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domingo, 2 de março de 2025

Dramas lancinantes dos pobres atingidos pelas eólicas

Desinteresse e abandono das terras no Ceará
Desinteresse e abandono das terras no Ceará
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A ofensiva ambientalista que diz trazer progresso aos produtores agrícolas familiares mais pobres, horrorizou até a CUT promotora de uma reforma agrária socialista e confiscatória. 

Comentamos parte dessa impressionante informação em post anterior: Até a CUT denuncia danos das eólicas

Os danos generalizados que o ecologismo causa às populações mais necessitadas e mais pobres, até com o pretexto de lhes fornecer “energias alternativas” melhores que a do odiado “capitalismo privado”, agronegócio, puseram aos ativistas vermelhos em alerta contra algo pior: o ecologismo “verde”.

Entre as malfeitorias da reforma verde que supostamente traria uma melhor adequação dos pobres produtores rurais com a natureza se verificou sob diversas formas, segundo a reportagem do órgão coirmão do PT.

Entre eles o fato de não ter sido dado o alerta sobre as reais condições em que viveriam os agricultores ao aceitarem as condições e os contratos prometidos pelas empresas também não foi dado a agricultora de Bodó, Rita de Cássia.

Um procedimento inumano face a uma população pobre e não instruída sobre a verdadeira revolução ecologista.

Trabalhadores assentados da Baixa da Quixaba afetados pelas eólicas em São Bento do Norte (RN)
Trabalhadores assentados da Baixa da Quixaba
afetados pelas eólicas em São Bento do Norte (RN)
Todos nós, inocentes, sem conhecimento, caímos numa conversa bonita, que só tinha coisas boas para oferecer, desde a estrada, emprego, melhorias, tudo de melhorias.

Só que nada disso chegou para a gente, o que chegou foi muito prejuízo, diz Rita de Cássia Miranda dos Santos

A agricultora reclama que falta assistência aos moradores locais tanto por parte das empresas como dos órgãos governamentais.

“A gente gostaria que eles fizessem uma reunião, vissem a situação da gente, da nossa comunidade, e através de nossas queixas, do que a gente espera, fizessem algo de bom pra nós, algum benefício que recompensasse todos nós, já que a gente não pode fazer nada nesse parque, não pode sair daqui, a gente não tem o que fazer, mas eles poderiam nos ajudar em algo beneficente pra todo mundo”, diz Rita de Cássia.

“Não entendo porque vieram fazer os parques eólicos perto dos agricultores, que vivem da agricultura.

“Em tese deveriam pegar terras abandonadas, de gente que não vive da agricultura.

“O mais prejudicado é a gente; tem muita torre irregular, e eles ainda aproveitavam os acessos de estradas da gente.

“Para piorar a gente continua pagando caro pela energia, sem nenhuma contrapartida”, criticou Ernandes da Silva Ferreira para a reportagem da CUT.

Segundo ele, há anos os agricultores procuram ajuda, mas somente recentemente o Ministério Público começou a apurar as denúncias.

“Ninguém nos ouvia, era só falatório, perdemos renda e estamos em dificuldades financeiras. A gente precisa do sossego para produzir”, diz Ernandes.

Além dos prejuízos financeiros, a saúde das famílias também está prejudicada.

As eólicas devastam a saúde de comunidades e as esquerdas políticas pouco se interessam
As eólicas devastam a saúde de comunidades e as esquerdas políticas não se interessam
A esposa de Ernandes, grávida, teve pressão alta, problemas com a tiroide e não conseguia dormir.

O bebê nasceu e nos primeiros meses até dormia. Hoje com um ano e meio ele só dorme quando está muito cansado, mas acorda durante a noite devido ao barulho.

Por sua vez, Ernandes tem insônia, imunidade baixa e agravou seu problema de rim.

Rita de Cássia, diz que também não sabe o que é ter uma boa noite de sono há anos, prejudicando a sua saúde.

