e Ambiental –
Grandes potências, como os EUA e a França, parecem dispostas a colocar a Amazônia no centro da sua agenda diplomática, política e econômica com o Brasil.

O presidente Emmanuel Macron acaba de enviar à União Europeia uma lista de requisitos ambientais para a concretização do acordo comercial com o Mercosul, cujos itens equivalem a um autêntico ultimato.

O presidente Joe Biden já anunciou a intenção de pressionar fortemente o Brasil quanto à agenda internacional de “proteção” da Amazônia, de acordo com os critérios estabelecidos pelos interesses políticos e econômicos por detrás dela.

Ao seu ver, como o País deveria responder a essas pressões?

Prof. Luiz Carlos Molion – Pragmaticamente, o Brasil já tem respondido, em parte, a essas pressões ao longo dos anos.

A taxa de desmatamento anual já esteve muito mais alta no passado.


De acordo com os dados do INPE/MCTI, em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, chegou a 29.059 km² e, a 25.396 km² e 27.772 km², em 2003 e 2004, respectivamente, durante o governo Luís Inácio Lula da Silva.

Segundo a mesma fonte, entre 01 de agosto de 2019 e 31 de julho de 2020, a área desmatada foi de 11.088 km².

Em minha opinião, este número ainda é muito alto e se devem envidar todos os esforços para reduzi-lo ou mesmo zerá-lo.

O problema é que os principais consumidores da madeira retirada ilegalmente são os próprios países desenvolvidos.

Joe Biden adotou política agressiva e anticientífica sobre a Amazônia
Joe Biden adotou política agressiva e anticientífica sobre a Amazônia
São eles que deveriam tomar a iniciativa de proibir a comercialização dessa madeira.

Isto é, não havendo clientes, não haverá desmatamento.

Por outro lado, esses países já não possuem mais recursos naturais e, para eles, a Amazônia, não só por sua fantástica biodiversidade, como também por sua riqueza em recursos minerais, tem sido vista como uma “reserva” para o futuro e deve ser considerada “patrimônio da humanidade”, não podendo ser desenvolvida ou administrada pelos países amazônicos, que, segundo essa visão, não teriam capacidade para preservá-la.

Ao meu ver, se não há evidências físicas de que o desmatamento possa provocar uma catástrofe global, a preocupação estrangeira/internacional parece não visar a conservação do meio ambiente amazônico, e sim impedir o desenvolvimento socioeconômico da região.

E “acordos” como o de Paris, em 2015, que obrigam à redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂), são instrumentos tipicamente neocolonialistas, pois 80% dos países do mundo, incluído o Brasil, ainda são subdesenvolvidos.


continua no próximo post: Luiz Carlos Molion: “CO₂ controlador do clima global é hipótese absurda”

 
 

Um comentário:

  1. "Ao meu ver, se não há evidências físicas de que o desmatamento possa provocar uma catástrofe global, a preocupação estrangeira/internacional parece não visar a conservação do meio ambiente amazônico, e sim impedir o desenvolvimento socioeconômico da região.
    E “acordos” como o de Paris, em 2015, que obrigam à redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂), são instrumentos tipicamente neocolonialistas, pois 80% dos países do mundo, incluído o Brasil, ainda são subdesenvolvidos.
    Obrigada PROFESSOR pela entrevista tão esclarecedora sobre a AMAZÔNIA.

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