“A noite é muito zoada, durante o dia até que não incomoda muito não, mas à noite fica aquele barulho, aquela zoada. Desde esse parque foi instalado, eu não durmo a noite inteira, não consigo dormir que preste”, relata.

Francisca sofre do mesmo problema causado pelo barulho ensurdecedor e constante das torres de eólicas.

“Eu só durmo dopada, sofro com ansiedade.

“A gente fica perturbada mentalmente e eles não ligam para as pessoas.

"Quando misturam a comunidade com as eólicas acaba tudo em poeira, óleo soltando. Parece que querem acabar com as comunidades.

“Por isso estou trabalhando com grupos para buscarmos uma solução e evitar que se construam novos parques eólicas em assentamentos e comunidades”, conclui Francisca.


O impacto negativo é silenciado pelos 'salvadores do Planeta, políticos e esquerdas
O impacto negativo é silenciado pelos 'salvadores do Planeta,
políticos e esquerdas
Até para o extremo do espectro vermelho socialista a revolução ambientalista verde causa frémitos de horror pelos males provocados contra a população mais necessitada de apoio, e não de destruição de suas pobres produções, casas, famílias e sua saúde.


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Até a CUT denuncia danos das eólicas

Eolicas arruinaram 90% da produção familiar em Rio Grande do Norte
Eólicas arruinaram 90% da produção familiar em Rio Grande do Norte
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Até a militante Central Única dos Trabalhadores (CUT) não teve outra opção que fosse denunciar os danos causados aos mais modestos trabalhadores por iniciativas do PT supostamente para benefício de pobres que hoje são vítimas desastradas. 

As eólicas destruíram, por exemplo, 90% da produção de alimentos de agricultores familiares no RN.

Numa série de reportagens sobre os impactos danosos dos parques eólicos junto à população vizinha, ao meio ambiente e à economia, o Portal CUT ouviu três agricultores familiares do Rio Grande do Norte, que tiveram suas vidas atingidas negativamente por esses equipamentos futuristas.

Todos foram categóricos em dizer que os parques eólicos só trouxeram prejuízos às suas economias, praticamente dizimando suas plantações e comprometeram a saúde deles e dos animais.

Os relatos desanimadores, escreve a CUT, mostram a tragédia que é a instalação das chamadas energias renováveis sem regulamentação nem explicações corretas às famílias enganadas com promessas de ganhos e desenvolvimento.

Na verdade, o rastro é de destruição de casas, do meio ambiente e da agricultura familiar.

Ernandes da Silva Ferreira, 38 anos, agricultor de Bodó (RN), cidade de 4.200 habitantes, produtor de caju, castanha, mandioca e pinha teve 90% da sua produção arrasada e sua criação de porcos, bois e galinhas deixou de dar crias, a partir da instalação dos parques eólicos.

O agricultor Alexandre da Silva (34), sofre problemas para dormir, de saúde e psicológicos
O agricultor Alexandre da Silva (34), sofre problemas para dormir, de saúde e psicológicos
Os animais precisam de sossego para terem uma boa gestação, mas com o barulho ensurdecedor das eólicas, a trepidação do solo provocada por elas e o tráfego de caminhões pesados em alta velocidade nas estradas de terras, isso se torna impossível.

O resultado são crias que não sobrevivem; outras nascem já mortas.

“As abelhas sumiram e com isso a produção de caju, que precisa da polinização, caiu.

“A mandioca que era mais resistente também é prejudicada. Ela recebe muita poeira de pó de brita e piçarra; a noite o orvalho cai em cima dessa poeira queimando as flores e folhas, e pela manhã o sol acaba de queimar.

“As vacas deixei de criar por causa do stress porque elas precisam de ambiente relaxante pra produzir leite.

“Tenho um amigo que te 10 vacas e nenhuma produz mais leite porque ficam inquietas com o barulho das eólicas.

“As crias de porco e galinha também não resistem até o final da gestação”, narrou o pobre agricultor.

“A produção de alimentos dos sítios próximos aos acessos das torres eólicas caiu em torno de 80%. Eu perdi de 80% a 90% da minha renda e para complementar tive de arrumar um emprego de vigia numa escola porque não dá mais para viver da agricultura”, acrescentou Ernandes da Silva Ferreira

Ver a plantação destruída, tomada pela poeira, e os animais estressados sem produzir também aconteceu com a agricultora familiar Rita de Cássia Miranda dos Santos, viúva, de 53 anos, remanescente quilombola, descendente de pequenos agricultores e, que nasceu e vive no sítio Cabeça dos Ferreira, também em Bodó.

“Eu produzia, em 2,4 hectares de terra, feijão, milho, fava, pinha e caju e crio galinhas, mas a produção de ovos praticamente zerou e o que era vendido mal dá hoje para o meu próprio consumo, desde que o parque eólico começou a ser implantado ao lado da minha casa, que está rachada e a cisterna desabou”, diz Rita de Cássia.

Segundo ela, todas as casas dos sítios vizinhos estão rachadas e algumas cisternas foram destruídas devido à trepidação do solo.

Alzira Maria da Conceição (81), desde a chegada das eólicas tem problemas de saúde emostra um saco com remédios receitados
Alzira Maria da Conceição (81), desde a chegada das eólicas tem problemas de saúde
e mostra um saco com remédios receitados
Além disso, as torres derramam um óleo prejudicial à saúde e, por falta de manutenção algumas podem cair a qualquer momento, e os acidentes começam a preocupar quem mora nas imediações.

A mesma situação vive a agricultora Francisca da Silva Barbosa, de 51 anos.

Solteira e com um filho, ela é assentada, junto com outras 23 famílias, em São Bento do Norte, também no Rio Grande do Norte, produzindo feijão e milho e criando ovelhas e galinhas.

Por ser assentada e não ter 100% de direito à terra, as empresas abriram estradas dentro da sua propriedade, inclusive, com a autorização do Ibama.

“Eu não arrendei o meu lote para as eólicas, mas sou vítima de uma torre vizinha.

“Sou eu quem sofre os malefícios. Este ano não deu nada de safra, mal deu um punhado de feijão e milho para gente comer”, conta Francisca.

Seus animais também sofrem, as galinhas e codornas deixaram de botar ovos e as ovelhas que antes davam duas crias, hoje no máximo chega a uma, e nem todas sobrevivem.

“O veterinário me disse que com muito barulho e constante elas não conseguem reproduzir”, diz.

Ernandes, segundo tesoureiro da Associação de Produtores Rurais de Porto de Linha e Pau d’olho, da região de Serra Santana, tem três torres de aerogeradores instalados muitos próximos à sua casa.

Ele conta que os problemas começaram já durante o processo de terraplanagem, em 2015, por causa do tráfego pesado e a velocidade dos caminhões que circulavam nas estradas vicinais dos próprios agricultores.

O trânsito pesado durou até 2017, que além de impactarem nas casas e cisternas destruiu as cercas dos agricultores.

No final do mês de agosto um acidente assustou a todos. Uma hélice se soltou, bateu, voou e caiu sobre uma linha de transmissão de 3 mil volts, a mais de 110 metros da base.

“Ao todo são 15 aerogeradores ao longo das terras dos agricultores e a gente já avisava há dois anos que havia um problema porque aumentou o barulho daquela hélice. A sorte é que não estava passando ninguém e era horário escolar. Ali embaixo das torres é caminho para sairmos do sítio e muita gente usa ainda carro de boi para trazer água”, conta Ernandes.

Segundo ele, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) do Rio Grande do Norte, identificou outro aerogerador a 80 metros de uma casa que está com problemas e a família foi obrigada a deixar a propriedade.

Rita de Cássia também sente medo e se preocupa com a falta de manutenção das torres.

“Aqui perto uma torre foi quebrada, uma hélice foi jogada no chão, pegou fogo, e ela está toda empenada, envergada, tombada no meio.

“O corpo dela não quebrou, mas está sujeito a cair a qualquer momento e, isso para nós é muito ruim, né?

“Porque a gente fica com medo, eu mesmo tenho medo do que poderá acontecer com essas outras que ficam perto das nossas casas”, diz Rita.


Afetados por parques eólicos relatam impactos na saúde e no meio ambiente
Afetados por parques eólicos relatam impactos na saúde e no meio ambiente
Quem arrendou suas terras foram os que têm em torno de 30 hectares e os de terreno menor e não arrendou não recebe nada de indenização, ficando apenas com os prejuízos”, diz Ernandes.

“As torres ficam em propriedades maiores e eles não sofrem as consequências porque não moram nessas terras”, conta.

A agricultora assentada, diz que as empresas prometeram indenizar as famílias que tiveram suas casas rachadas porque o assentamento não estava preparado para receber estruturas tão grandes, mas nada foi feito desde a pandemia.

“Estou toda ilhada, as torres só não estão no meu lote porque o Incra não liberou, mas queriam acordo e que o dinheiro fosse depositado no Incra e quando a gente precisasse para comprar uma ferramenta, a gente pegava lá”.

Ainda bem que não aceitaram porque a gente ia viver de quê?, questiona Francisca.

A agricultora entrou na Justiça, mas ela que tem de pagar o perito para mediar a velocidade das hélices e a distância do aerogerador da sua casa.

“Eu não tenho condições de pagar os R$ 2 mil do serviço. Vou tirar de onde? Não ganho salário, o pouco que tenho é da minha produção, do meu trabalho”, diz.


Edna Pereira mostra as caixas dos remédios que usa continuamente
Edna Pereira mostra as caixas dos remédios que usa continuamente
Eles querem dar dinheiro, mas ali tá toda a sua vida, é de pai pra filho, pra netos. É toda uma tradição que deve ser respeitada, mas está sendo atropelada.

A gente trabalhou para construir pros filhos e acham que com dinheiro e indenização pagam tudo? A gente se revolta porque o que vamos deixar pros nossos filhos?, indaga a sofrida Francisca da Silva Barbosa.

A danificada pensa em construir uma propriedade para legar para sua família e filhos, dentro de uma continuidade que é a tradição.

Até a esquerdista CUT reconhece que esses valores merecem ser respeitados e informa espantada dos males ambientalistas que superam até o futuro socialista em que essa associação quer afundar o Brasil.

domingo, 16 de junho de 2024

Espanha rural não quer “energias renováveis”, e tampouco o Brasil

Ambientalismo prometia salvar a natureza, mas suas turbinas eólicas a estão destruíno e adoentando os homens
Ambientalismo prometia salvar a natureza,
mas suas turbinas eólicas a estão destruíndo e adoentando os homens
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Em Castela e Leão, região do norte de Espanha, 95% da produção de eletricidade provem de parques eólicos e fotovoltaicos cuja proliferação virou um flagelo para a população local, informou “France24”

O arqueólogo Jaime Nuño González que mora no sopé da montanha Palentina, a poucos quilômetros do “caminho esquecido”, um dos ramos mais antigos da estrada dos romeiros para Santiago de Compostela.

Mas esse atrativo, diz ele, “hoje está ameaçado por três usinas fotovoltaicas, ou 150 hectares de painéis solares”.

O peregrino, em vez de atravessar uma paisagem natural, encontrará uma paisagem totalmente industrial, diz o arqueólogo.

Quer dizer, afundará no contrário do que lhe prometia a ecologia no sentido de uma recuperação das belezas naturais e uma limitação das feiuras das áreas industriais.

Acresce que o execrado projeto foi desenvolvido nos arredores da área protegida Natura 2000 e no meio de um sítio pomposamente batizado de Geoparque pela UNESCO. Mistérios bem conhecidos das cumplicidades do movimento ambientalista com os políticos envolvendo corrupção.

Trata-se de uma aberração para Jaime e seus companheiros, unidos numa plataforma de defesa do cidadão. Denunciam a proliferação destes grandes projetos num território rico em biodiversidade e patrimônio cultural que estão sendo destruídos.

“Eles instalam-se aqui porque o terreno não é caro”, denuncia Jaime. E como somos poucos e velhos, não há massa crítica que se oponha a isso. Não há piedade com os idosos preservadores das tradições e do patrimônio cultural local.

Antes de se instalarem, as empresas deviam realizar um estudo ambiental para obter o sinal verde do governo autonômico ou do Ministério do Meio Ambiente.

Agricultora brasileira tem que usar ansiolíticos e antidepressivos por causa dos aerogeradores. Foto Vinícius Sobreira-Brasil de Fato
Agricultora brasileira tem que usar ansiolíticos e antidepressivos
por causa dos aerogeradores. Foto Vinícius Sobreira-Brasil de Fato
“Nunca utilizamos terras de alto valor ambiental”, tenta se eximir Silvia Alonso Guijarro, assessora de imprensa de Solaria, uma empresa que instala 40% dos seus parques fotovoltaicos em Castela e Leão.

Os políticos do conselho regional também querem tranquilizar a população que não aguenta mais, não é ouvida e sofre com procedimentos administrativos e legais complicados. Esses parecem feitos para desanima-los e favorecer empresas que desconhecem a população local, explica Rosa Pardo, presidente da Aliente, a aliança nacional de plataformas de defesa do cidadão.

Não faltam sofismas como o de facilitar a “descarbonização” e objetivos ambiciosos da União Europeia para reduzir as emissões de CO2 em 55% até 2030, diz Juan Carlos Suárez-Quiñones.

Aliás, a UE teve que abandonar essas ousadas metas ecológicas diante da indignação continental dos agricultores europeus severamente ameaçados pela utopia de Bruxelas.

“A prioridade do governo e das regiões é atingir objetivos para poder publicar números”, lamenta Rosa Pardo. “Então eles dizem para si mesmos que só precisam instalar as usinas onde não há nada – mas há paisagens, agricultura, pessoas que vivem!” os quais obviamente estão sendo desrespeitados pelos que diziam ser seus salvadores!!!

Três regiões representam metade da capacidade eólica instalada: Castela e Leão, Aragão e Castela-La Mancha. Foi prometido aos habitantes a prioridade ao autoconsumo e às comunidades energéticas.

Mas, deploram eles, o objetivo fundamental da iniciativa ambientalista mostrou ser “a especulação financeira e não a produção de energia verde”. Uma fraude que agora está mostrando suas verdadeiras consequências.

O parques eólicos reeditam por toda parte o drama do arrasamento da saúde das pessoas mais fracas e da destruição da natureza.

Até no Brasil! Veja por exemplo: Caetés: parque eólico causa depressão, insônia, surdez, destrói a vida e produção dos mais pobres


O drama de viver sob hélices gigantes no Nordeste brasileiro










domingo, 24 de setembro de 2023

Parque eólico causa depressão, insônia, surdez, destrói a vida e produção dos mais pobres

Parques eólicos destroem plantações, criação de animais e forçam agricultores para êxodo rural
Parques eólicos destroem plantações, criação de animais e forçam agricultores para êxodo rural
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs








Em Caetés, cidade de 28 mil habitantes a 245 km do Recife, local de nascimento do presidente Lula da Silva, a energia eólica virou o maior problema, segundo reportagem da BBC News Brasil.

Em 2014, foram instalados dois parques de geração de energia com 220 torres nas comunidades rurais de Sobradinho e Pau Ferro, agreste de Pernambuco,.

Eles se transformaram numa tortura para 120 famílias de pequenos agricultores que vivem bem perto delas sofrendo o barulho alto e ininterrupto dos aerogeradores em uma área acostumada ao silêncio da roça e ao som dos animais da caatinga.

Vocês venham morar debaixo delas para você ver o barulho por 24 horas, dia e noite. É esse zupo, zupo, zupo… Precisa a pessoa ser forte, forte de Deus, não é de carne e feijão, não”, diz Acácio Noronha, que vive num sítio de um hectare desde que nasceu, há 64 anos.

Os moradores relataram à BBC News Brasil que as torres fomentam ansiedade, insônia e depressão. Também falam dos sustos causados pelas sombra das hélices, divisão de famílias e a saída forçada de suas fazendas.

As duas comunidades ficam a cerca de 10 km da réplica da casa de Dona Lindu, mãe de Lula, em Caetés, onde o presidente nasceu. Em Caetés fala-se bastante dele em tom de preocupação.

Há mais de 1.000 desses parques no Brasil.

Moradores de Sobradinho e Pau Ferro estão viajando a cidades do Nordeste para apresentar sua experiência e convencer agricultores a não cederem suas terras, enquanto moradores de outros municípios vão a Caetés para ouvir os relatos.

Os moradores de Borborema, na Paraíba, desistiram de ceder suas terras para a instalação de parques na cidade e a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) reconhece os problemas de Caetés.

'Quando chegou o aerogerador, a vida ficou insuportável”
'Quando chegou o aerogerador, a vida ficou insuportável”
Acácio Noronha que mora em três cômodos a 150 metros de quatro torres descreve: “você não dorme, não tem aquele prazer de deitar e descansar. Quando cochila, acorda assustado, achando que ela vai cair. Tem hora que parece um apito, cachorro latindo, um avião que nunca decola”.

Numa casa rodeada por aerogeradores, Edna Pereira, de 44 anos, diz tomar quatro remédios para dormir, além de outros para controlar a ansiedade e a dor de cabeça.

“Os médicos estão aumentando os miligramas. O remédio para dor de cabeça era de 25 miligramas, agora é de 100. O para ansiedade era de 10, agora é de 150. O remédio para dormir era só um, agora são quatro. E, mesmo assim, não consigo dormir”, diz ela segurando uma caixa de medicamentos.

“O barulho delas fica dentro do meu ouvido. Posso ir para onde eu for, que o barulho fica no meu ouvido. Não sai, não sai”, acrescentou à BBC News Brasil.

Wanessa Gomes, professora de Saúde Coletiva da Universidade de Pernambuco (UPE), explica que ela e seus orientandos da pós-graduação iniciaram uma pesquisa, além de uma residência médica, para medir o impacto das torres na saúde da comunidade e narra:

“Há relatos fortes de que as pessoas não estão mais conseguindo ouvir como antes. Hoje mesmo, uma senhora contou que não dialoga mais com o filho dentro de casa, porque não consegue mais escutá-lo. E ela tem 52 anos”.

Alguns apontam para a relação entre ruídos, insônia e perda auditiva. E o problema é mundial. Na Holanda, alguns pesquisadores acham que os ruídos não causam problemas de saúde mental, mas, outro grupo de cientistas contesta essa conclusão, afirmando que há muitos indícios de prejuízos à saúde, além de apontar que a pesquisa inicial havia sido bancada por empresas de energia eólica.

Edna Pereira mostra as caixas dos remédios que usa continuamente
Edna Pereira mostra as caixas dos remédios que usa continuamente
Após uma série de protestos, o Conselho de Estado da Holanda suspendeu a construção de um parque eólico e solicitou mais estudos sobre os efeitos na saúde mental das pessoas que vivem a cerca de 600 metros das torres.

No Brasil, a executiva Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), reconhece os problemas de Caetés que passaram pela mão de várias empresas e são antigos mas não há certeza de que as novas tecnologias afastem a causa dos danos à saúde e ao relacionamento social.

A empresa Echoenergia que assumiu Pau Ferro em 2017, realizou estudos na região e defende a “pressão sonora” das torres.

O prefeito de Caetés, Nivaldo Martins (Republicanos) tem o gabinete decorado com imagens de torres eólicas, e acha que trazem mais benefícios à prefeitura do que problemas especialmente pecuniários.

Mas Simão Salgado, de 74 anos, teve que deixar seu sítio porque não conseguiu mais viver perto das torres.

“A gente vivia com muita tranquilidade, minha propriedade era referência em agricultura familiar e na preservação da caatinga. Com a chegada dos parques, a gente deixou de receber visitas, de produzir, e ultimamente, tive que me afastar”. Minha mulher teve um sério problema de saúde, entrou em uma depressão, em uma ansiedade… Não tive escolha.”

Os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste
Os parques de energia eólica estão piorando a vida das famílias de agricultores no agreste
Para Simão, o afastamento impactou sua noção de identidade. “Eu me identificava como agricultor, trabalhador e produtor do semiárido. Hoje, sinto uma tristeza muito grande.”

Seu filho, José Salgado, de 41 anos, que resolveu ficar cercado por 11 torres está mudando de ideia.

“Comecei com remédios para dormir, mas desisti porque não queria ficar viciado”, explica.

Em Sobradinho, há casos de famílias que nunca mais se falaram depois da instalação dos parques: uma parte saiu da roça com o dinheiro, enquanto a outra, que ocupa o terreno ao lado, sofre as consequências dessa escolha.

o medo das torres afeta essas famílias até na hora de plantar.

“Funcionários da manutenção nos disseram que há cabos elétricos no solo e que há risco de descargas elétricas. Então, a gente não planta mais como antes”, diz Roselma Oliveira, de 35 anos, que se tornou a principal liderança dos agricultores de Sobradinho.

O antropólogo Alexandre Gomes Vieira, de 30 anos, também registra acidentes, envolvendo pássaros nativos da caatinga que se chocam contra as torres.

“Constatamos que muitas aves, como gaviões, águias e codornas são atraídas pelas hélices e acabam colidindo com as torres, diminuindo a incidência de espécies que já são raras. Os agricultores relatam que não ouvem mais o canto de alguns pássaros, como o acauã e a mãe da Lua, que têm uma simbologia religiosa”, explica.

A sombra das torres pode aparecer como miniatura ou com vários metros
A sombra das torres pode aparecer como miniatura ou com vários metros
A "resta", como os agricultores chamam a sombra das torres, piora a ansiedade deles, provoca sustos e deixa os animais inquietos.


Acácio Noronha explica: “estou deitado de manhã, tentando dormir, aí vejo um vulto assim. Olha ela ali de novo...”, diz.

Se o presidente aparecesse em Sobradinho, Acácio lhe diria: “se eu não estivesse muito emocionado e nervoso como estou agora, eu só diria assim: ‘Homem, dê um jeito de tirar nós. Nós, a população da nossa comunidade, estamos debaixo dessas torres'”, recolheu a BBC News Brasil.






domingo, 2 de fevereiro de 2014

Investidores em “energias renováveis”
veem suas aplicações sumirem com o vento

 As tecnologias estão imaturas, e montes de problemas  e consertos as tornaram ainda mais complicadas e caras
 As tecnologias estão imaturas, e montes de problemas
e consertos tornaram-nas ainda mais complicadas e caras
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O investimento em “energias renováveis” prometeu lucros pecuniários anuais acima dos 20%.

A promessa foi-se com o vento: os investidores alemães fogem desse sonho assim que podem, escreveu a revista alemã “Der Spiegel”.

Diante de dez equipes de TV e 50 jornalistas, Carsten Rodbertus subiu ao pódio da Prokon para anunciar: falimos!

Rodbertus é o fundador da Prokon, que, por sua vez, era considerada uma das mais experientes na produção dessas energias

Centenas de empregados da Prokon que nos últimos dias chegaram a trabalhar 12 dias consecutivos durante 12 horas por dia para evitar a concordata, concederam seu ultimo aplauso ao fundador do sonho que se foi.

Rodbertus contou que os investidores tinham aplicado na firma €1,4 bilhões, mas que agora diante da falta de resultados muitos deles estão reclamando o dinheiro de volta.

A Prokon teve que pedir concordata e 75.000 acionistas ficaram a ver navios.

Tribunais e varas da Alemanha estão se enchendo de processos de investidores que não estão sendo retribuídos como prometido e que alegam manobras confusas e falta de transparência, informou “Der Spiegel”.

No setor verde, a concordata da Prokon e a redução dos favorecimentos oficiais para as energias alternativas suscitam ainda maiores temores de fuga de aplicadores.

Prometiam pagar 270% em vinte anos,  mas apenas chegam a 2,5% anual
Prometiam pagar 270% em vinte anos,
mas apenas chegam a 2,5% anual
Os mais recentes estudos apontam que os aplicadores podem se achar com sorte se recuperam apenas o dinheiro que investiram há 20 anos.

Werner Daldorf, chefe do Comité de Investimentos da Associação Alemã para Energia Eólica, fez 1.150 relatórios para aconselhar investidores.

Tendo estudado mais de 170 parques eólicos comerciais em mais de 10 anos, Daldorf concluiu que os investidores receberam um retorno de 2,5% em média.

“Em dez anos, isso significa um retorno de 25%, quando a perspectiva era entre 60% e 80%”, diz Daldorf.

Ainda que o momento econômico vier a melhorar, só os parques eólicos em locais muito favoráveis poderão ser lucrativos.

Um quinto daqueles cujos orçamentos são analisáveis, deixaram de pagar pelo menos uma vez dividendos maiores de 2%, acrescenta Daldorf.

É o drama do aposentado Volker Hippe, narrado por “Der Spiegel”. Há treze anos ele aplicou os €35.000 de um seguro de vida obtido pela morte de sua mulher para legá-los para seus filhos então minores de idade.

Hippe investiu num parque eólico da Saxônia-Anhalt que prometia um retorno inicial anual de 5 a 6%, e mais de 20% a partir de 2012. Mas, há já um longo tempo que os pagamentos cessaram.

Uma das maiores causas de desventuras como essas, escreve a revista alemã, são certos bancos. Hippe caiu no UmweltBank (Banco Ambiental), especializado em investimentos “verdes”.

Num caderno informativo de 2001, o UmweltBank promovia aplicações “num campo eólico solidamente calculado” como sendo “um suplemento ideal para a aposentadoria”.

Acontece também, diz ironicamente “Der Spiegel”, que a Mãe Natureza nem sempre cooperou. As previsões climáticas em que se fundavam as aplicações com frequência foram ilusórias.

Um erro para abaixo de 10% na velocidade dos ventos pode abaixar a produção de energia em 30%.

A Breeze Two Energy de Darmstadt lançou ações no mercado por €470 milhões, prometendo ganhos de entre 5,3 e 6,1%.

Janeiro 2014: Carsten Rodbertus, fundador da empresa de energia renovável Prokon, declara-a inademplente
Janeiro 2014: Carsten Rodbertus, fundador da empresa de energia renovável Prokon,
declara-a inademplente
Mas, a empresa teve perdas significativas entre 2008 e 2011. Pelo fim de 2011, o balanço da companhia só contabilizava €205,5 milhões.

Ela evitou a falência pelo auxílio prestado por uma mudança das leis alemãs. Mas muitos sofreram a perda de suas poupanças.

Mesmo drama vivem os pequenos investidores da Prokon. O chefe Rodbertus pretende vender parte de seus parques para devolver o dinheiro. Mas não é claro quando e como os poupadores voltarão a ver seu pecúlio de novo, observa “Der Spiegel”.

Tal vez não só não pague os interesses, mas tampouco possa devolver o capital. Esse poderá ser o caminho previsível do negócio no futuro.